Queijo vira garantia antes de ficar pronto e rende empréstimo de € 10 mi na Itália

Brazzale, empresa italiana de laticínios mais antiga, é a primeira a conceder às partes financiadoras o controle sobre o estoque, e não apenas uma garantia sobre ele, após mudança inédita na legislação do país

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Bloomberg — A empresa de laticínios mais antiga da Itália obteve um empréstimo garantido pelo queijo que ainda está envelhecendo em seu depósito, aproveitando uma alteração na legislação destinada a ajudar os produtores de alimentos e vinhos a obter financiamento.

A Brazzale, uma empresa familiar fundada em 1784, levantou 10 milhões de euros junto ao banco estatal italiano Cassa Depositi e Prestiti e ao Cherry Bank, com garantia de produtos em processo de maturação, segundo fontes a par do assunto ouvidas pela Bloomberg News, que pediram para não serem identificadas por não estarem autorizadas a falar publicamente sobre o tema.

Os fabricantes de queijo italianos estão familiarizados com o financiamento de estoque.

Há décadas as empresas de laticínios vêm depositando rodas de parmesão nos cofres do Credito Emiliano, obtendo acesso a crédito que lhes permite pagar aos produtores e cobrir outros custos enquanto aguardam que seus produtos cheguem ao mercado.

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A transação da Brazzale é, no entanto, a primeira a conceder às partes financiadoras o controle sobre o estoque, e não apenas uma garantia sobre ele.

Isso foi possibilitado por alterações na lei de securitização da Itália, que agora permite que as empresas obtenham financiamento sobre bens não registrados, incluindo produtos alimentícios, matérias-primas e itens manufaturados. Anteriormente, tais transações limitavam-se, em grande parte, a ativos como imóveis e recebíveis financeiros.

A nova estrutura foi concebida para permitir que as empresas “desconsolidem esses ativos de seu balanço patrimonial e liberem a liquidez imobilizada no estoque” sem esperar que os produtos sejam vendidos, segundo Pietro Bellone, sócio do escritório de advocacia A&O Shearman em Milão.

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“A lei agora reconhece expressamente o uso de recebíveis futuros, dos ativos subjacentes e direitos relacionados, de produtos processados e de ativos substitutos como ativos que podem ser isolados ou alocados para o pagamento da operação de securitização”, afirmou Annalisa Dentoni-Litta, sócia do escritório de advocacia Hogan Lovells Cadwalader, em Roma.

Tempo de comercialização

Na operação da Brazzale, uma entidade de propósito específico chamada Magazzino Italia adquirirá queijos em fase de maturação da empresa de laticínios enquanto estes permanecerem nos armazéns da empresa.

A transação está estruturada como uma linha de crédito rotativo, criando uma fonte contínua de capital de giro enquanto os queijos amadurecem e são vendidos, afirmaram as fontes.

Para empresas cujos produtos levam meses ou anos para serem produzidos — desde parmesão e carnes curadas até vinhos e outros bens —, as reformas poderiam abrir uma nova fonte de financiamento ao transformar os estoques em armazéns em ativos lastreados.

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“Os provedores de crédito privado também poderiam ter mais facilidade para conceder empréstimos com base no estoque”, afirmou Bellone.

O financiamento baseado em ativos está se tornando uma das áreas de crescimento mais rápido para os fundos de crédito privado.

À medida que a concorrência se intensifica no crédito corporativo tradicional, os gestores de crédito privado estão alocando mais capital em empréstimos garantidos por ativos tangíveis e fluxos de caixa contratuais, incluindo contas a receber, infraestrutura e equipamentos.

O financiamento de estoques, no entanto, não é isento de riscos. Embora o queijo, assim como o vinho, possa se valorizar com o tempo, o contrário também é possível.

Com sede perto de Vicenza, na região de Veneto, a Brazzale possui unidades de produção no Brasil, nos EUA, na China e na República Tcheca.

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