Preço do café deve seguir pressionado por até dois anos, diz presidente da Lavazza

Volatilidade dos grãos e os estoques globais restritos devem dificultar uma redução dos preços ao consumidor; para a torrefadora italiana, serão necessárias ao menos duas safras abundantes no Brasil e no Vietnã para reequilibrar o mercado

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Bloomberg — A mais recente onda de volatilidade no mercado de café deve se prolongar, complicando as perspectivas para os consumidores que esperam ver preços mais baixos, segundo a torrefadora italiana Luigi Lavazza.

“O mercado precisa se estabilizar antes que se possa pensar em uma redução dos preços”, afirmou Giuseppe Lavazza, presidente da empresa familiar, em entrevista concedida à Bloomberg News em Londres na quarta-feira.

Serão necessárias pelo menos duas safras abundantes e uma recuperação significativa dos estoques globais para aliviar as restrições de oferta, o que torna improvável uma queda nos preços nos próximos dois anos, acrescentou ele.

Os futuros do arábica em Nova York registraram na segunda-feira seu maior salto intradiário em 26 anos, mas perderam grande parte desse ganho na sessão seguinte.

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Na quarta-feira, os preços oscilaram, indicando que a volatilidade pode se manter, à medida que os participantes do mercado avaliam as expectativas de uma safra recorde no Brasil — principal produtor — contra as preocupações com o impacto do fenômeno climático El Niño.

“Acho que estamos vivendo um período prolongado de instabilidade e incerteza”, disse Lavazza. “A instabilidade é a nova constante.”

Os preços da variedade premium de grãos, preferida por redes especializadas como a Starbucks, haviam recuado em relação às máximas históricas de 2025, devido às perspectivas de uma safra excepcional no Brasil, o que gerou esperanças entre os torrefadores de que os preços no varejo acabariam acompanhando essa tendência.

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Esse otimismo foi atenuado à medida que o mercado enfrenta estoques cada vez mais restritos, atrasos na safra brasileira e novas apostas dos investidores de que interrupções relacionadas ao clima poderiam ameaçar o abastecimento.

Os torrefadores estão enfrentando margens mais apertadas, afirmou Lavazza.

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Os preços subiram cerca de 30% desde que os meteorologistas declararam o El Niño pela primeira vez no mês passado.

Historicamente, esse fenômeno climático traz mudanças atípicas na temperatura e na precipitação que podem prejudicar as safras. Um clima mais quente e seco durante a época de floração no Brasil pode reduzir a produtividade do arábica.

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“Precisamos de duas safras muito boas do Brasil e do Vietnã para restabelecer a estabilidade”, afirmou Lavazza.

“Talvez a primeira boa safra esteja chegando”, mas ainda não temos evidências de que ela será tão boa quanto se esperava no final de 2025, acrescentou ele.

--Com a colaboração de Ilena Peng.

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