Indigo firma acordo de carbono com a Microsoft nos EUA. Próxima fronteira é o Brasil

Guilherme Raucci, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Indigo para a América Latina, disse à Bloomberg Línea que a empresa americana tem capacidade para atender ‘muito mais’ a demanda de crédito de carbono, e isso inclui Brasil e Argentina

Mercado de crédito de carbono tem sido uma importante avenida de crescimento para a empresa americana Indigo no mundo
15 de Janeiro, 2026 | 06:32 AM

Bloomberg Línea — A Indigo Ag vê espaço para continuar a crescer nos Estados Unidos com o mercado de crédito de carbono, enquanto o Brasil começa a ganhar tração como peça estratégica na agenda da companhia.

A empresa norte-americana de tecnologia para o agronegócio anunciou nesta quinta-feira (15) um contrato de 12 anos firmado nos EUA para vender 2,85 milhões de toneladas de créditos de remoção de carbono à Microsoft.

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A operação foi vinculada ao programa Carbon by Indigo, que foi desenvolvido nos EUA.

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Trata-se do terceiro acordo entre as duas companhias, após contratos de menor escala terem sido firmados em 2024 e 2025.

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Para Guilherme Raucci, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Indigo para a América Latina, a sequência de negócios com a gigante de tecnologia reforça a posição da Indigo no mercado voluntário de carbono.

Segundo ele, a empresa tem “capacidade para atender muito mais”.

“A Indigo tem uma trajetória de bastante protagonismo e pioneirismo no mercado de carbono voluntário, sobretudo quando falamos de créditos gerados no solo, na agricultura”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea.

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De acordo com Raucci, o nível de exigência imposto por compradores como a Microsoft funciona como uma espécie de selo de credibilidade para o modelo adotado pela empresa.

“O nível de diligência que é feita nesses créditos é muito alto”, disse o executivo ao comentar sobre o projeto com a Microsoft.

“E isso reforça que temos capacidade de fazer a geração de crédito de maneira consistente.”

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Do lado dos produtores, a maior parte do valor gerado permanece com eles.

“Hoje, mais de 75% do valor do crédito vai para o produtor”, afirmou Raucci. “Ele é a figura-chave dos projetos.”

Outro diferencial do projeto, disse Raucci, está na metodologia, gerada a partir do Cadastro Ambiental Rural (CAR), usada para certificar os créditos pelo selo Integrity Council for the Voluntary Carbon Market (ICVCM).

Segundo dados da Indigo, a empresa já pagou cerca de US$ 40 milhões a produtores por programas regenerativos e, desde 2018, emitiu 1 milhão de toneladas de créditos de carbono.

O programa reúne produtores médios de diferentes culturas nos Estados Unidos, segundo a empresa, que não divulgou o número de agricultores participantes.

Oportunidades na América Latina

Além do protagonismo nas iniciativas do mercado de carbono voluntário, a Indigo avança no Brasil com outra frente considerada complementar: o programa Source, voltado à agricultura regenerativa e que foi lançado de forma ainda piloto no ano passado.

Guilherme Raucci - gerente de Desenvolvimento de Negócios da Indigo para a América Latina.

A iniciativa remunera produtores brasileiros pela adoção de práticas sustentáveis, como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos - e busca conectar agricultores a grandes empresas interessadas em reduzir as emissões de suas cadeias de valor.

No ano passado, o então CEO da empresa, Christiano Pinchetti, disse que o modelo de sourcing estava sendo estruturado com uma grande empresa de bebidas no Sul do Brasil.

No futuro, o intuito é desenvolver tanto o programa Carbon, nos EUA, quanto o Source.

“O Carbon, que gera crédito de carbono, não está disponível aqui”, disse Raucci. “Estamos dando esses primeiros passos para conseguir trazer para cá, mas não é uma coisa que se faz de um dia para o outro.”

Segundo o executivo, Brasil e Argentina são hoje os principais focos da Indigo na América Latina para esse tipo de iniciativa.

Para o executivo, a experiência acumulada nos Estados Unidos deve servir como base para a expansão futura no Brasil, à medida que o mercado avance.

“Com todo o aprendizado que tivemos, as metodologias e a maneira como fazemos isso hoje, nós conseguimos acelerar o desenvolvimento”, disse.

“A Indigo, por ser uma líder nesse mercado, está muito interessada em trazer esse projeto para cá.”

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