França mira alimentos da América do Sul ao estudar veto a pesticidas banidos na UE

Primeiro-ministro Sebastien Lecornu disse que decreto será emitido nos próximos dias: ‘Abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas, uvas e maçãs da América do Sul ou de outros lugares não poderão mais entrar no território nacional’, apontou em post

Medida ocorre em meio a incertezas sobre um possível acordo com o Mercosul
Por Nayla Razzouk
04 de Janeiro, 2026 | 10:24 AM

Bloomberg — A França planeja proibir a importação de alimentos da América do Sul ou de outros países que contenham pesticidas cujo uso foi proibido na União Europeia.

O primeiro-ministro Sebastien Lecornu disse que um decreto será emitido nos próximos dias para suspender a importação de produtos que contenham resíduos de substâncias como mancozeb, glufosinato, tiofanato-metil e carbendazim.

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“Abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas, uvas e maçãs da América do Sul ou de outros lugares não poderão mais entrar no território nacional”, disse Lecornu em um post no X no domingo.

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Os agricultores tentaram bloquear a assinatura de um acordo de livre comércio com os países do Mercosul na América do Sul, alegando preocupações com importações mais baratas e sua conformidade com os padrões ambientais e de saúde da União Europeia.

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Depois que algumas medidas de salvaguarda foram introduzidas no texto, as autoridades europeias estão agora buscando uma ratificação em meados de janeiro.

Lecornu disse que o novo decreto é um “primeiro passo” destinado a proteger os consumidores e as cadeias de suprimentos e, ao mesmo tempo, combater a concorrência desleal.

“As inspeções reforçadas serão realizadas por uma unidade especializada para garantir a conformidade com nossos padrões de saúde”, disse ele.

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Os fazendeiros da França também têm bloqueado estradas para protestar contra o abate de gado como parte de medidas rigorosas para combater doenças animais.

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Os protestos se somaram à crescente turbulência política da França após três colapsos governamentais no ano passado. Lecornu tem se esforçado para adotar um orçamento de austeridade.

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