Bloomberg — O El Niño, que tem causado perturbações climáticas e surgiu no Pacífico no mês passado, continua a se intensificar e provavelmente será um dos mais fortes em mais de 75 anos, informou o Centro de Previsão Climática dos EUA.
Temperaturas da superfície do mar 1 °C ou mais acima do normal — característica marcante do fenômeno — se espalharam pela região central e oriental do Pacífico equatorial, e há 81% de chance de que se torne um El Niño muito forte e figure entre os “maiores eventos registrados na história desde 1950”, afirmou a agência em sua previsão mensal. Algumas partes do Pacífico oriental atingiram 2,7 °C acima do normal na última semana.
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“Mesmo os eventos de El Niño mais intensos não causam o impacto típico em todos os lugares, mas eventos mais fortes podem inclinar de forma mais significativa as probabilidades a favor dos resultados esperados”, afirmou o Centro de Previsão Climática.
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O El Niño “se intensificará até o final do ano, com 97% de probabilidade de se estender até o início da primavera de 2027”.
O El Niño é acompanhado de perto por operadores de mercado, mercados financeiros e governos, pois oferece uma visão sazonal sobre fenômenos climáticos extremos que podem provocar inundações, secas, ondas de frio e alterar a atividade de furacões e tufões no Atlântico e no Pacífico.
O El Niño intensifica o cisalhamento dos ventos no Caribe, interrompendo o desenvolvimento de tempestades tropicais e furacões durante a temporada de seis meses que teve início em 1º de junho.
Em outras regiões, ele costuma trazer invernos mais frios e chuvosos ao sul dos EUA, ao mesmo tempo em que aumenta o risco de secas e incêndios florestais na Austrália.
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O El Niño já foi apontado como responsável pelo esgotamento dos reservatórios na Índia e por exercer pressão sobre a rede elétrica durante o pico de demanda no verão.
A geração das usinas hidrelétricas caiu quase 21% em relação ao ano anterior, a queda mais acentuada desde fevereiro de 2024, segundo dados do Ministério da Energia da Índia.
A produção das barragens diminuiu quase 7% no trimestre encerrado em junho, enquanto usinas a carvão, nucleares e de energia renovável geraram mais energia para atender à demanda recorde impulsionada pelo calor extremo.
A AccuWeather reduziu na terça-feira sua previsão para tempestades nomeadas no Atlântico para 8 a 14, ante 11 a 16 que a empresa de previsão meteorológica comercial havia previsto em março, de acordo com um comunicado.
A média de 30 anos no Atlântico é de 14 tempestades nomeadas, o que ocorre quando elas atingem a intensidade de tempestade tropical.
Há apenas 3% de chance de o Pacífico retornar ao normal no início da primavera e nenhuma possibilidade de que ocorra um fenômeno La Niña, quando o oceano esfria.
-- Com a colaboração de Rajesh Kumar Singh.
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