Brasil exporta óleo de soja com desconto recorde após impasse no biodiesel

Exportações brasileiras de óleo de soja cresceram 47% até abril, impulsionadas pela combinação de safra recorde, esmagamento elevado e consumo interno abaixo do esperado

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Bloomberg — O Brasil, maior produtor de soja do mundo, está processando quantidades recordes da safra, mas um atraso nos planos do país para aumentar a demanda local por meio de mandatos de biocombustíveis resultou em um excesso de suprimentos baratos de óleo de soja sendo enviados para o exterior.

Embora os futuros do óleo de soja em Chicago tenham subido quase 56% este ano, os preços nos portos brasileiros tiveram um movimento muito mais lento.

O desconto para o óleo de soja no principal porto do Brasil, Paranaguá, é agora o maior desde 2023, de acordo com dados da Commodity3.

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O baixo custo ajudou a elevar as exportações brasileiras de óleo de soja em 47% este ano até abril, atingindo o segundo maior volume para o período nas últimas duas décadas.

O óleo de soja é usado na maior parte da produção de biodiesel do Brasil, mas as expectativas de que o país aumentaria o mandato de mistura obrigatória até março foram frustradas. Atualmente, o Brasil mistura 15% de biodiesel no diesel, e um aumento para 16% está pendente de testes técnicos.

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Da mesma forma que a vizinha Argentina, que também tem visto grandes descontos no óleo de soja, os suprimentos de soja no Brasil são abundantes, pois o país está colhendo uma safra recorde.

Isso está mantendo a atividade de esmagamento intensa, com os processadores agora se concentrando nas exportações de óleo vegetal para mercados como Índia, Bangladesh e norte da África.

“Há muita oferta de matéria-prima”, disse João Paes de Almeida, fundador da empresa de consultoria sênior J.Pacta. Sem um mandato mais alto para o biodiesel, “o maior setor agrícola do Brasil, que é o da soja, continuará a fixar o preço de seu produto abaixo da referência de Chicago”, acrescentou.

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