Wall St se divide sobre futuro da IA com alertas de bolha e apostas de até US$ 15 tri

Enquanto gestores da Pimco e da Bain Capital alertam para uma possível correção nas avaliações de empresas de inteligência artificial, executivos de bancos como Goldman Sachs e Morgan Stanley mantêm uma visão otimista sobre o setor

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Bloomberg — Algumas das maiores gestoras de ativos do mundo alertaram sobre os riscos do boom de inteligência artificial mesmo enquanto os principais CEOs de Wall Street exaltam os ganhos potenciais desse mercado.

O diretor executivo da Pacific Investment Management, Emmanuel Roman, e o presidente da Bain Capital, John Connaughton, estão entre um número crescente de gestores de investimentos que alertam para os riscos de uma bolha no setor de IA e para uma eventual desaceleração após a expansão vertiginosa do setor.

“Em algum momento, haverá uma desaceleração, e então as coisas vão desmoronar”, afirmou Roman na Cúpula de Investimento dos Líderes Financeiros Globais de 2026, realizada em Hong Kong na terça-feira (3). Uma queda poderia ser desencadeada por qualquer fator, desde o aumento das taxas de juros nos EUA ou uma guerra no Oriente Médio até uma crise na zona do euro, afirmou ele.

Eles se somam a uma lista crescente de gestores de ativos que expressam dúvidas sobre a IA, embora muitos desses executivos também afirmem que há muitas oportunidades para investidores cautelosos.

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Howard Marks, copresidente da Oaktree Capital Management, afirmou recentemente que um certo ceticismo estava surgindo em torno da IA, que ele chamou de “oportunidade de investimento superlotada”. Jody Jonsson, da Capital Group, disse que há um descompasso entre o que as empresas de IA esperam e o ritmo real de adoção.

As maiores gestoras de ativos alternativos e corretoras de valores mobiliários do mundo vêm injetando recursos na IA a um ritmo sem precedentes, apostando que a crescente demanda sustentará os retornos, mesmo enquanto alertam que a escala dessa expansão aumenta o risco de má alocação de capital. No entanto, muitos deles estão agora atentos a oscilações no mercado, após terem passado por um ano turbulento, durante o qual a alta das ações de IA foi pontuada por quedas dolorosas.

Os executivos dos bancos de Wall Street, sobrecarregados com oportunidades de negócios provenientes de hiperescaladoras desesperadas para levantar capital, estão adotando um tom mais otimista.

Ao discutir o superciclo da tecnologia, David Solomon, do Goldman Sachs Group, afirmou que “haverá solavancos no caminho”, acrescentando que as pessoas precisam descobrir como lidar com isso.

No entanto, ele acrescentou, em entrevista à Bloomberg Television, que os mercados de capitais permanecem ativos apesar da volatilidade de curto prazo, com os investidores “ainda focados na trajetória da demanda por IA e por recursos computacionais, e os mercados de capitais estão abertos e receptivos”.

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Ted Pick, diretor do Morgan Stanley, afirmou na conferência que os gastos de capital com IA poderiam atingir de US$ 10 trilhões a US$ 15 trilhões, consolidando a posição da tecnologia como a transformação econômica mais significativa desde o surgimento da internet. Ele também afirmou que há “um potencial deslocamento das necessidades não relacionadas à IA de grandes empresas”.

Esses comentários otimistas surgem no momento em que a Goldman e o Morgan Stanley assumiram os papéis principais na próxima oferta pública inicial (IPO) da Anthropic, ocupando as mesmas posições que tiveram na listagem da SpaceX, que bateu recordes ao atingir US$ 86,2 bilhões em junho.

“Parte desse ceticismo atual é provavelmente saudável”, afirmou o presidente da Blackstone, Jon Gray, também demonstrando otimismo. Ele acrescentou que a tendência mais ampla da IA aponta para mais investimentos e uma demanda substancialmente maior por capital.

“O que está acontecendo é muito impactante, e acho que subestimar os ganhos de produtividade que estão por vir e a mudança nos consumidores e nas empresas é um erro”, disse ele.

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Bill Winters, CEO do Standard Chartered, também destacou o potencial benefício durante um painel de discussão: “Estamos agora em um período de investimentos maciços, os maiores que já vimos. Mas esses investimentos maciços, acredito, vão render frutos significativos.”

Escolhendo os vencedores

Os gestores de fundos não estão predominantemente pessimistas. Mesmo aqueles que agora apontam para riscos potenciais também reconhecem as enormes oportunidades decorrentes da IA — e alguns gestores de ativos alternativos vão ainda mais longe. “Se você estiver do lado certo da operação, esta é a oportunidade de uma vida”, afirmou Bruce Flatt, CEO da Brookfield.

Flatt afirma que qualquer um que se colocar no caminho das empresas de tecnologia será esmagado. “Deixando de lado seus múltiplos, elas vão vencer”, diz ele.

Mas os alertas sobre a IA por parte de muitos gestores de ativos estão se tornando mais difíceis de ignorar. A diretora executiva da Franklin Templeton, Jenny Johnson, afirmou que o ciclo de investimentos em IA pode ter se estendido demais, apontando uma mudança estrutural na economia das maiores plataformas de tecnologia como o principal risco.

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“Estamos naquela fase do ciclo em que nos perguntamos: ‘será que fomos longe demais?’”, disse Johnson. “Acho que parte do problema, especialmente com as hiperescaladoras, é que pegaram essas grandes empresas geradoras de fluxo de caixa, que costumavam ser negócios com baixo uso de capital, e, de repente, elas passaram a ter altos gastos com investimentos (capex).”

A Pimco, que ajudou a impulsionar a alta da dívida em IA com bilhões de dólares em empréstimos em 2025, reduziu suas posições bem a tempo de evitar perdas e obter lucro, afirmaram no mês passado fontes familiarizadas com o assunto.

Com uma série de vendas oportunas, operações de hedge de taxas de juros e a decisão de não participar de emissões posteriores de títulos de IA, a Pimco conseguiu, até o momento, evitar os prejuízos de bilhões de dólares que os investidores em renda fixa enfrentam agora, depois que uma enxurrada de dívida sobrecarregou o mercado e fez os preços despencarem.

“Definitivamente, há bolhas que irão estourar”, afirmou Connaughton, da Bain. “Portanto, do nosso ponto de vista, consideramos as avaliações muito elevadas, mas a verdadeira questão em relação à IA é: você obterá retorno sobre esse valuation?”

A crescente onda de receio em relação à IA minou uma recuperação histórica das ações do setor de tecnologia, levando o Nasdaq 100 a uma correção técnica após uma queda de 10% em relação ao pico. Gigantes da tecnologia, incluindo a Oracle, a Meta e a Microsoft, traçaram um plano para emissões de títulos no valor de bilhões de dólares, destacando as enormes necessidades de financiamento do setor.

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