Bloomberg Línea — Seis anos após ser criado durante a pandemia, o Movimento União BR alcançou R$ 530 milhões captados junto à iniciativa privada para ações de resposta a desastres e prepara uma expansão da atuação para projetos de adaptação climática.
A organização reúne recursos financeiros e apoio operacional de empresas privadas e coordena sua destinação com organizações sociais e órgãos públicos responsáveis pelo atendimento às populações afetadas. Entre os parceiros, estão grandes empresas nacionais como Itaú, Itaúsa, Petrobras, Neoenergia e Gerdau.
Criado para financiar equipamentos de saúde durante a pandemia de covid-19, o União BR ampliou posteriormente sua atuação para respostas a desastres, principalmente os relacionados a eventos climáticos. Segundo a organização, cerca de 34 milhões de pessoas e 3 mil organizações já foram beneficiadas em operações como as enchentes no Rio Grande do Sul e as queimadas no Pantanal.
Agora, o foco passa a incluir projetos de adaptação climática, como a construção de infraestrutura mais resiliente, o reassentamento de famílias em áreas seguras e o desenvolvimento de protocolos de preparação para emergências, segundo a cofundadora Tatiana Monteiro de Barros.
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“As catástrofes, infelizmente, ainda vão acontecer, e vamos continuar ajudando nas emergências. Mas, para que o dano seja menor, precisamos de soluções mais criativas, com menor uso do recurso, com foco na adaptação”, afirmou a empresária em entrevista à Bloomberg Línea.
A estratégia começou a ganhar forma durante a reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024. Em vez de concentrar recursos apenas na recuperação de escolas e hospitais, a organização passou a testar projetos voltados à prevenção de novos desastres.
Em parceria com o governo estadual, prefeituras e a construtora Steel Corp, o União BR viabilizou a construção de 116 moradias em áreas fora de risco e projetadas para resistir a eventos climáticos. As primeiras unidades 50 foram entregues em fevereiro deste ano na cidade de Muçum (RS), que teve 80% do território inundado nas enchentes que devastaram o estado em 2024.
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Um modelo semelhante será replicado no Paraná. Após um tornado atingir a cidade de Rio Bonito do Iguaçu em novembro do ano passado, o União BR pretende construir outras 50 moradias com telhados projetados para suportar ventos mais intensos, novamente em parceria com a Steel Corp, o governo estadual e a Defesa Civil.
“Os recursos para reconstrução são limitados. Então, nosso foco é realizar muitos estudos para aproveitar ao máximo esse recurso e entregar um bom resultado. Mostrar que é possível construir e reconstruir de forma diferente”, disse Monteiro de Barros.
Em 2025, o União BR firmou um termo de cooperação com a Defesa Civil de São Paulo para desenvolver projetos de preparação climática. Segundo a fundadora do União BR, a organização negocia uma parceria semelhante com a Defesa Civil de Minas Gerais.
“É uma das defesas civis mais preparadas do país para emergências climáticas, com monitoramento de mais de 300 barragens”, afirmou.
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Monteiro de Barros criou o União BR ao lado da irmã, Marcella Balthar, em 2020 a partir de um grupo de WhatsApp organizado para arrecadar recursos destinados à compra de equipamentos de saúde durante a pandemia. A rede de contatos formada por empresários ajudou a estruturar as primeiras campanhas da organização.
Hoje, as atividades da organização são financiadas por contribuições recorrentes de mantenedores e também doações específicas para cada desastre.
Entre as iniciativas permanentes está um fundo pré-financiado mantido em parceria com a Zurich Santander – joint venture entre a seguradora suíça Zurich e o Santander – e a Zurich Foundation. O modelo prevê o depósito antecipado dos recursos de cada exercício para permitir respostas mais rápidas às emergências.
Neste ano, o União BR também lançou, em parceria com a BrazilFoundation, um fundo voltado à captação internacional de recursos para projetos de adaptação climática e resposta a desastres, com foco nos Estados Unidos. Segundo a organização, as doações feitas por contribuintes americanos podem ser deduzidas do imposto de renda, o que amplia o potencial de captação.
Além da atuação no Brasil, a organização afirma já ter participado de operações em cerca de 12 países, em parceria com o Itamaraty e a Agência Brasileira de Cooperação, apoiando ações em Moçambique, Ucrânia, Romênia, Paraguai, Bolívia, Chile, Peru, Espanha, Polônia, Mianmar.
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