Bloomberg — Um forte El Niño, que já está começando a afetar o clima em todo o mundo, pode fazer com que a temperatura média global mensal ultrapasse os 2 °C de aquecimento pela primeira vez desde que há registros, de acordo com projeções publicadas por um centro de pesquisa oceânica e atmosférica sediado na Universidade de Miami.
A probabilidade de que um único mês no início de 2027 ultrapasse os 2 °C atingiu 35% a 40%, afirmou Ben Kirtman, reitor da Escola Rosenstiel de Ciências Marinhas, Atmosféricas e Terrestres de Miami.
“Essa é uma probabilidade elevada”, disse ele. “É realmente elevada, e talvez seja isso que as pessoas não percebem.”
As chances de um mês ser 2 °C mais quente do que os níveis pré-industriais aumentaram significativamente nas últimas semanas, à medida que os meteorologistas elevaram suas estimativas para o atual El Niño, que provavelmente será o mais forte da história moderna.
O El Niño intenso vem somar-se a uma possível aceleração do aquecimento global que os cientistas ainda estão tentando compreender.
Este verão trouxe calor recorde e incêndios florestais graves para a Europa. Além de elevar as temperaturas, espera-se que o El Niño, que está se intensificando, agrave a seca e prejudique a produção de alimentos em algumas partes do mundo.
A primeira sugestão de que 2 °C poderia ser um limite máximo razoável para mudanças climáticas controláveis remonta a meados da década de 1970. Quatro décadas depois, quase 200 países concordaram em Paris em estabelecer essa meta para limitar as mudanças climáticas — ao mesmo tempo em que se empenham em manter o aquecimento abaixo de 1,5 °C como média de longo prazo de cerca de 20 anos.
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O mundo pode ultrapassar essa meta ambiciosa até o final desta década, de acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia.
“Os modelos climáticos prevêem com precisão o aumento da temperatura a longo prazo, mas não foram projetados para determinar a sequência exata das variações ano a ano, e nem mesmo década a década”, afirmou Kate Marvel, cientista climática e autora de . “Os últimos dois anos têm sido extremamente quentes.
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Meu palpite é que estamos reduzindo a poluição [proveniente de aerossóis que têm um efeito de resfriamento] — sendo que ‘nós’ hoje em dia significa principalmente a China — mais rapidamente do que o esperado e, portanto, revelando grande parte do aquecimento causado pelos gases de efeito estufa. Isso explica muito, mas não toda a discrepância.”
Ultrapassar 2 °C de aquecimento em um único mês, ou 1,5 °C de aquecimento no futuro previsível, pode ser em grande parte simbólico. Mas, como concluiu o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU em suas análises mais recentes, cada incremento no aquecimento altera as temperaturas, a precipitação e a umidade do solo.
“Ultrapassar esse limiar é importante, porque muito em breve estaremos medindo: quantos meses por ano estamos ultrapassando esse limite?”, disse Kirtman. “A temperatura média global não parece evoluir de maneira uniforme.”
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