Bloomberg Opinion — A primeira regra da gestão financeira é o mesmo ditado que ensinamos às crianças: não aposte todas as suas fichas. Um portfólio diversificado é o básico dos investimentos, e o mundo está agora sofrendo as consequências de ignorar esse princípio.
A guerra com o Irã mostrou o quanto nossa dependência excessiva do petróleo e do gás é prejudicial, tanto economicamente quanto militarmente. Bloquear a passagem desses combustíveis fósseis por uma estreita via navegável, o Estreito de Ormuz, permitiu que um Estado patrocinador do terrorismo causasse sérios danos às economias nacionais e aos bolsos das pessoas. As pessoas estão pagando mais para encher o tanque de gasolina, manter as luzes acesas e operar seus negócios.
Durante a maior parte da história moderna, a dependência mundial dos combustíveis fósseis era perfeitamente compreensível, já que eles eram insubstituíveis. O carvão e o petróleo deram origem à Revolução Industrial e à prosperidade moderna que ela gerou, produzindo avanços recordes nos padrões de vida.
Para alcançar esses benefícios, os governos, em sua maioria, aceitaram os terríveis custos à saúde decorrentes da queima de combustíveis fósseis. Para todos os efeitos práticos, não tínhamos escolha econômica.
Hoje, temos.
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Graças aos grandes avanços na tecnologia solar e eólica, a energia limpa agora produz eletricidade a um custo menor do que os combustíveis fósseis em praticamente todas as partes do mundo. Além disso, os rápidos avanços na tecnologia de baterias estão permitindo que a energia limpa seja utilizada mesmo quando o sol não está brilhando e o vento não está soprando.
Como resultado, a energia eólica e solar agora geram cerca de 14% da eletricidade mundial, ante menos de 1% na virada do século — e esse número continua a crescer.
Em 2025, a energia limpa representou 90% de toda a nova capacidade de geração de energia adicionada à rede global, inclusive nos EUA, apesar das políticas federais destinadas a apoiar os combustíveis fósseis e impedir o avanço da energia limpa.
Na verdade, ainda em maio os Estados Unidos alcançaram um marco histórico: pela primeira vez na história, a energia solar forneceu mais eletricidade ao país (12,8%) do que o carvão (12,2%).
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Apesar dos retrocessos em Washington e em outras capitais mundiais, a diversificação das fontes de energia está ocorrendo, mas de forma muito lenta. Choques no abastecimento de petróleo e gás ainda causam grandes perturbações econômicas.
A poluição do ar ainda mata 8 milhões de pessoas por ano e adoece outros milhões. E as mudanças climáticas causadas pelas emissões de combustíveis fósseis estão se tornando cada vez mais perigosas e prejudiciais. Se você não acredita nisso, basta acompanhar as notícias.
Nos EUA, a megasseca que afeta os estados do oeste há um quarto de século — a pior seca em 1.200 anos — está sendo impulsionada pelas emissões de gases de efeito estufa, segundo descobriram os cientistas. E este ano tem sido especialmente difícil, colocando em risco os meios de subsistência.
Nenhuma região está imune aos efeitos destrutivos das mudanças climáticas, sejam montanhas ou planícies, litorais ou desertos, pequenas cidades ou grandes metrópoles. Tempestades, inundações, incêndios e ondas de calor estão se tornando cada vez mais mortais e onerosos.
A boa notícia: podemos nos proteger melhor contra esses danos removendo os obstáculos à diversificação. Por exemplo, a criação de parcerias público-privadas pode ajudar a reduzir os custos iniciais da energia limpa. Investir em redes elétricas modernas e mais bem conectadas pode ajudar a eliminar o problema da intermitência e reduzir ainda mais os custos para os consumidores.
Acabar com políticas e subsídios que inclinam artificialmente os mercados em favor dos combustíveis fósseis pode colocar a energia limpa em condições mais equitativas.
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Para ajudar a proporcionar esses benefícios, a Bloomberg Philanthropies está lançando uma nova iniciativa para apoiar os setores de energia limpa, com foco nos países em desenvolvimento, onde as necessidades energéticas estão crescendo mais rapidamente.
Para aqueles que duvidam que o sucesso seja possível: nos últimos 15 anos, mais de 70% das usinas a carvão dos EUA fecharam, planejaram o fechamento ou migraram para a energia limpa, assim como 60% das usinas da Europa. Vinte e oito países já eliminaram totalmente o carvão ou se comprometeram a fazê-lo. Não muito tempo atrás, isso teria sido impensável.
Acelerar o desenvolvimento de opções energéticas mais baratas e limpas ajudará a melhorar nossa saúde, nos manterá longe de guerras, reduzirá as contas de energia, criará empregos com bons salários e protegerá a população dos dolorosos choques econômicos — incluindo inflação, perda de empregos e fechamento de fábricas — que têm acompanhado as escassezes periódicas de petróleo, que remontam ao embargo da Opep de 1973.
A crise energética causada pela guerra no Irã deve motivar as nações a diversificarem seus portfólios energéticos com alternativas mais limpas, incluindo a energia nuclear. A Semana de Ação Climática de Londres, que está ocorrendo neste momento, é uma oportunidade para gerar maior apoio e conscientização sobre o desafio — e os benefícios de superá-lo.
Com ações determinadas, essa crise energética pode acabar se revelando, finalmente, a chance de transferirmos mais de nossos recursos para opções melhores — mais baratas, mais saudáveis e mais seguras.
Michael R. Bloomberg é fundador e proprietário majoritário da Bloomberg LP, controladora da Bloomberg News, e Enviado Especial da ONU para Ambições e Soluções Climáticas.
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