Bloomberg — Os ricos do mundo ficaram ainda mais ricos no ano passado, com um aumento de quase 9% na riqueza detida por pessoas com pelo menos US$ 1 milhão em ativos investíveis.
A riqueza global pertencente a indivíduos de alta renda atingiu o recorde de US$ 98,3 trilhões em 2025, segundo relatório da Capgemini, empresa francesa de tecnologia e consultoria.
O valor equivale a grande parte do PIB mundial, que alcançou US$ 111 trilhões em 2024, de acordo com o Banco Mundial.
“Cem trilhões de dólares em ativos de riqueza no mundo é uma quantia enorme e impressionante e, francamente, uma grande oportunidade”, disse Jared Murphy, responsável por contas estratégicas da área de consultoria patrimonial da BlackRock nos Estados Unidos e colaborador do relatório.
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As altas das bolsas impulsionadas pelo otimismo em relação à inteligência artificial foram o principal motor da geração de riqueza, segundo o relatório. O movimento ajudou a elevar em quase 2 milhões o número de milionários no mundo, para um recorde de 25,3 milhões.
Os ativos permaneceram altamente concentrados nas mãos dos ultrarricos. Os indivíduos de patrimônio ultraelevado — definidos como pessoas com riqueza de pelo menos US$ 30 milhões — registraram o crescimento mais acelerado entre todos os segmentos de riqueza, enquanto sua população atingiu o recorde de 250 mil pessoas.
Este ano tende a acelerar ainda mais a geração de riqueza global. A aguardada oferta pública inicial da SpaceX deve criar novos milionários e bilionários e praticamente garantir que Elon Musk se torne o primeiro trilionário do mundo. Com Anthropic e OpenAI correndo para fazer suas estreias em Wall Street, os investidores mais ricos em breve poderão incluir algumas das maiores empresas de tecnologia em seus portfólios.
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“Uma coisa que observamos consistentemente em nossos relatórios é que, sempre que ocorre um evento geopolítico significativo, aquela região certamente sofre impacto em termos de riqueza”, disse Kartik Ramakrishnan, presidente-executivo da divisão de serviços financeiros da Capgemini.
Os Estados Unidos criaram mais milionários do que qualquer outro país em 2025, segundo o relatório da Capgemini. Foram 736 mil novos milionários, elevando o total para 8,7 milhões. A riqueza dos indivíduos de alta renda cresceu 10% em relação ao ano anterior.
Mas foi a região Ásia-Pacífico que registrou o maior salto na geração de riqueza. A riqueza avançou 10,5% na região, ritmo superior ao da América do Norte, à medida que a forte demanda por semicondutores impulsionou os mercados asiáticos. Japão e China lideraram esse crescimento, criando 436 mil e 154 mil milionários, respectivamente.
O cenário foi diferente no Oriente Médio, onde o número de indivíduos de alta renda recuou 1,4%, em parte devido à queda dos preços do petróleo e aos conflitos regionais. Os dados da pesquisa foram coletados antes da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que elevou os preços do petróleo e causou danos à região, provocando ondas de choque econômicas em todo o mundo.
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A população de indivíduos de alta renda na Europa cresceu 6,5% em 2025, revertendo a queda registrada anteriormente. O avanço foi atribuído ao alívio da inflação e à estabilização dos mercados acionários. Luxemburgo se destacou como um dos mercados de crescimento mais acelerado, com aumento de 13,5% na população de pessoas ricas.
Na África, a geração de riqueza foi impulsionada pela alta dos preços dos metais preciosos, e o Marrocos registrou expansão de 16,8% na população de indivíduos de alta renda. Já na América Latina, o número de milionários e bilionários cresceu apenas marginalmente.
Investimentos alternativos
As ações representavam um quarto dos portfólios dos indivíduos de alta renda em todo o mundo em janeiro de 2026, participação maior do que a registrada um ano antes.
A parcela da riqueza alocada em investimentos alternativos — incluindo commodities, criptomoedas, hedge funds e private equity — diminuiu, já que as ações negociadas em bolsa tiveram desempenho relativamente superior.
Ainda assim, dois em cada três investidores ricos afirmaram que pretendem aumentar sua exposição a private equity, segundo o relatório.
Pelo menos US$ 1,5 trilhão em novos ativos deixou de ir para instituições financeiras tradicionais entre 2022 e 2025, de acordo com o estudo.
Em vez disso, esses recursos migraram para concorrentes menos convencionais, como family offices e corretoras como a Robinhood.
À medida que a riqueza cresceu, a desigualdade de renda também aumentou, intensificando o chamado modelo de economia em “K”.
O 1% mais rico das famílias americanas detinha quase 32% de toda a riqueza dos Estados Unidos no quarto trimestre de 2025, segundo dados do Federal Reserve. Trata-se da maior participação já registrada desde o início da série histórica do Fed, em 1989.
O World Wealth Report da Capgemini reúne dados de pesquisas com gestores de patrimônio e mais de 6.500 indivíduos de alta renda em todo o mundo.
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