Bloomberg Línea — O Uruguai está se consolidando como hub financeiro na América Latina — e em particular como plataforma para canalizar fluxos de investimento de latino-americanos.
A avaliação foi compartilhada por representantes do BTG Pactual, do JPMorgan Asset Management e da Janus Henderson na Pro Capital Conference 2026, organizada pela corretora uruguaia Pro Capital em 15 de abril, no Centro de Eventos do LATU, em Montevidéu.
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Dirk Mengers, head of sales & business development para a América Latina excluindo o Brasil do BTG Pactual Asset Management, definiu o Uruguai como “a Singapura da região” e afirmou que o país é um passo natural para a expansão do maior banco de investimento da América Latina.
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O BTG Pactual está em processo de aquisição do HSBC no Uruguai — uma operação de US$ 175 milhões ainda pendente de aprovação regulatória, que consolidaria sua presença no país.
Mengers apontou que o banco percebe fragilidades nos Estados Unidos e na Europa — como crescimento dos gastos sociais e perda de confiança nas moedas locais — que tornam a América Latina um destino de investimento mais atrativo.
Juan Pablo Soffia, managing director do JPMorgan Asset Management para o Cone Sul, com 30 anos de indústria e 22 na instituição, apresentou dados do Guide to the Markets que ilustram o custo de tentar cronometrar o mercado: perder os 10 ou 20 melhores dias de negociação reduz drasticamente os retornos de longo prazo.
Sua mensagem foi direta: manter-se investido com carteiras diversificadas supera consistentemente a estratégia de tentar antecipar os movimentos do mercado.
Soffia disse que a carteira clássica 60/40 está evoluindo para uma configuração 50/30/20, que incorpora ativos alternativos como infraestrutura e dívida privada. “A diversificação não é apenas adicionar mais ativos. É alcançar uma descorrelação efetiva”, afirmou. O JPMorgan Asset Management administra US$ 4,3 trilhões globalmente, com presença em 34 países e mais de 1.500 analistas.
IA como tendência estrutural de investimento
John Davies, representante da Janus Henderson Investors no Uruguai e com 12 anos representando a gestora na região, defendeu que a inteligência artificial é uma tendência de longo prazo que os investidores deveriam acessar por meio de fundos especializados com histórico comprovado, em vez de tentar selecionar ações individuais.
Ele citou o fundo Global Technology Leaders da gestora, ativo desde 1996, como exemplo de veículo para capturar a temática sem o risco do stock picking.
Davies recomendou ignorar, na medida do possível, o ruído geopolítico e focar nas megatendências.
Sobre o conflito no Oriente Médio e seu impacto nos mercados, os três painelistas concordaram que a volatilidade gerada por notícias tende a se dissipar e que a chave está na alocação estratégica de longo prazo — não em reagir a cada manchete.
América Latina: fluxos que revalorizam a região
Mengers afirmou que o BTG está observando um fluxo global que revaloriza a América Latina e que os clientes estão se diversificando em direção à região.
Segundo ele, a aposta do banco é em ativos de “baixa obsolescência” — commodities, logística e serviços bancários — que têm caráter tangível difícil de replicar com tecnologia.
O evento contou ainda com a participação de Hernán Kazah, cofundador do Mercado Livre e co-líder da Kaszek, maior fundo de venture capital da América Latina, e de Guibert Englebienne, cofundador e presidente para a América Latina da Globant. O Bank of New York Mellon participou como parceiro estratégico do evento.
Diego Pozzi, fundador e managing partner da Pro Capital, destacou que o Uruguai capta cada vez mais fluxos de clientes argentinos e institucionais, gerando emprego e oportunidades nas áreas de gestão de ativos e estruturação financeira.
Pozzi afirmou que a Pro Capital e o Itaú são os dois destinos profissionais mais aspiracionais para jovens de finanças no Uruguai.
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