Bloomberg — Estamos na temporada de preparação para ofertas públicas iniciais (IPOs). Os recentes lançamentos e anúncios da OpenAI e de sua arquirrival Anthropic visam preparar o terreno para a abertura de capital no final de 2026 ou início de 2027; e para a OpenAI, que acaba de fechar uma rodada de financiamento de US$ 122 bilhões que a avalia em US$ 852 bilhões, tudo depende de um modelo cujo codinome é Spud.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, precisa de uma grande vitória. O ChatGPT tem perdido participação no mercado de consumo para o Gemini, do Google, enquanto seu negócio corporativo tem sido pressionado pela Anthropic, cujo serviço Claude Cowork causou um pânico no mercado de ações em janeiro.
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Altman sem dúvida adoraria lançar recursos que causassem uma agitação desse porte, mas ele tem sofrido da síndrome de Mark Zuckerberg. O fundador do Facebook tem o hábito de perseguir objetos brilhantes como o metaverso e as criptomoedas, e desperdiçar bilhões. Altman tem sido igualmente precipitado, levando o ChatGPT para o setor de compras e gastando grande parte da capacidade computacional da OpenAI na geração de vídeos para o Sora.
Alguém deve ter dito a Altman algumas verdades difíceis, a julgar por sua decisão de encerrar o gerador de vídeos Sora no mês passado e recusar um investimento de US$ 1 bilhão da Walt Disney. Foi uma boa jogada da parte dele. Altman precisava desesperadamente do tipo de foco demonstrado por Dario Amodei, CEO da Anthropic.
A tensão entre Altman e Amodei é tão grande que eles se recusaram a dar as mãos durante um momento de comemoração um tanto constrangedor recentemente, mas Altman agora parece estar seguindo o exemplo de Amodei de escolher uma área de negócios e dedicar-se a ela de forma incansável.
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Aproveitando o poder de computação que foi destinado ao Sora, o novo Spud sustentará o que a OpenAI chamou de “superapp de IA unificada”, que combinará os recursos de chat do ChatGPT com capacidades de codificação e navegação impulsionadas por inteligência artificial em um sistema que executa tarefas.
“Os usuários não querem ferramentas desconectadas”, afirmou a OpenAI em uma postagem no blog no dia 31 de março, admitindo sutilmente que, na verdade, vinha criando ferramentas desconectadas. “Eles querem um único sistema que possa entender a intenção, agir e operar entre aplicativos, dados e fluxos de trabalho.”
A ideia de um superapp é bem conhecida na Ásia, representada por serviços como o WeChat da China, onde é possível conversar, jogar, comprar coisas e acessar serviços governamentais. O também chinês Alipay combina entrega de comida, serviços financeiros e transporte.
Mas o formato não decolou no Ocidente, apesar dos esforços de Elon Musk para transformar o X em um “aplicativo para tudo”, que, segundo ele em 2023, permitiria aos usuários se comunicar e conduzir todo o seu “mundo financeiro”.
Isso não deu certo para o X, em parte porque os consumidores americanos e europeus têm hábitos profundamente arraigados em usar aplicativos específicos para coisas específicas.
Isso pode representar alguns riscos para as ambições da OpenAI em relação a um superapp, sem falar no fato de que a empresa pode ser superada pelo lançamento, pela Anthropic, de um novo modelo cujo codinome é Capybara.
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Altman poderia aumentar suas chances se aproveitasse sua recente aquisição da OpenClaw — uma desenvolvedora de agentes de IA — e tentasse imitar o Claude Cowork, o novo aplicativo de desktop da Anthropic capaz de conversar, programar, responder às mensagens de LinkedIn de uma pessoa e operar seu computador. Esse sistema recebeu críticas entusiásticas entre programadores e profissionais de tecnologia.
Mas a Anthropic tem pontos fracos — incluindo um que Altman poderia explorar. A startup ainda não consegue superar a vantagem de distribuição de uma gigante como a Microsoft, parceira da OpenAI: três quartos das empresas da Fortune 500 usam o Microsoft 365 como sua principal ferramenta de produtividade, que agora inclui o Copilot, o assistente de IA empresarial da empresa, por padrão.
Um melhor uso do tempo de Altman e um foco renovado seriam reparar seu relacionamento tenso com a Microsoft, que detém 27% do braço com fins lucrativos da OpenAI, mas com quem a empresa entrou em conflito no último ano por causa de produtos concorrentes e dos enormes custos financeiros e computacionais do desenvolvimento de IA.
Ele deveria tratar a gigante de software menos como uma máquina de fazer dinheiro e mais como uma parceira de produto, cuja enorme vantagem de distribuição a OpenAI já explora por meio da divisão de receitas.
Os 900 milhões de usuários semanais do ChatGPT podem ofuscar os 450 milhões de usuários das ferramentas do Microsoft 365, mas a base de consumidores da OpenAI representa um custo computacional enorme, enquanto os clientes corporativos da Microsoft oferecem um caminho para os lucros.
A OpenAI informou na semana passada que gerava US$ 2 bilhões em receita por mês, mas não revelou quanto perdia. A empresa espera gastar US$ 115 bilhões em caixa até 2029.
Uma reclamação que ouvi sobre o Copilot é que sua interface de usuário varia entre consumidores e usuários corporativos, sem dúvida resultado da estrutura bizantina de silos corporativos da Microsoft, e que uma interface única e coesa melhoraria sua reputação.
É claro que isso não é da alçada de Altman. “É 100% tarefa de Satya entender o Copilot”, diz David Rainville, gerente-chefe da Sycomore Sustainable Tech, referindo-se ao CEO da Microsoft, Satya Nadella. Mas as equipes de Altman poderiam colaborar mais estreitamente para transformar o Copilot em uma ferramenta que atue como um agente de IA tão bem quanto o Claude Cowork.
O fato de a Microsoft ter começado recentemente a usar o Claude, da Anthropic, no Copilot não ajuda em nada o relacionamento entre as duas empresas; isso não só permite que sua tecnologia autônoma execute tarefas de várias etapas, como agendar reuniões e preparar relatórios, mas também verifica as respostas do modelo GPT da OpenAI antes que elas cheguem aos usuários. Essa é uma lacuna evidente e embaraçosa que a OpenAI deveria estar tentando resolver.
O Spud pode ser um novo modelo impressionante, mas a experiência do usuário, o foco e a execução estão se mostrando mais importantes do que os benchmarks científicos, especialmente à medida que os clientes empresariais lutam para integrar a IA em seus sistemas.
A Microsoft está excepcionalmente bem posicionada para construir essas conexões e, embora as ambições de Altman em relação a um superapp sejam admiráveis, ele poderia ter um caminho mais bem-sucedido para uma IPO se trabalhasse mais estreitamente com seu parceiro.
Esta coluna reflete as opiniões pessoais do autor e não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.
Parmy Olson é colunista da Bloomberg Opinion e escreve sobre tecnologia. Já escreveu para o Wall Street Journal e a Forbes e é autora de “We Are Anonymous.”
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