Terminal BTG Pactual, em Guarulhos, amplia capacidade com aposta na altíssima renda

Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO da operação, Fábio Camargo, conta como a demanda acima do previsto redesenhou o modelo do terminal, um ano após a inauguração; local terá um novo chef estrelado responsável pela gastronomia e uma loja Duty Free exclusiva

Terminal BTG Pactual em Guarulhos
11 de Março, 2026 | 06:00 AM
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Bloomberg Línea — O Terminal BTG Pactual, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, completou seu primeiro ano de operação com demanda acima do projetado, uma fila de espera de “muitos anos” para o seu plano de acesso ilimitado e a perspectiva de abertura em breve de uma loja Duty Free com seleção própria, segundo o CEO da operação, Fábio Camargo.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo afirmou que a capacidade de embarque subiu de 14 para 20 passageiros por hora e, somado ao desembarque, o terminal processa hoje 34 movimentos por hora, impulsionado pela procura de passageiros de altíssima renda.

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O terminal consolidou também um segmento de conexão entre aviação executiva e voos comerciais internacionais: passageiros com jatinhos de autonomia para voos domésticos chegam ao terminal de luxo de Guarulhos e fazem a conexão com voos de longas distâncias, em primeira classe ou executiva.

Segundo ele, entre 30% e 40% dos viajantes vêm de fora da capital paulista, com destaque para Mato Grosso, Campo Grande e a região de Balneário Camboriú.

“As pessoas que são nossos clientes não querem mais embarcar por outro lugar”, disse o CEO, revelando pela primeira vez os números da operação que ainda não eram públicos.

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Operado pela AESA (Aero Empreendimentos S.A.), empresa investida por um fundo de participação (FIP) gerido pelo BTG, o terminal foi inaugurado em dezembro de 2024 e opera com dois tipos de modalidades.

Na primeira, os passageiros pagam tarifas pelo uso, que vão de US$ 350 para voos domésticos a US$ 590 em voos internacionais. Na segunda, é possível optar por um dos planos “membership” que oferecem de três a 20 créditos de acesso para utilização do terminal e custam de US$ 2.000 a US$ 10.000, de acordo com o seu site.

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Há ainda um plano All Access, categoria de acesso ilimitado, que tem cotas restritas e atualmente conta com uma fila de espera, segundo Camargo.

Os planos de membership não existiam na abertura do terminal e foram criados depois que a operação revelou um padrão de recorrência. Segundo o CEO, na terceira utilização, em média, o viajante ocasional opta por adquirir um dos planos de membro. Fevereiro de 2026 registrou o maior número de novos usuários desde a abertura.

“Abrimos há um ano, ainda é um terminal novo. Há muita gente que não conhece”, disse Camargo.

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Fábio Camargo, CEO do Terminal BTG Pactual

A carteira de companhias aéreas parceiras do terminal tem crescido e chegou a 22 com a incorporação recente da Qatar Airways e da TAAG.

Uma ausência é a Azul, que concluiu em fevereiro a saída do Chapter 11 e está temporariamente fora da lista de parceiros. Camargo não citou a companhia pelo nome, mas afirmou que o terminal mantém negociações para a retomada e que os próprios clientes pressionam pela volta.

Procurada, a Azul confirmou à Bloomberg Línea que a companhia não possui parceria com o terminal do BTG Pactual em Guarulhos e lembrou que a empresa tem seu principal hub em São Paulo no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP).

Expansão e novos planos

A segunda fase de expansão do terminal foi entregue em 18 de fevereiro, com término das obras de áreas internas do prédio principal.

O investimento contemplou duas novas cozinhas, identificadas por Camargo como o principal gargalo operacional do primeiro ano, e abre caminho para a principal mudança de curadoria do terminal.

Com a infraestrutura ampliada, o terminal substituiu o chef Ivan Ralston, do restaurante Tuju, pelo chef Alberto Landgraf, do Oteque, que figura em 38º lugar no ranking Latin America’s 50 Best Restaurants 2025. Os dois carregam uma estrela Michelin cada. Landgraf, que comanda o restaurante do Rio de Janeiro, assume a curadoria gastronômica em junho e retorna a São Paulo após dez anos.

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A troca foi descrita por Camargo como parte de uma lógica de “curadoria contínua”, necessária diante da alta taxa de recorrência dos passageiros. “O público retorna e a experiência precisa acompanhar esse movimento”, disse o CEO.

Outra novidade é uma nova loja Duty Free. Em fase final de obras, a operação será administrada pela Dufry, já presente em Guarulhos, mas com um portfólio distinto do padrão do aeroporto internacional, com uma seleção de produtos desenhada para o perfil dos membros, pré-venda e sistema de encomenda, segundo Camargo.

A negociação levou mais tempo do que o previsto, de acordo com o CEO, que não divulgou data de abertura.

Terminal BTG Pactual

O terminal estuda ainda a possibilidade de instalação de um spa permanente, depois de uma experiência bem-sucedia no outono do ano passado. Em parceria com a Swiss International Air Lines e o governo suíço, o jardim central foi aberto ao público, em uma das raras áreas ao ar livre em um aeroporto internacional, segundo o executivo, e onde foi instalado um spa temporário.

A construção do Terminal BTG Pactual foi viabilizada por meio da Secretaria de Aviação Civil, em um contrato de 40 anos, com participação também da Receita Federal, da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e da concessionária GRU Airport, o que permitiu a construção do modelo sem fricção regulatória.

Limitá-lo ao horizonte da relicitação da GRU, prevista entre 2032 e 2034, inviabilizaria o investimento, avaliou o executivo. Quem vencer a relicitação herda o terminal como ativo consolidado.

De acordo com Camargo, representantes dos terminais de Los Angeles, Paris e Frankfurt vieram ao país conhecer a operação. “Queríamos fazer um terminal brasileiro e levar isso para o mundo. Ver esse reconhecimento internacional foi muito legal”, disse o CEO.

Ecossistema de luxo do BTG

O terminal em Guarulhos não é um projeto isolado. Ele integra um movimento mais amplo do BTG Pactual, sob o comando do CEO Roberto Sallouti, para construir presença no consumo de alta renda para além das finanças.

O banco opera o cartão Ultrablue, voltado ao segmento de altíssima renda, e adquiriu em 2024 a Sertrading, uma das maiores empresas de comércio exterior do Brasil, com atuação em aviação executiva, jatinhos e helicópteros, e na náutica de luxo.

A estrutura societária do Terminal é separada do banco. Mas há descontos para clientes com cartão BTG, e a exposição à marca ao longo das visitas recorrentes busca uma conversão orgânica para produtos financeiros do banco, incluindo investimentos.

O movimento tem paralelo no mercado imobiliário. A JHSF (JHSF3), controlada por José Auriemo Neto, conhecido como Zeco Auriemo, e comandada pelo CEO Augusto Martins, ancora o cliente em ativos próprios: imóvel, shopping, aeroporto privado, por meio do aeroporto Catarina, destinado à aviação executiva.

Para Camargo, do Terminal BTG Pactual, o público das duas companhias se sobrepõe, uma vez que os passageiros que chegam a Guarulhos em jatinhos buscam se conectar a voos de longa distância.

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