Bloomberg — A venda de ações de empresas brasileiras deve crescer pelo segundo ano consecutivo em 2026, segundo alguns dos principais banqueiros de investimento, mesmo com as eleições presidenciais de outubro alimentando a volatilidade do mercado.
A causa principal será o tão aguardado corte nas taxas de juros pelo Banco Central, que deve começar em março e persuadir investidores a migrarem de títulos para ações. Somando-se ao otimismo estão os fundos estrangeiros que se deslocam para mercados emergentes e se afastam de ativos americanos.
“Nossa própria estimativa é que terminaremos o ano com taxas de juros em 11,5%, ante 15% hoje, o que representa uma compressão significativa que beneficiará a economia”, disse Alessandro Zema, country head do Brasil do Morgan Stanley, em entrevista à Bloomberg News.
“Há também a expectativa de que algum tipo de ajuste fiscal ocorra em 2027”, outro fator positivo para o mercado, disse Zema.
Leia também: ‘Sonhamos grande sempre, mas executamos passo a passo’, diz CEO do PicPay após IPO
O ano já começou bem. O PicPay (PICS), fintech controlada pela bilionária família Batista, captou US$ 434 milhões em uma oferta pública inicial nos Estados Unidos na semana passada, na primeira estreia significativa de uma empresa brasileira na bolsa em mais de quatro anos.

A empresa recebeu pedidos para cerca de 12 vezes o número de ações disponíveis, com interesse de investidores dos setores de tecnologia, fintech e mercados emergentes.
O Agibank, outra fintech brasileira, deve realizar seu IPO nos Estados Unidos em 10 de fevereiro, visando um valor de mercado de aproximadamente US$ 3,3 bilhões no topo da faixa de preço sugerida.
No lançamento da oferta na semana passada, a demanda já era 4,5 vezes maior que o número de ações oferecidas, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto que falou com a Bloomberg News.
A incorporadora Moura Dubeux Engenharia, agora sob a marca MDNE (MDNE3), vendeu R$ 483 milhões em uma oferta adicional de ações na bolsa brasileira no mês passado.
As empresas do setor imobiliário são algumas das que mais se beneficiarão com a queda das taxas de juros e serão as candidatas mais prováveis para ofertas de ações nos mercados locais, disse Bruno Boetger, vice-presidente executivo do Bradesco. Ele também citou construtoras, shoppings e empresas de varejo.
“Estamos vendo, neste momento, cinco candidatas para realizar ofertas adicionais de ações, e acredito que possam surgir outras cinco”, disse Boetger.
Mas os mercados locais ainda não estão prontos para um IPO. As empresas precisariam primeiro de um corte na taxa de juros pelo Banco Central, disse Boetger.
“Então, em março, veremos, e talvez haja uma janela no final do primeiro semestre do ano, talvez outra após as eleições presidenciais de outubro”, disse ele.
Leia também: Plano de IPO do Agibank tem revés com suspensão de novo crédito do INSS, dizem fontes
O total de ofertas de ações no Brasil atingiu R$ 35,8 bilhões em 2025, um aumento de 22% em relação a 2024, segundo dados compilados pela Bloomberg. Ainda assim, o valor está bem longe do recorde de R$ 139,4 bilhões em 2021.
“Não vamos voltar ao volume de emissões que vimos em 2019, 2020 ou 2021, mas certamente veremos mais atividade no mercado de capitais brasileiro este ano”, disse Zema, do Morgan Stanley.

Cristiano Guimarães, responsável pelo banco de investimento e corporativo do Itaú BBA, concorda. “Acho que será melhor do que no ano passado, e podemos até ter alguns IPOs locais, especialmente do setor de infraestrutura”, disse ele, acrescentando que “são empresas de porte considerável, com receita estável e que precisam de capital”.
A empresa brasileira de saneamento Aegea está trabalhando com o BTG Pactual, o Itaú BBA e o Morgan Stanley para um possível IPO em 2026, disseram pessoas familiarizadas com o assunto no ano passado.
A empresa de serviços de água BRK Ambiental, pertencente à Brookfield Asset Management, protocolou no ano passado um pedido de IPO que deve ocorrer em 2026.
“Estamos vivendo um período no qual não precisamos nos preocupar apenas com o que acontece no Brasil, mas também com o que acontece globalmente, e isso torna o mercado um pouco mais volátil”, disse Guimarães.
Mas o Brasil está se beneficiando da migração de investidores dos EUA para mercados emergentes, disse ele. O ingresso líquido de capital estrangeiro na Bolsa de Valores do Brasil em janeiro atingiu o total de R$ 26,3 bilhões, mais do que o volume de todo o ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg.
“Investidores internacionais estão vindo para o Brasil, e pequenas quantias em dólares para eles representam enormes fluxos de entrada para nós”, disse Guimarães.
Veja mais em Bloomberg.com
Leia também
‘Don’t fight the flow’: CEO da Alpha Key vê desafio de valuation com rali na bolsa
Wall Street se prepara para a semana mais movimentada de IPOs desde 2021
CEO da Vale Base Metals diz que mira IPO da unidade até 2027 ou antes
© 2026 Bloomberg L.P.








