UBS vê espaço para novos recordes no Ibovespa e aponta ‘bom ponto de entrada’

Na Latin America Investment Conference, em São Paulo, heads de investimento apontam múltiplos abaixo da média histórica e potenciais novos catalisadores como queda dos juros; risco fiscal e falta de confiança do mercado na área são pontos de atenção

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27 de Janeiro, 2026 | 06:54 PM

Bloomberg Línea — O UBS avalia que ainda há espaço para valorização na bolsa brasileira, mesmo com a alta expressiva neste início do ano que colocou o Ibovespa na máxima histórica, acima dos 181.000 pontos.

Gestores e estrategistas do banco de investimento acreditam que a aposta no mercado brasileiro se fortalece pela comparação de múltiplos.

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O MSCI Brasil negocia de 8 a 9 vezes em preço/lucro, patamar “muito inferior” à média histórica do próprio índice brasileiro e dos mercados emergentes, segundo ressaltou Alejo Czerwonko, CIO (Chief Investment Officer) para mercados emergentes nas Américas do UBS Global Wealth Management (GWM).

“Poucos mercados acionários no mundo podem ser classificados como baratos atualmente. Ninguém diria que as ações americanas estão baratas, ou mesmo que mercados emergentes no agregado estão baratos. O Brasil ainda parece barato para nós”, disse Czerwonko a jornalistas durante a Latin America Investment Conference (LAIC), realizado pelo UBS BB nesta terça-feira (27), em São Paulo.

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Segundo o CIO, a oportunidade de compra é corroborada pelos números. Nos cálculos do UBS, as ações brasileiras subiram cerca de 50% em dólar em 2025, superando amplamente os mercados emergentes, que avançaram 35% no período.

O Ibovespa saltou 34% em reais no acumulado do ano passado - e já avança 13% apenas no mês de janeiro, aproveitando o fluxo de capital estrangeiro em busca de diversificação diante da retomada da estratégia geopolítica agressiva de Donald Trump nos Estados Unidos.

Ainda não está claro por quanto tempo o movimento de diversificação irá impulsionar a bolsa local, mas especialistas do UBS enxergam gatilhos domésticos que podem ampliar esse movimento.

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“Ainda vemos potencial para upside [na bolsa brasileira]. Acreditamos que uma potencial queda de juros pode impulsionar outra ‘pernada’ do índice. Ainda é preciso ver o impacto eleitoral, mas por enquanto estamos muito construtivos na tese”, afirmou Ulrike Hoffmann, CIO para Américas e chefe global de ações no UBS GWM.

Arend Kapteyn, economista-chefe do UBS Global, acrescentou que enxerga o momento como um bom ponto de entrada para o investidor diante do potencial de queda de juros na economia brasileira.

“A moeda está relativamente barata e a taxa de juro está muito alta. Portanto, assim que o Banco Central começar a cortar a Selic, isso será uma mina de ouro para o mercado de ações”, afirmou.

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A projeção da UBS é de cortes de 200 pontos-base na Selic antes das eleições presidenciais deste ano, e novos cortes entre 500 a 600 pontos adicionais após a definição do novo governo – a depender da capacidade do eleito de restaurar a confiança fiscal.

A taxa está atualmente no patamar de 15,00% ao ano.

Quadro fiscal como ressalva

Apesar do otimismo, Kapteyn destacou que o Brasil segue um “sério problema de sustentabilidade da dívida”, que entra como ressalva para a tese de investimento.

Com juros reais na casa de 10% ao ano, a dinâmica da dívida brasileira poderia superar Grécia e Índia em endividamento na próxima década.

No entanto a crise está mais atrelada à falta de confiança do que à necessidade de um enorme ajuste fiscal, na avaliação do economista.

Kapteyn disse acreditar que, se o mercado for convencido de que a política fiscal será responsável, as expectativas de inflação permanecerão ancoradas, permitindo ao Banco Central cortar juros e, assim, aliviar o cenário fiscal.

“A maior parte da dinâmica adversa da dívida vem da taxa de juros elevada”, avaliou.

“É um problema de equilíbrios múltiplos, porque agora essa confiança não parece estar presente. Por isso a eleição é muito importante.”

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