Bloomberg — Os americanos de alta renda têm buscado cada vez mais imóveis capazes de acomodar famílias extensas, segundo o relatório Luxury Outlook 2026, da Sotheby’s International Realty.
Millennials e integrantes da geração X lideram esse movimento, ao procurar casas que funcionem tanto para filhos pequenos quanto para pais idosos.
Bradley Nelson, diretor global de marketing da empresa, liderou a elaboração do relatório. Segundo ele, quase uma em cada cinco compras de imóveis nos Estados Unidos é feita por compradores que planejam morar com parentes além do núcleo familiar imediato, incluindo avós que, em alguns casos, ajudam a financiar a aquisição.
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Nelson afirma que compradores de alta renda priorizam características como casas de hóspedes e apartamentos totalmente independentes em suas buscas.
Em cidades como Nova York e Miami, há demanda por apartamentos contíguos que possam ser integrados para criar espaços multigeracionais. Mas, segundo ele, a tendência vai além de reformas e já influencia o que arquitetos e incorporadores vêm projetando em novos empreendimentos.
Isso inclui o aumento do número de suítes em um mesmo imóvel. Além de banheiros privativos, esses dormitórios têm sido cada vez mais projetados com pequenas salas de estar ou áreas de escritório, oferecendo privacidade em relação ao restante da família.
“Esses pequenos detalhes criam uma sensação de igualdade entre diferentes gerações que decidiram comprar um imóvel juntas”, diz Nelson.
Nem tudo isso é impulsionado apenas pela generosidade dos baby boomers. John Young, consultor imobiliário global da Golden Gate Sotheby’s International Realty, com sede na Califórnia, afirma no relatório que tem observado essa tendência de moradia multigeracional entre clientes em Palo Alto e no Vale do Silício.
“Eles talvez tenham filhos pequenos e estejam em condições de proporcionar uma vida melhor aos pais, que os ajudaram a chegar onde estão”, escreveu.
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A convivência multigeracional assume diferentes formatos. Para algumas famílias, envolve o compartilhamento permanente de áreas comuns, facilitando o cuidado com crianças ou idosos.
Para outras, significa dividir uma casa de veraneio por algumas semanas ao ano — um chalé de esqui em Aspen, no Colorado, ou uma casa de praia nos Hamptons, em Long Island, Nova York, onde a família se reúne durante o verão.
Nelson afirma que essa mudança ocorre em um contexto no qual os mais ricos possuem um número maior de imóveis de alto padrão em diferentes partes do mundo.
Em 2025, apenas 51% dos compradores do segmento de luxo adquiriram uma residência principal, segundo o relatório. “Os imóveis deixaram de ser decisões isoladas e passaram a fazer parte de um portfólio mais amplo”, afirma.
A seguir, três outras tendências destacadas no Luxury Outlook 2026 da Sotheby’s International Realty:
Privacidade é prioridade
Segundo o relatório, as principais preocupações dos compradores de imóveis de alto padrão são privacidade e segurança — mesmo com a queda da criminalidade em muitos mercados.
Nos Estados Unidos, os furtos a residências diminuíram 68% nas últimas três décadas, de acordo com dados do FBI. Ainda assim, o gasto global com segurança residencial inteligente deve alcançar US$ 39 bilhões até 2029, segundo relatório de julho de 2025 da empresa de pesquisa de mercado Statista.
Nick Damianos, consultor imobiliário global da Bahamas Sotheby’s International Realty, afirma no relatório que preocupações com privacidade podem complicar até propriedades aparentemente ideais, como refúgios em ilhas privadas.
“Celebridades muitas vezes se sentem seguras em ilhas, porque são alguns dos poucos lugares no mundo onde podem ter certeza de que não serão incomodadas”, escreveu Damianos. “Mas uma ilha pode ser mais difícil de proteger do que uma casa em um condomínio fechado.”
Nova York continua sendo Nova York
“Existe uma confiança de longo prazo na cidade de Nova York”, afirma Nelson, acrescentando que o ritmo de vendas observado em 2025 foi bastante robusto, apesar do barulho em torno de uma suposta saída de moradores ricos após a eleição do prefeito socialista democrático Zohran Mamdani. (As vendas de apartamentos de luxo aumentaram após sua vitória.)
Nelson cita políticas mais rígidas de retorno ao trabalho presencial em grandes empresas, além do que descreve como um “investimento sísmico” em imóveis comerciais, como o novo edifício-sede do JPMorgan Chase, avaliado em US$ 4 bilhões.
Negócios de alto padrão continuam sendo fechados. Nelson aponta a venda de uma cobertura no West Village por US$ 87,5 milhões — com conclusão prevista para cerca de 2027, após o término da construção — como evidência da renovada confiança na cidade. A transação deve estabelecer um recorde para o sul de Manhattan.
“Sou um grande defensor da ideia de nunca apostar contra Nova York”, acrescenta Nelson.
Um mercado imobiliário em dois níveis
O relatório sugere que corretores que vendem imóveis com preços a partir de US$ 10 milhões são os mais otimistas, com o topo do mercado apresentando desempenho superior ao do setor imobiliário como um todo.
O segmento intermediário mostra um cenário mais incerto. Isso ocorre em um momento em que o CEO da plataforma de anúncios imobiliários Zillow prevê um ano fraco para o mercado habitacional dos Estados Unidos.
Compradores de alta renda estão menos expostos a fatores macroeconômicos, afirma Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics, citado no relatório da Sotheby’s. “Na faixa mais baixa do mercado de luxo, os compradores de imóveis são um pouco mais sensíveis ao patrimônio total e ao desempenho do mercado acionário”, segundo Zandi.
Ainda assim, os fundamentos financeiros do consumidor de luxo permanecem sólidos, diz Nelson: “Uma das referências que citamos é uma teleconferência de resultados da Delta Airlines. Eles comentaram como estão reconfigurando os aviões para oferecer mais assentos premium.”
É semelhante ao que ocorre na aviação, onde as classes dianteiras das aeronaves enchem mais rápido do que a econômica — no mercado imobiliário de luxo, a demanda também é maior, afirma ele.
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