Bloomberg Línea — O BTG Pactual concluiu a aquisição do M.Y. Safra e passou a operar com licença bancária nos Estados Unidos, um movimento que marca um novo estágio na estratégia de internacionalização do banco brasileiro.
A transação, anunciada em junho de 2024, recebeu todas as aprovações regulatórias necessárias, incluindo do Federal Reserve Board, segundo informou o BTG Pactual em comunicado divulgado nesta segunda-feira (5).
Com a conclusão do processo, o M.Y. Safra Bank passa a se chamar BTG Pactual Bank, N.A. A mudança permite ao BTG Pactual (BPAC11) captar depósitos e conceder empréstimos diretamente nos Estados Unidos, além de ampliar e complementar o portfólio de produtos de investimento já oferecidos no país por meio de suas operações de corretora e gestão de recursos.
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O negócio coloca o BTG Pactual, liderado pelo CEO, Roberto Sallouti, e pelo presidente do conselho e sócio sênior, André Esteves, em um grupo de instituições estrangeiras com presença bancária plena no maior mercado financeiro do mundo - e isso em um momento em que fintechs e outros grupos financeiros também buscam licenças para atuar como banco nos Estados Unidos.
O Nubank, por exemplo, entrou no ano passado com pedido de licença bancária no país como parte de sua estratégia de internacionalização.
O fundador e CEO do banco digital, David Vélez, afirmou em entrevistas que a chegada efetiva da operação bancária do Nubank aos Estados Unidos pode levar alguns anos, diante da complexidade regulatória e operacional envolvida.
O BTG Pactual já mantinha presença nos Estados Unidos havia mais de 15 anos, com operações de investment banking, gestão de recursos e corretagem, além de escritórios em Nova York e Miami.
O grupo soma atualmente mais de 280 profissionais no país, número que vinha sendo ampliado, segundo executivos, para sustentar o crescimento dos negócios de wealth e banking internacional.
Fundado em 2013, em Nova York, o M.Y. Safra atuava principalmente nos segmentos de private banking e financiamento imobiliário residencial e comercial.
Ao fim de março de 2024, o banco tinha US$ 404 milhões em ativos totais, uma carteira de crédito de US$ 275 milhões e patrimônio líquido de cerca de US$ 46 milhões.
A instituição não tem qualquer vínculo com o Grupo J. Safra, no Brasil ou no exterior.
A presidência e o comando executivo do BTG Pactual Bank ficarão a cargo de Kathleen Romagnano, que se junta ao grupo vinda do M.Y. Safra Bank.
Segundo a executiva, a transição deve ocorrer de forma gradual, de forma a assegurar a continuidade no atendimento aos clientes e o acesso a uma gama mais ampla de produtos e serviços sob a nova estrutura.
Em entrevistas à Bloomberg Línea em 2025, executivos do BTG Pactual detalharam que a obtenção da licença bancária nos Estados Unidos era vista internamente como um passo central da estratégia de internacionalização do grupo.
Na ocasião, Marcelo Flora, sócio e diretor responsável pela área de Digital e Banking, afirmou que a licença permitiria ao banco acessar funding local competitivo, abrindo espaço para ampliar significativamente a gama de produtos oferecidos no mercado americano.
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De acordo com executivos do BTG, a operação bancária viabiliza a captação de recursos por meio de certificados de depósito (CDs), instrumento semelhante ao CDB no Brasil, além da oferta de serviços como contas correntes, contas de poupança, cartões de crédito e financiamento imobiliário.
A expectativa era evoluir rapidamente de uma atuação focada em investimentos para um modelo de relacionamento bancário mais completo.
Ainda segundo os executivos, a licença bancária representa o “last mile” — a última milha — de uma estratégia iniciada em novembro de 2023, quando o BTG lançou sua plataforma de contas globais nos Estados Unidos.
Desde então, o banco ampliou gradualmente a oferta, começando por ações, ETFs e fundos imobiliários americanos, incluindo posteriormente fundos de investimento e, mais recentemente, produtos de renda fixa.
Executivos também explicaram que a estrutura bancária nos Estados Unidos permitirá internalizar parte das operações que hoje dependem de parceiros locais no modelo de broker dealer, aumentando o controle sobre a experiência do cliente e criando espaço para ganhos operacionais e de margem.
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