O fundador desta empresa tech latina explica por que não tem pressa para um IPO

Em entrevista à Bloomberg Línea no South by Southwest, Nacho De Marco, cofundador da BairesDev, disse que a operação cresce sem necessidade de capital externo

Nacho De Marco, cofundador e CEO da BairesDev - Foto: Divulgação
16 de Março, 2024 | 10:23 AM

Bloomberg Línea — A empresa de desenvolvimento de software BairesDev, fundada na Argentina em 2009, caminha para se tornar uma companhia de capital aberto em um horizonte de cinco a dez anos, de acordo o CEO e cofundador, Nacho De Marco, embora ele avalie que o momento atual não seja o mais propício para uma oferta inicial de ações.

“Provavelmente iremos abrir o capital quando chegar a hora. O plano é fazer isso apenas se isso ajudar nossos clientes ou funcionários. Não acho que vamos abrir o capital apenas por abrir, porque realmente não há pressão externa, o que significa que é uma empresa saudável crescendo”, disse De Marco em entrevista à Bloomberg Línea em paralelo ao festival South by Southwest (SXSW) em Austin, nos Estados Unidos. Hoje, a sede da BairesDev está na Califórnia.

O CEO enfatizou que a BairesDev é uma empresa que cresceu sem a necessidade de financiamento externo e destacou que esse modelo permite focar em seus clientes e funcionários, sem a pressão típica de investidores externos.

“Somos donos de 100% da empresa. Vender ou abrir o capital provavelmente não seria necessariamente uma boa ideia hoje, especialmente como está o mercado. Mas, dito isso, há sempre uma possibilidade. Se eu tivesse que apostar qual será o resultado, meu palpite é que nos próximos 5 a 10 anos provavelmente seremos uma empresa de capital aberto”, afirmou.

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Caso a BairesDev decida pela abertura de capital, ela poderia se juntar ao grupo de empresas da América Latina do setor de tecnologia que fizeram IPOs (ofertas públicas iniciais, na sigla em inglês) na última década, entre elas a também argentina Globant e as brasileiras Locaweb e Vtex.

Salários competitivos

O CEO comentou sobre como as diferenças econômicas entre os países latino-americanos se refletem na remuneração paga aos funcionários.

“Se pegarmos o salário médio da maioria dos nossos funcionários e colocarmos na população do respectivo país, vamos descobrir que geralmente está entre 1% a 3% dos que ganham mais”, disse.

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O CEO disse que há uma abundância de talentos em IA na América Latina, mas ressaltou que a adoção de IA por empresas latino-americanas ainda está atrás do visto em outras regiões, o que representa um desafio para o aproveitamento total desse talento.

“Começamos a trabalhar com um IA há muitos anos, antes mesmo de o ChatGPT existir. O talento está aí, mas não há muitas empresas que usam IA na América Latina. O problema que vejo hoje é que a América Latina ainda está um pouco atrasada quando se trata de empresas ue usam um IA.”

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Isabela  Fleischmann

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups