Em janeiro, a Tesla abandonou sua meta de crescimento anual de 50%
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Bloomberg Opinion — O ano de 2024 está sendo ruim até agora para a Tesla (TSLA)? Bem, suas ações caíram mais que as da Boeing (BA) e se tornaram as de pior desempenho no índice S&P 500.

Estamos a mais ou menos duas semanas do final do primeiro trimestre e, embora as portas dos veículos da Tesla não estejam se soltando, a empresa também está passando por problemas.

Por mais que as vendas de veículos elétricos ainda cresçam em um ritmo saudável, elas estão desacelerando nos Estados Unidos e ao redor do globo. Na China, o maior mercado de elétricos do mundo, as vendas da Tesla aumentaram nos dois primeiros meses do ano, mas enfrentam agora um mercado competitivo em que a rival BYD (BYD) passou a vender um modelo com preço inferior a US$ 10.000.

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Além disso, as vendas da fábrica da Tesla em Xangai, incluindo as exportações, caíram, de forma geral, 6% em relação ao ano anterior, o que sugere uma demanda lenta em outros mercados estrangeiros.

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O fechamento temporário da fábrica perto de Berlim devido a um corte de energia possivelmente relacionado a um incêndio criminoso também não ajudou.

Enquanto isso, acompanhar as publicações do CEO Elon Musk em sua plataforma de mídia social, X, antigo Twitter, surgiu como o pior trabalho em tempo integral do mundo; uma distração crescente para ele e um possível impedimento para os clientes.

Em janeiro, a Tesla abandonou sua meta de crescimento anual de 50%, o que é problemático quando o argumento de venda se concentra no fato de a empresa dominar o mundo.

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Tendo sido apontada como membro das chamadas Magnificent Seven (“Sete Magníficas”, em tradução livre) – um grupo de ações responsáveis por levar o S&P 500 a recordes de alta – a montadora agora é claramente uma exceção da pior maneira possível.

Apesar de ser a ação com pior desempenho este ano e a única com previsão de redução dos lucros nos próximos 12 meses, ela é, de longe, a mais cara do grupo.

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Fazer com que empresas como a Nvidia (NVDA) pareçam baratas é um tipo perverso de conquista. Fazer isso com as montadoras tradicionais é, em contraste, uma tarefa fácil. Apesar da queda, o valor de mercado da Tesla ainda é praticamente o mesmo da Toyota, Mercedes-Benz e BMW juntas.

Além de seu potencial de crescimento – agora um pouco incerto – as altas margens de lucro da companhia foram apontadas como justificativa para isso. No entanto, depois de mais ou menos um ano de uma guerra de preços de veículos elétricos, essas margens também parecem mornas.

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O crescimento da Tesla diminuiu, apesar de mais de um ano de sucessivos cortes de preços. Os analistas preveem que as entregas de veículos caiam neste trimestre em comparação com o anterior e que aumentem apenas 11% na base anual.

Embora eles esperem que as entregas trimestrais atinjam o nível de meio milhão a partir do segundo trimestre, isso ainda implicaria um crescimento anual de apenas 14%.

Na quarta-feira (13), Colin Langan, analista do Wells Fargo, foi mais pessimista e não projetou crescimento nos volumes de vendas este ano e uma queda em 2025.

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A mensagem dos dois grandes mercados da Tesla, a China e os EUA, é que são necessários veículos elétricos mais baratos para acessar um grupo maior de compradores.

Espera-se que a Tesla anuncie um carro abaixo de US$ 30.000, chamado de Model 2, nos próximos dois anos. Esse não é um desafio pequeno: o custo médio de fabricação dos veículos que a Tesla vendeu em 2023, excluindo leasing e créditos de emissões, foi de quase US$ 38.000.

No entanto, a Tesla optou por lançar primeiro o Cybertruck que, a partir deste ano, custa cerca de US$ 80.000.

A rival Rivian Automotive revelou este mês seu utilitário esportivo R2 – que deve custar a partir de US$ 45.000 – além de lançar um protótipo de crossover R3 ainda mais barato. Para deixar claro, a Rivian perdeu mais de US$ 100.000 na linha operacional em cada veículo vendido no ano passado, portanto, não estou de forma alguma declarando que ela é a nêmesis de Musk.

Em vez disso, esse fato ressalta o tempo que a Tesla perdeu. Se os números das vendas trimestrais, previstos para o início de abril, indicarem uma lenta retomada das vendas do Cybertruck, isso aumentaria a pressão sobre o crescimento e as margens da Tesla.

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Diante de tudo isso, a Tesla afirma que está apenas entre duas ondas de crescimento, com a chegada de um modelo mais barato inevitavelmente estimulando o próximo aumento.

Até certo ponto, a história está do lado da empresa, já que os lançamentos tendem a estimular uma expansão no mercado de veículos elétricos, pelo menos nos EUA. No entanto, os tempos mudaram. A Tesla enfrenta uma concorrência cada vez maior nos EUA e uma já intensa em outros lugares, principalmente na China.

Um otimista poderia dizer que, assim que a fraqueza de curto prazo se dissipar, a tese de longo prazo da Tesla de dominar os veículos elétricos (e a inteligência artificial etc.) se reafirmará. Mas isso ignoraria a mensagem gritante dos dois gráficos acima, que comparam a Tesla com as Magnificent Six e suas colegas montadoras: a tese de longo prazo nunca de fato desapareceu.

Com quase 60 vezes os lucros futuros, a Tesla ainda está cotada para aquele futuro feliz em que supera tanto os gigantes da IA quanto o setor automotivo global. Um trimestre não magnífico, como este está se configurando, pode ainda forçar uma reformulação.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

Liam Denning é colunista da Bloomberg Opinion e cobre energia. Ex-banqueiro, foi editor da coluna “Heard on the Street”, do Wall Street Journal, e escreveu para a coluna “Lex”, do Financial Times.

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