Vinci Partners vai incorporar Compass e passará a US$ 50 bi em ativos em LatAm

Gestora brasileira independente fundada por Alessandro Horta e Gilberto Sayão desponta na liderança em investimentos alternativos na região com o negócio

Alessandro Horta, cofundador e CEO da Vinci Partners (Foto: Divulgação)
07 de Março, 2024 | 08:08 PM

Bloomberg Línea — A Vinci Partners acertou uma combinação de negócios com a Compass, uma gestora americana especializada em investimentos alternativos na América Latina, com US$ 37 bilhões em ativos, presença em nove países e quase 30 anos de atuação. A nova instituição combinada terá mais de US$ 50 bilhões em ativos sob gestão e liderança na área de investimentos alternativos na região.

O acordo foi anunciado nesta quinta-feira (7) depois do fechamento do mercado. Os termos da transação e a futura estrutura de capital, se o negócio for aprovado pelas autoridades regulatórias, não foram totalmente divulgados. Na prática, a Vinci incorpora a Compass.

Segundo comunicado, o negócio envolve pagamento total inicial de 11.783.384 ações de classe A do capital da Vinci e também um valor em dinheiro de US$ 31,3 milhões, na forma de ações comuns resgatáveis de Classe C da gestora brasileira, listada na Nasdaq.

Os sócios da Compass, por sua vez, terão direito a uma remuneração adicional de até 7,5% de participação na entidade combinada, relativa ao earn out, a ser paga em ações comuns de Classe A da Vinci até 2028.

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“Esta combinação com a Compass marca o passo mais significativo até agora em nosso plano de crescimento estratégico de longo prazo apresentado no nosso Investor Day e nos permite expandir a nossa presença na América Latina, um dos mercados mais atrativos para ativos alternativos,” disse Alessandro Horta, CEO da Vinci Partners, em comunicado.

“Juntos, nos tornaremos uma verdadeira plataforma pan-regional e criaremos um player líder na América Latina, expandindo nossa presença geográfica e fortalecendo nosso negócio combinado por meio de produtos complementares, cobertura geográfica mais ampla e bases de receita e financiamento mais diversificadas”, disse o executivo, que destacou o entendimento de que a gestora passa a despontar como uma espécie de porta de entrada para ativos alternativos para a região.

A Vinci (VINP) conta com cerca de US$ 13 bilhões em ativos e é uma das mais tradicionais e maiores gestoras independentes do país. Foi fundada em 2009 por Alessandro Horta e Gilberto Sayão - chairman da empresa -, ambos egressos do UBS Pactual, em que ocuparam posições de diretoria.

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A nova instituição combinada vai superar o Pátria Investimentos, que tinha cerca de US$ 32 bilhões em ativos sob gestão ao fim de 2023, em tamanho em ativos alternativos na região.

A Compass atua com três verticais de negócios principais: Asset Management, Wealth Management e Third Party Distribution, com mais de 300 profissionais e escritórios em sete países da região (Brasil e também Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Uruguai), além de Estados Unido e Reino Unido.

Manuel Balbontín, sócio, fundador e presidente do conselho da Compass, e Jaime de la Barra, sócio, fundador e vice-presidente do conselho, irão integrar o conselho de administração da Vinci.

Estratégia de crescimento com M&As

Em entrevista à Bloomberg Línea em outubro do ano passado, o CEO da Vinci já havia antecipado que a gestora tinha como próximos passos M&As para expandir sua atuação pela região.

“Hoje, principalmente no Brasil, enxergamos possibilidades de aprofundar estratégias que já temos na Vinci [por meio de M&A]. Ou seja, negócios para agregar recursos sob gestão e time. Isso é uma visão que nós temos. E outra é pela perspectiva de diversificação geográfica, principalmente para América Latina, para aumentar a exposição para a região de forma estratégica”, disse Horta na ocasião.

Naquele momento, há cinco meses, a Vinci havia acabado de acertar uma parceria estratégica com o Ares Management Corporation, empresa americana igualmente especializada em ativos alternativos e com cerca de US$ 380 bilhões sob gestão.

As ações da Vinci negociadas na Nasdaq encerraram o pregão nesta quinta praticamente estáveis. Em 12 meses, a valorização acumulada é da ordem de 15%.

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Marcelo Sakate

Marcelo Sakate é editor-chefe da Bloomberg Línea no Brasil. Anteriormente, foi editor da EXAME e do CNN Brasil Business, repórter sênior da Veja e chefe de reportagem de economia da Folha de S. Paulo.