A Geração Z também quer ser CEO. A diferença é o caminho para chegar lá

Segundo pesquisa da United Minds analisada pela McKinsey, 38% dos membros dessa geração querem comandar empresas, acima dos 31% dos millennials

O emprego dos sonhos de jovens da Geração Z pode requerer competências que seus antecessores não tiveram que desenvolver (Foto: Spencer Platt/Getty Images)
25 de Junho, 2023 | 08:54 AM

Bloomberg Línea — A Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) ganhou fama de que prioriza tanto a qualidade de vida que a carreira está relegada, diferentemente de antecessores como os millennials. Mas pesquisas recentes colocam em xeque essa imagem de que seus integrantes não querem crescer dentro das companhias e têm pouca vontade de se tornarem líderes um dia: segundo uma pesquisa da United Minds, 38% dos membros da Gen Z querem ser CEOs um dia — mais do que os 18% da Geração X e os 31% dos millennials.

A pesquisa realizada em 2022 nos Estados Unidos ouviu cerca de 1.050 profissionais com 18 anos ou mais de idade que estavam empregados. De acordo com a McKinsey, consultoria que analisou os dados, uma diferença é que os membros da Geração Z esperam conseguir exercer o trabalho de comandar uma companhia inteira de forma híbrida, priorizando o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

A McKinsey também apontou em sua análise que, para os mais jovens, o caminho para se tornar CEO vai ser bem diferente daquele percorrido pelos profissionais até agora.

O foco para a Geração Z, distante do mercado de trabalho tradicional em que experiência e educação contam mais, será navegar em uma corporação com um ambiente de negócios altamente complexo e entrelaçado.

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Isso significa que será fundamental a compreensão de tópicos que uma geração anterior de CEOs não necessariamente teve que dominar - com exemplos como a Inteligência Artificial, que vem se tornando cada vez mais importante para companhias de diferentes segmentos.

Mas, obviamente, só querer ser presidente executivo de uma empresa não é o suficiente para que isso ocorra. Celia Huber, sócia sênior da McKinsey, e co-autores de um artigo recém-publicado sobre o McKinsey Leadership Forum, apontaram as habilidades necessárias para que um executivo consiga chegar e se manter no topo a partir da análise das perspectivas de 300 líderes de negócios, dos quais 88 CEOs.

Entre essas habilidades estão se manter confortável com a volatilidade e o escrutínio público e ter amplo conhecimento de princípios ESG (ambientais, sociais e de governança).

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Para esses executivos aspirantes ao cargo mais alto também será preciso ter capacidade de fornecer uma visão clara e detalhada de como transformará a empresa que deseja liderar, com um objetivo em mente (como dobrar o valor de mercado, por exemplo). E se motivação para querer ser CEO for dinheiro, poder ou auto-estima, pode ser necessário repensar as questões, apontou a McKinsey.

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Tamires Vitorio

Jornalista formada pela FAPCOM, com experiência em mercados, economia, negócios e tecnologia. Foi repórter da EXAME e CNN e editora no Money Times.