Gestora de Abilio Diniz e família contrata ex-Citi e lançará quatro fundos

Visão da O3, que faz parte da Península, é que o começo da queda dos juros no segundo semestre vai levar a uma volta do capital de investidores para fundos

O bilionário Abilio Diniz: gestora O3, que faz parte da Península, planeja quatro novos fundos para o mercado (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
Por Vinícius Andrade e Cristiane Lucchesi
02 de Junho, 2023 | 12:04 PM

Bloomberg — A Península, empresa de investimentos que administra os ativos do bilionário Abilio Diniz e de sua família, está expandindo sua atuação na indústria brasileira de fundos.

A O3, gestora de fundos criada pela Península, planeja lançar quatro produtos abertos a investidores de fora da família, além do já disponível carro-chefe multimercado O3 Retorno Global Qualificado, segundo Daniel Mathias Alves Pinto, sócio e diretor de investimentos da O3.

A empresa contratou a ex-executiva do Citigroup Priscila Araujo para gerir um fundo de ações focado nos mercados brasileiros e pretende contratar um economista.

LEIA +
Por que o francês Casino, dono do Pão de Açúcar, enfrenta a sua maior crise

“Eu acredito que as taxas de juros do Brasil devem começar a cair a partir de setembro e, assim que isso acontecer, esses resgates que estamos estamos vendo na indústria de fundos devem começar a parar e deveMOS começar a ver fluxo positivo de novo,” disse Mathias em entrevista.

PUBLICIDADE

“São quase dois anos de fluxo negativo, muito dinheiro que saiu da indústria, pois é muito difícil convencer as pessoas a tomar riscos quando você tem a taxa básica de juros em 13,75%.”

Além do fundo de ações, a O3 também planeja lançar um fundo macro de Brasil e mercados emergentes, que negociará ativos como moedas, taxas de juros ou commodities, com base em expectativas sobre a economia e política. O fundo será gerido por Marcello Curvello.

Os planos são lançar também no segundo semestre um fundo quantitativo e um fundo ativo de renda fixa, ambos geridos pelo sócio da O3 Diogo Duarte, disse Mathias. A ideia seria atender a todos os tipos de investidores, incluindo pessoas físicas e instituições como fundos de pensão e seguradoras.

PUBLICIDADE

A indústria de fundos do Brasil tinha R$ 7,6 trilhões sob gestão em 19 de maio, depois de enfrentar saídas líquidas de R$ 324,8 bilhões nos 12 meses anteriores, segundo a Anbima, a associação de entidades do mercado de capitais. Os fundos de renda fixa foram os que mais sofreram com a onda de pedidos de recuperação judicial deste ano, como no caso da Americanas (AMER3) e da Light (LIGT3).

O fundo ativo de renda fixa da O3 não investirá em crédito corporativo, disse Mathias. Seu foco será a arbitragem, estratégia que envolve a exploração de diferenciais ou distorções de preços, inclusive no mercado futuro.

A Península, com US$ 2,3 bilhões em ativos sob gestão, começou a aceitar investidores externos há cerca de dois anos, quando criou a O3, na qual os gestores têm participação de 50%. Com uma equipe de cerca de 20 pessoas, a O3 tem cerca de R$ 1,6 bilhão em ativos sob gestão.

Diniz, de 86 anos, está no conselho de administração do gigante varejista francês Carrefour desde 2016 e possui, junto com a Península, mais de € 1 bilhão em ações, de acordo com o relatório anual da empresa.

Um dos empresários mais conhecidos do Brasil, Diniz tem um programa de TV na CNN Brasil e esteve no centro de uma batalha com Jean-Charles Naouri, do Grupo Casino, que terminou em 2013, quando Diniz perdeu o controle da rede de supermercados Pão de Açúcar, fundada por seu pai em 1948.

- Com a colaboração de Daniel Cancel.

Veja mais em Bloomberg.com

PUBLICIDADE

Leia também

Guardiã da fortuna de Abilio Diniz prevê onda de down rounds

Fortuna de US$ 4,5 trilhões: a unidade do JPMorgan que mira ultra-ricos globais

©2023 Bloomberg L.P.