Economia dos EUA dá sinais de arrefecimento, mostra Livro Bege

Pesquisa elaborada pelo Fed de Chicago e divulgada nesta quarta aponta para desaceleração nas contratações e na inflação dos Estados Unidos

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Bloomberg — A economia dos Estados Unidos mostrou sinais de arrefecimento nas últimas semanas, à medida que as contratações e a inflação diminuíram ligeiramente, disse o Federal Reserve em sua publicação do Livro Bege nesta quarta-feira (31).

“O emprego aumentou na maioria dos distritos, embora a um ritmo mais lento do que em relatórios anteriores”, disse o documento, que é divulgado duas semanas antes de cada reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc). “Os preços subiram moderadamente durante o período do relatório, embora a taxa de aumento tenha diminuído em muitos distritos.”

A pesquisa mostrou que a atividade econômica mudou pouco em geral em abril e no início de maio.

“A inflação alta e o fim dos benefícios da covid-19 continuaram a pressionar os orçamentos das famílias de renda baixa e moderada, impulsionando o aumento da demanda por serviços sociais, incluindo alimentação e moradia”, disse o Fed na pesquisa.

O relatório, elaborado pelo Fed de Chicago, baseia-se em informações coletadas pelos 12 bancos regionais da instituição até 22 de maio.

Efeitos dos juros

Os formuladores de políticas estão avaliando cuidadosamente como sua campanha de aperto nos últimos 14 meses, que elevou as taxas de juros para uma faixa de 5% a 5,25% de quase zero, está afetando a economia. Eles passaram a tomar decisões com base em dados divulgados antes de cada reunião, sem previsões sobre os passos futuros da política monetária.

Algumas autoridades indicaram que pode ser apropriado interromper os aumentos em sua próxima reunião em junho. Outros, preocupados com a persistência da inflação, dizem que o banco central pode precisar fazer mais, mesmo que com uma manutenção da taxa no próximo mês.

A economia dos EUA provou ser resiliente, mesmo em meio a 500 pontos-base de aumentos de juros do Fed no ano passado. Um outro relatório divulgado nesta quarta-feira mostrou que as vagas de emprego aumentaram em abril para o maior patamar em três meses, somando-se aos sinais de que o mercado de trabalho continua aquecido.

Os dados do payroll previstos para sexta-feira (2) devem mostrar que os empregadores criaram outros 195.000 empregos em maio. A taxa de desemprego, de 3,4%, é a menor em meio século.

“No geral, o mercado de trabalho continuou forte, com empresas relatando dificuldade em encontrar trabalhadores em uma ampla gama de níveis de habilidade e setores”, afirmou o relatório.

Também há evidências de que o setor imobiliário – onde o aperto do Fed afeta o consumidor mais diretamente por meio de um aumento nas taxas de hipoteca – já pode ter atingido o fundo do poço.

Um relatório no início deste mês mostrou que as vendas de novas casas subiram inesperadamente em abril para o nível mais alto desde março de 2022.

Mas a inflação continua teimosa. O indicador preferencial do Fed acelerou em abril mais do que o previsto, subindo a um ritmo de 4,4%, mais que o dobro da meta de 2% do banco central americano.

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