Bloomberg Línea — A crise bancária, que dominou o noticiário nesta semana, continua a ser um dos principais assuntos monitorados pelos investidores nesta sexta-feira (17), após 11 bancos chegarem a um acordo para fazer um resgate do First Republic Bank depois do colapso do Silicon Valley Bank (SVB).
Às 9h, no horário de Brasília, são divulgados dados sobre o desemprego no Brasil. Ainda por aqui, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pode apresentar hoje o arcabouço fiscal para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No cenário corporativo, o grupo Casino Guichard-Perrachon levantou R$ 4,1 bilhões (US$ 783,7 milhões) com a venda de mais uma participação na atacadista brasileira Assaí, um movimento que tem por objetivo reduzir a dívida do varejista francês.
Na Europa, os juros foram aumentados em meio ponto percentual na quinta-feira (17), chegando a 3%. Apesar do alerta de que a inflação deve permanecer “muito alta por mais tempo”, as autoridades do Banco Central Europeu (BCE) se recusaram a dar orientações sobre o que provavelmente farão na próxima vez que se reunirem, em maio. Isso rompe com a prática de reuniões recentes em meio aos crescentes temores de estabilidade financeira.
Confira as notícias que devem movimentar os mercados nesta sexta-feira (17):
1. Resgate do First Republic
Os maiores bancos do país concordaram em depositar US$ 30 bilhões no First Republic Bank (FRC) em um esforço apoiado pelo governo dos Estados Unidos para estabilizar o banco da Califórnia. O First Republic é especializado em private banking e gestão de patrimônio e tentou se diferenciar do Silicon Valley Bank.
JPMorgan (JPM), Bank of America (BAC), Citigroup (C) e Wells Fargo contribuirão com US$ 5 bilhões em depósitos cada, enquanto o Goldman Sachs (GS) e o Morgan Stanley (MS) entrarão com US$ 2,5 bilhões cada, de acordo com um comunicado divulgado nesta quinta-feira (16). PNC Financial Services Group, Bank of New York Mellon, Truist Financial, U.S. Bancorp e State Street contribuirão com US$ 1 bilhão cada.
2. Venda do Assaí
O Casino informou nesta sexta-feira ter vendido 254 milhões de ações do Assaí a R$ 16 cada, incluindo uma cota adicional, confirmando uma reportagem anterior da Bloomberg. Isso representa um desconto de cerca de 1,5% em relação ao fechamento de quinta-feira. O Casino, que em novembro já tinha se desfeito de outra fatia, está abrindo mão do controle da atacadista brasileira e agora sua participação cai para 11,7%.
A Assaí, formalmente conhecida como Sendas Distribuidora SA, não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários, enviados por e-mail fora do horário comercial.
A venda representa a primeira oferta de ações do Brasil neste ano, com turbulências com a mudança de governo do país, altas taxas de juros e surpreendentes colapsos corporativos atingindo os mercados. As preocupações com o sistema financeiro dos Estados Unidos nas últimas semanas afetaram os ativos globais, adicionando mais volatilidade às operações.
3. Mercados
Os contratos futuros de índices de ações dos Estados Unidos ficaram estáveis na sexta e os títulos do Tesouro ganharam, encerrando uma semana tumultuada para os mercados globais em meio à preocupação persistente de que a turbulência financeira que abalou títulos e ações ainda não acabou.
Os contratos do S&P 500 flutuaram depois que o índice subiu 1,8% ontem, à medida que bancos maiores lançaram um salva-vidas para o First Republic Bank, o mais recente credor dos EUA a sinalizar estresse. No entanto, isso não impediu que as ações da First Republic caíssem nas negociações de pré-mercado.
Os contratos futuros do Nasdaq 100 permaneceram estáveis, já que os indicadores sensíveis às taxas seguem para sua melhor semana desde novembro, em meio às expectativas de que o Federal Reserve modere seu caminho de aperto. O rendimento do Tesouro de 10 anos caiu e um indicador do dólar caiu.
O índice Stoxx Europe 600 avançou cerca de 0,6%. Um indicador das ações de bancos europeus caminha para uma queda de quase 9% nesta semana, já que outro rali inicial perdeu força na sexta.
As ações do banco suíço Credit Suisse Group (CS) voltaram a cair quando a ideia de uma combinação forçada com um rival maior, o UBS Group AG, foi descartada. As ações subiram quase 20% na quinta-feira, depois que o banco central suíço entrou em cena com apoio. Os títulos em toda a Europa ganharam, com o rendimento de 10 anos da Alemanha caindo quatro pontos-base.
Os mercados também estavam digerindo um aumento de 50 pontos-base nas taxas pelo Banco Central Europeu. Ao deixar claro que os pontos de estresse no setor bancário — bem como os dados econômicos — orientarão as futuras decisões sobre taxas, a chefe do BCE, Christine Lagarde, abriu o caminho para que as oscilações do mercado de títulos permaneçam elevadas pelo restante do ano, enquanto os traders tentam descobrir para fora quando o ciclo de caminhada está prestes a terminar.
4. Manchetes do dia
Estadão: Eliane Cantanhêde: ‘Objetivo é fazer quem não paga imposto passar a pagar’, diz Haddad
Folha de S. Paulo: Lula teme acusação de estelionato eleitoral em debate sobre nova regra fiscal
O Globo: Disputa entre Lira e Pacheco por MPs trava votações de projetos relevantes no Congresso
Valor Econômico: Bancos suspendem oferta de consignado; Banco do Brasil e Caixa entram na lista
5. Agenda
É divulgado hoje, nos Estados Unidos, às 10h15 (no horário de Brasília), dados sobre a produção industrial, às 11h é divulgada a confiança do consumidor Michigan e o índice Michigan de percepção do consumidor. Às 14h é publicada a contagem de sondas Baker Hughes e a contagem dos Estados Unidos por Baker Hughes. Para fechar a sexta, às 17h30 são divulgadas as posições líquidas de especuladores no relatório da CFTC relacionadas ao petróleo, ouro, Nasdaq e S&P 500.
No Brasil, no mesmo horário, são divulgadas as posições líquidas de especuladores no relatório da CFTC referentes ao real e, na Zona do Euro, ao euro.
-- Com informações da Bloomberg News.
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