Bloomberg — O mercado segue atento a eventuais sinalizações do governo sobre o Banco Central e a meta de inflação dos próximos anos. A divulgação do IPCA-15 deve mover juros a cerca de uma semana da primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano.
No âmbito corporativo, a Americanas (AMER3) segue no radar. No exterior, PIB e PCE nos Estados Unidos podem influenciar os próximos passos do Federal Reserve.
Confira os principais destaques na semana que começa:
1. Sinalizações do governo
O mercado deve seguir atento a eventuais sinalizações do governo sobre o Banco Central comandado por Roberto Campos Neto e a meta de inflação, que ganharam peso e geraram volatilidade na última semana. O dólar e os juros futuros eram pressionados na sexta-feira (20), ainda como reflexo da cautela diante das recentes críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à independência do Banco Central, à meta de inflação e aos juros altos.
Campos Neto segue como presidente com mandato independente até o fim de 2024.
Analistas atribuíram a piora do mercado na sexta também à incerteza sobre a substituição de Bruno Serra na diretoria de política monetária do BC. A forte alta dos yields externos também ajudou a pressionar o mercado doméstico.
O presidente Lula cumpre agendas na Argentina e no Uruguai entre os dias 23 e 25 de janeiro, segundo o Ministério de Relações Exteriores. Ele terá encontro com o presidente argentino Alberto Fernández e empresários em 23 de janeiro.
2. IPCA-15 e Focus
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial do país, de janeiro será divulgado na terça-feira (24) e a estimativa é de 0,50% para o indicador mensal, ante 0,52% em dezembro.
O primeiro resultado parcial do índice oficial de inflação sob o governo Lula poderá influenciar as expectativas para o Copom de 1º de fevereiro.
As expectativas da pesquisa Focus, que mostraram piora da inflação para 2025 na semana passada, também podem ser determinantes. O IPCA-15 deve mostrar desaceleração, mas parte do movimento é sazonal, diz Adriana Dupita, da Bloomberg Economics.
Na sexta-feira (27), sai o resultado do governo central de dezembro e fechado de 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro. Também saem na semana dados da balança comercial e crédito.
3. Americanas
O mercado monitora a situação da Americanas, que, na quinta-feira (19) entrou com pedido de recuperação judicial e prazo de 48 horas para divulgar a lista de seus credores - o juiz concedeu um período de 15 dias para fazê-lo. A Justiça aceitou a recuperação judicial e solicitou à companhia a entrega de um plano de recuperação no prazo de 60 dias úteis.
Desde que foram divulgadas inconsistências contábeis de R$ 20 bilhões na empresa, a ação despencou de R$ 12,00, no dia 11, para menos de R$ 0,64, na mínima de sexta (20).
Na quinta-feira (26), a Cielo (CIEL3) dá o pontapé inicial na divulgação dos balanços do quarto trimestre e de 2022.
4. Rolagem de swaps
O mercado também acompanhará na próxima semana o eventual início da próxima rolagem de swaps cambiais. A renovação dos contratos com vencimento em 1º de fevereiro foi encerrada na sexta-feira (20) com o leilão de 6.320 swaps.
A rolagem começou em 2 de janeiro e os 191.520 contratos que venciam no início do próximo mês totalizavam US$ 9,6 bilhões. Alguns leilões de swap recentes tiveram colocação parcial. O BC também fez leilões de linha de US$ 2 bilhões na última sexta-feira, com colocação total.
5. PIB dos EUA
Em meio aos sinais de desaceleração econômica que ainda não reverteram a postura hawkish do Fed, os Estados Unidos divulgam na quinta-feira (26) a primeira estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2022. A estimativa é de crescimento anualizado de 2,6%, contra dado anterior de 3,2%.
A semana traz ainda o PCE de dezembro, tido como índice de preços preferido do Fed, na sexta-feira (27). Não haverá discursos de dirigentes do Fed a cerca de uma semana da próxima reunião do FOMC.
O mercado também monitora na semana falas da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde. Atenção ainda para a ata do Banco do Japão no domingo e para a continuidade da temporada de balanços nos EUA, com nomes como Tesla (TSLA) e Microsoft (MSFT).
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