Negócios

Goldman Sachs tem prejuízo de US$ 1,2 bilhão em nova divisão de consumo

Unidade que reúne os negócios do banco voltados para o mercado consumidor tem acumulado perdas crescentes

Do início de 2020 até o final de setembro, as perdas antes dos impostos da unidade Platform Solutions chegaram a US$ 3 bilhões
Por Sridhar Natarajan
13 de Janeiro, 2023 | 09:45 AM

Bloomberg — Três meses depois de o Goldman Sachs Group (GS) criar uma nova divisão para abrigar o que restava de sua outrora ambiciosa incursão no mercado consumidor, o banco deu aos acionistas uma visão mais clara das finanças desse segmento.

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A coleção de negócios - que incluem o Apple Card do Goldman e que está agora agrupada no segmento chamado de Platform Solutions - acumulou mais de US$ 1,2 bilhão em perdas antes dos impostos nos primeiros nove meses do ano passado, com a queda acelerando a cada trimestre.

Essa contagem, divulgada em um documento regulatório nesta sexta-feira (13), destina-se a ajudar os acionistas e analistas a se prepararem para acompanhar a evolução da Platform Solutions assim que o Goldman começar a divulgar seu desempenho em relatórios trimestrais, a partir da próxima terça-feira. Mas também lança uma nova luz sobre o quanto a expansão tem prejudicado os resultados da companhia sediada em Nova York.

Do início de 2020 até o final de setembro, as perdas antes dos impostos da unidade Platform Solutions chegaram a US$ 3 bilhões, mostra o documento. Quando os números do último trimestre forem adicionados a ele na próxima semana, essa perda cumulativa se aproximará de US$ 4 bilhões no período de três anos e de US$ 2 bilhões para o ano impulsionado por provisões para perdas com empréstimos, disseram pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela Bloomberg News.

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As provisões para os primeiros nove meses de 2022 totalizaram US$ 942 milhões, mostra o documento.

Planos ambiciosos

A divisão é uma versão simplificada do que antes era o grande objetivo do Goldman de invadir o mercado consumidor - construir um banco digital do futuro que se tornaria um líder do setor. Em vez disso, abalada pelos custos persistentes e pela dificuldade de estabelecer novas linhas de negócios, a empresa decidiu reduzir suas ambições e reposicionar as peças.

Muito do que restou, voltado para o mercado de massa, está agora na unidade de Platform Solutions, incluindo vinculações de cartões e empréstimos parcelados. A linha de negócios de banco de transações, que agora também faz parte desse grupo, é provavelmente o único elemento lucrativo.

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Os números divulgados na sexta-feira oferecem pistas sobre o que o Goldman está gastando para estabelecer o Apple Card, criado por meio de uma parceria com a Apple (AAPL).

A perda antes dos impostos de US$ 1 bilhão da divisão relatada para 2021 estava principalmente ligada ao Apple Card, disseram pessoas com conhecimento dos números. E cerca de US$ 2 bilhões em 2022 derivam principalmente do cartão da Apple e da plataforma de empréstimos parcelados GreenSky, disseram as pessoas.

A questão é se o Goldman sentirá mais pressão para diminuir o que os executivos veem como investimentos agora que as despesas são mais facilmente visíveis para os acionistas.

O negócio geral de consumo do Goldman deveria inicialmente atingir o ponto de equilíbrio até o final do ano passado. Executivos da nova divisão de Platform Solutions agora prevêem que isso pode acontecer em algum momento de 2025, embora uma meta final ainda não tenha sido definida, disseram pessoas com conhecimento do assunto.

Alternativas

Enquanto isso, enfrentando pressão para preservar os retornos, o CEO David Solomon está encontrando outras maneiras de reduzir os gastos. Nesta semana, a empresa foi além das demissões anuais de baixo desempenho, embarcando em uma de suas maiores rodadas de cortes de empregos de todos os tempos, inclusive em suas principais operações bancárias e comerciais.

As demissões ocorreram depois que o Goldman praticamente deixou de lado seu processo anual de eliminação profissionais de baixo desempenho. Mas o mesmo aconteceu com a maioria de seus concorrentes. Ao mesmo tempo, a poderosa franquia de negócios do banco e o negócio de gestão de ativos não foram capazes de fornecer taxas exageradas e ganhos de investimento, como faziam há um ano.

Anteriormente, as únicas informações financeiras que o Goldman havia divulgado em seus negócios de consumo mostravam perdas de US$ 1,3 bilhão desde o início até meados de 2019. Isso e a perda de cerca de US$ 4 bilhões em três anos não incluem alguns dos cerca de US$ 2,5 bilhões gastos na aquisição da provedora de empréstimos a prestações GreenSky, bem como outras aquisições adicionais para fortalecer o negócio.

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