Por que a queda do varejo nos EUA pesou no sentimento do investidor

Vendas tiveram retração de 0,6% em novembro, uma queda maior do que a esperada pelo mercado, em um sinal de que a economia pode estar começando a perder força

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Bloomberg — As vendas no varejo dos Estados Unidos registraram em novembro a maior queda em quase um ano, refletindo a fraqueza em uma série de categorias que sugerem alguma redução na demanda dos americanos - um reflexo de um processo de aumento dos juros que não tem previsão para acabar.

O valor das compras totais no varejo caiu 0,6% no mês passado, após ter subido 1,3% em outubro, mostraram dados do Departamento de Comércio divulgados nesta quinta-feira (15). Excluindo gasolina e automóveis, as vendas no varejo caíram 0,2%. Os números não são ajustados pela inflação.

A estimativa mediana em uma pesquisa da Bloomberg com economistas indicava uma queda de 0,2% nas vendas totais no varejo.

Os principais índices de ações em Nova York recuavam de 2% a 3% no começo da tarde em reação dos investidores que leva em conta a avaliação de que os juros podem ficar em patamares mais elevados por mais tempo do que se esperava ao longo de 2023.

Nove das 13 categorias de varejo caíram no mês passado, de acordo com o relatório, incluindo veículos motorizados, eletrônicos, móveis e lojas de materiais de construção. O valor das vendas nos postos de gasolina caiu 0,1% devido à queda dos preços dos combustíveis nas bombas.

As vendas em restaurantes e bares – a única categoria do setor de serviços no relatório – subiram 0,9% em novembro, o quarto aumento consecutivo.

O relatório sugere alguma perda de impulso na demanda do consumidor por bens em meio à inflação alta, bem como uma mudança nas preferências em relação aos serviços.

Embora o aumento dos salários e os recursos guardados no auge da pandemia tenham ajudado a oferecer um suporte para as famílias, os americanos estão começando a sentir o aperto - a taxa de poupança está perto de um recorde de baixa e os saldos dos cartões de crédito aumentaram.

“Um resultado de varejo surpreendentemente fraco indica que os aumentos de taxa do Fed estão começando a ter efeito. Com Powell sinalizando na reunião de 13 a 14 de dezembro que o Fed não parou de aumentar as taxas - e com os consumidores mudando seus gastos de bens para serviços, que em grande parte não são capturados no relatório de vendas no varejo -, a fraqueza pode persistir no ano que vem”, disseram as economistas Anna Wong e Eliza Winger, da Bloomberg Economics.

Outros dados divulgados mostraram que o mercado de trabalho continua resiliente, com o menor número de registros semanais iniciais de auxílio-desemprego em mais de dois meses. Enquanto isso, dois medidores regionais de manufatura do Federal Reserve mostraram atividade mais fraca neste mês.

O Fed procura provocar uma desaceleração nos gastos do consumidor que reduza o crescimento econômico para ajudar a amenizar a inflação. Os integrantes do BC americano reduziram o ritmo dos aumentos das taxas de juros na quarta-feira (14), como esperado, e, embora a inflação tenha desacelerado nos últimos meses, eles reconhecem que as pressões sobre os preços ainda são muito altas.

Descontos generalizados

Novembro incluiu alguns dos principais dias de compras do ano, e os varejistas ofereceram descontos generalizados em uma variedade de produtos como brinquedos, roupas e eletrônicos na Black Friday e depois. Dados do Adobe Analytics apontaram que os gastos online durante a Cyber Week - período que vai do Thanksgiving ao Cyber Monday - aumentaram 4% em relação ao ano passado.

O relatório desta quinta-feira mostrou que os gastos com varejistas eletrônicos caíram 0,9%, o que inclui empresas como a Amazon (AMZN).

As chamadas vendas do grupo de controle - que são usadas para calcular o Produto Interno Bruto e excluem serviços de alimentação, concessionárias de automóveis, lojas de materiais de construção e postos de gasolina - caíram 0,2%, abaixo das estimativas de um ganho de 0,1%.

Pode ser difícil tirar conclusões concretas do relatório de vendas no varejo, uma vez que os dados não são ajustados pela inflação e, na maioria das vezes, capturam apenas os gastos com mercadorias. Um quadro mais completo da demanda doméstica de novembro, que inclui valores ajustados a preços e gastos com serviços, será divulgado na próxima semana.

- Com colaboração de Jordan Yadoo.

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