Bloomberg Opinion — Os dados recentes sobre uma inflação inesperadamente alta nos Estados Unidos – o índice de preços aumentou 8,3% na taxa anual em agosto – facilitaram a decisão do Federal Reserve nesta semana. Os dados reafirmaram a crença de investidores de que o aperto monetário ainda não está perto do fim, reforçada pela decisão do Fed de aumentar as taxas de juros em 0,75 ponto percentual na quarta-feira (21). A questão mais difícil é o que vem depois disso.
O aumento levou a meta de juros de curto prazo entre 3% e 3,25%. Esse valor ainda é substancialmente negativo em termos reais, mesmo permitindo o fato de que a inflação central de 6,3% é mais baixa do que a taxa principal. Embora o Fed esteja reprimindo seu estímulo, a política monetária ainda não está reprimindo a demanda. Esse aperto gradual pode ser prudente – mas somente se o banco central deixar claro que está pronto para ir até onde for necessário e que fará o que for preciso para controlar a inflação.
Até agora, e apesar dos esforços para endireitar as coisas, há certa ambiguidade nisso. Em particular, membros do Fed liderados pelo presidente Jerome Powell disseram que esperam domar a inflação sem levar a economia para a recessão. É um objetivo digno e não é impossível – mas se for alcançado, terá sido mais através da sorte do que da habilidade.
Manter a inflação alta sob controle quase sempre envolve uma contração temporária da produção junto com um maior desemprego. Se o Fed pensar em vacilar diante desta possibilidade, sua tarefa será mais difícil. E, no final, a produção e o emprego teriam que cair mais.
Sem dúvida, enxergar o verdadeiro estado da economia nas atuais condições extraordinárias é difícil. É impossível dizer por quanto tempo os problemas de abastecimento persistirão. O Fed não consegue precisar as respectivas contribuições de, por exemplo, choques de preços de energia, de um lado, e estímulos fiscais indevidos de outro. Diante de tudo isso, ninguém deve supor que seu trabalho seja simples.
Ainda assim, o banco central não pode se dar ao luxo de se equivocar sobre a necessidade de desacelerar a economia. A taxa atual de desemprego, de 3,7%, é menor do que implica o “pleno emprego”. A demanda por não de obra ainda está superando a oferta disponível, e os salários estão aumentando a mais de 6% ao ano. Assim, a renda não está subindo tão rápido quanto os preços.
Mas isso é bom. Se a renda estivesse acompanhando os preços, a tarefa do Fed seria ainda mais difícil, porque uma espiral de aumento de salários e preços geraria uma inflação alta. Mesmo assim, o aumento dos salários precisará desacelerar substancialmente para que a inflação se estabilize gradualmente de volta à meta de 2% do Fed.
Por sua vez, isso provavelmente exigiria taxas de juros de curto prazo em um pico bem superior aos 4% e, infelizmente, uma taxa de desemprego um pouco mais alta. O Fed certamente entende tudo isso, mas precisa mostrar que entende e que não vai hesitar.
Os Editores são membros do conselho editorial da Bloomberg Opinion.
— Editores: Clive Crook, Timothy Lavin.
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