Choque de realidade em Wall Street: 5 visões sobre a terça ‘sangrenta’

Índices de Nova York tiveram a maior queda em mais de dois anos diante da avaliação de que a alta de juros pelo Fed não ficará moderada como se esperava

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Bloomberg — Investidores, analistas e economistas receberam um choque de realidade nesta terça-feira (13), quando a inflação do mês de agosto nos Estados Unidos - medida pelo CPI - superou as expectativas de Wall Street e levou as ações em Nova York à maior queda em mais de dois anos, desde junho de 2020.

As bolsas americanas haviam subido nos últimos dias, com economistas prevendo que os dados do Departamento do Trabalho mostrariam outra desaceleração considerável na alta de preços nos Estados Unidos. Em vez disso, o índice de preços ao consumidor (CPI) aumentou 0,1% em relação a julho e desacelerou menos do que o esperado em relação ao mesmo período do ano passado.

Em resposta à inflação mais aquecida que o esperado, traders aumentaram suas apostas em outra alta de 0,75 ponto percentual na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) da próxima semana.

Veja abaixo 5 visões de especialistas de Wall Street sobre os dados de inflação de agosto e o que isso significa para o investimento em renda variável:

1. Guillermo Hernandez Samper, chefe da mesa de operações na gestora MPPM:

“Foi um choque de realidade. Os mercados estavam, novamente, se precipitando. O Federal Reserve não pisará no freio antes do final do ano, então podemos esperar mais aumentos de juros.”

2. James Athey, diretor de investimentos da Abrdn:

“O salto recente das ações parecia incrivelmente mal avaliado e prematuro. Esse número do CPI é muito forte em relação ao consenso e não é de jeito nenhum o que o Fed queria ver. A chance de o ritmo de aumentos [dos juros] se desacelerar após setembro diminuiu um pouco com esses dados.”

3. Sebastien Galy, macro-estrategista sênior da Nordea Asset Management:

“O mercado de ações americano estava simplesmente otimista demais, enquanto os mercados de ações europeus estão muito mais baratos, o que dá a eles alguma resistência a esse tipo de choque.”

4. Mark Hamrick, analista econômico sênior da Bankrate:

“Os preços de itens básicos continuam a alimentar esse fogo [da inflação], incluindo moradia, comida e assistência médica. O declínio substancial nos preços da gasolina é digno de nota, mas não resolve o problema geral da inflação.”

5. Danni Hewson, analista financeiro da AJ Bell:

“Preços que estavam borbulhando levam tempo para esfriar e os mercados estavam um pouco entusiasmados demais nos últimos dias com a perspectiva de aumentos de juros menos agressivos do Fed em um futuro próximo.”

“A realidade é que, embora a maioria das coisas pareça estar indo na direção certa, ainda há ventos contrários significativos quando se trata de questões como fornecimento de eletricidade e gás e simplesmente manter um teto sobre as pessoas.”

- Com a colaboração de Farah Elbahrawy, Macarena Munoz Montijano, Bre Bradham, Bailey Lipschultz e Ryan Vlastelica.

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