Voláteis, mercados aguardam dados de emprego nos EUA para inferir rumo dos juros

Futuros de índices norte-americano operam cambaleantes antes de divulgação do relatório sobre o mercado de trabalho; bolsas europeias sobem

Por

Barcelona, Espanha — (Esta é a versão atualizada da nota publicada originalmente às 06h06)

O vaivém das ações estará no ritmo do relatório de emprego nos Estados Unidos. O dado, que rastreia a oferta de vagas nos setores público e privado, dará uma ideia do aquecimento da economia norte-americana e se a sinalização de novas altas dos juros pelo Federal Reserve (Fed) pode ser absorvida pela economia - ou se culminará em recessão. O mercado se mostra volátil e o humor dos investidores está suscetível ante um cenário de incertezas.

→ Leia o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Disputa pelo mercado de saúde se acirra

Os futuros de índices dos EUA não sabem que rumo seguir, oscilam entre o positivo e o negativo esta manhã. Entre as bolsas da Europa, a alta era mais consistente, com o Stoxx 600 encerrando cinco dias de perdas - as ações de empresas energéticas se destacavam.

O dólar se depreciava ligeiramente, depois de atingir um patamar recorde, dando força ao euro. Ao mesmo tempo, a cotação do petróleo subia e freava uma queda semanal, com os operadores esperando resultados sobre a reunião da OPEP+ sobre a oferta da commodity. Enquanto isso, a Rússia parece dispuesta a retomar as provisões de gás através de seu principal gasoduto, o que representaria um alívio para os investidores, mesmo que persistam os temores de novas interrupções no inverno europeu.

Os títulos globais, que entraram no mercado de baixa pela primeira vez em décadas, também careciam de uma direção clara - os investidores preferem esperar pelos principais dados de empregos nos EUA. Instantes atrás, os títulos do Tesouro dos EUA com 10 anos de prazo pediam prêmios mais elevados.

→ O que orienta os mercados hoje:

🧱 Firmeza. Dados recentes sobre o setor manufatureiro e os pedidos de seguro-desemprego dos EUA evidenciaram uma economia forte e resistente, reforçando a tese de que a mão do Fed seguirá pesando sobre o custo do dinheiro, com um acréscimo esperado de 0,75 ponto percentual dos juros na reunião do fim deste mês.

🧭 O Norte de hoje. O informe sobre o mercado de trabalho norte-americano dará novos elementos de análise aos investidores. Calcula-se que em torno de 300 mil empregos tenham sido criados em agosto, com um avanço superior a 5% nos salários. Cifras mais elevadas poderiam ter repercussões negativas nas bolsas e bônus, pois indicariam uma ação mais enérgica por parte do Fed.

🐻 Bônus globais no bear market. A disposição dos banqueiros centrais em debelar a inflação com juros mais altos atingiu em cheio o mercado de títulos soberanos nas últimas sessões. Pela primeira vez em uma geração, estes ativos adentram no mercado de baixa. O índice Bloomberg Global Aggregate Total Return dos títulos públicos e corporativos com grau de investimento baixou mais de 20% em relação ao seu pico de 2021, a maior queda desde sua criação em 1990. Instantes atrás, os títulos norte-americanos com prazo de 10 anos ensaiavam uma pequena recuperação, embora com pouca convicção.

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (+0,46%), S&P 500 (+0,30%), Nasdaq Composite (-0,26%), Stoxx 600 (-1,80%), Ibovespa (+0,81%)

Apesar de a maioria dos indicadores fechar no azul, o sentimento era de cautela, o que contribuiu para a apreciação do dólar. A moeda atingiu um recorde de alta com a especulação de que os dados macroeconômicos mais recentes forçarão o banco central dos Estados Unidos a aumentar as taxas em 0,75 ponto percentual em sua próxima reunião, no final do mês.

Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados e se inscreva no After Hours, a newsletter vespertina da Bloomberg Línea com o resumo do fechamento dos mercados.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Relatório de Emprego (Payroll) não-agrícola/Ago; Payroll do Governo/Ago; Taxa de Desemprego/Ago; Pedidos de Bens Duráveis Excl. Defesa/Jul; Encomendas à Indústria/Jul; Vendas de Veículos

Europa: Zona do Euro (IPP/Jul); Alemanha (Balança Comercial/Jul); França (Balanço Orçamentário do Governo/Jul); Espanha (Variação no Desemprego)

América Latina: Brasil (IPC/Fipe, Produção Industrial/Jul); Argentina (Receita Tributária)

(Com informações da Bloomberg News)