Loggi troca CEO e corta 15% da equipe citando ‘eficiência operacional’

Fundador Fabien Mendez deixa o comando e ficará como presidente do conselho; CFO Thibaud Lecuyer, co-fundador da Dafiti, assumirá o principal cargo executivo

Loggi, unicórnio na área de entregas logísticas, anuncia corte de mais de 500 funcionários, ou 15% do seu quadro pessoal
08 de Agosto, 2022 | 03:53 PM

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São Paulo — Fabien Mendez, que fundou a Loggi em 2013, está deixando o cargo de CEO, em um momento em que a empresa anuncia a demissão de 15% - o equivalente a cerca de 540 funcionários - de sua equipe de aproximadamente 3.600 pessoas.

Mendez, que em junho disse à Bloomberg Línea que uma eventual decisão de fazer cortes passava pela situação de caixa da empresa, continuará na startup no cargo de chairman executivo, como conselheiro. O co-fundador da empresa de e-commerce brasileira Dafiti, Thibaud Lecuyer, que era CFO da Loggi desde outubro de 2019, será o novo CEO da logtech.

Carlos Araujo, que até então liderava a área de planejamento financeiro e análises (FP&A), será o novo diretor financeiro da Loggi.

Por meio de nota à imprensa, a Loggi disse que a redução do quadro de funcionários faz parte de um conjunto de ações de “aumento de eficiência operacional” tomadas nos últimos seis meses para que a empresa se adapte ao novo cenário global e garanta a sustentabilidade do negócio.

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A Loggi captou sua Série F de US$ 212 milhões em março do ano passado. Monashees, SoftBank e GGV estão entre os principais investidores da startup.

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“A empresa agradece a dedicação das pessoas desligadas hoje e reforça a disponibilização de um pacote de benefícios que contempla ajuda de custos para contratação de plano de saúde para titular e dependentes, assistência psicológica e suporte no processo de recolocação profissional”, disse a empresa por meio de nota.

“A Loggi reitera ainda o seu propósito de transformar negócios conectando o Brasil com uma experiência de entregas simples e inovadora”.

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Enquanto no ano passado as startups da América Latina captaram um volume recorde de US$ 16,3 bilhões, neste ano, com o aumento das taxas de juros no mundo desenvolvido e a crescente aversão a risco nos mercados, investidores ficaram mais receosos para colocar cheques como os de 2021 em startups.

Segundo o Pitchbook, US$ 2,04 bilhões foram investidos na região no segundo trimestre de 2022, uma queda de 71% em relação aos US$ 7,12 bilhões no terceiro trimestre de 2021.

Mesmo assim, há ainda avaliações de que a bonança para startups latino-americas não tardará a voltar. “Eu não acho que isso será tão profundo quanto a crise das pontocom”, disse Chris Yeh, investidor e mentor do Vale do Silício, em entrevista em São Paulo na semana passada, em referência ao estouro da bolha da internet em 2000.

Venture Capital Funding to Latin American Startups |dfd

“Esses negócios têm produtos de verdade, receita de verdade, pessoas que querem os produtos. É muito diferente da crise das pontocom, em que havia empresas em que os unit economics não faziam sentido nenhum”, disse Yeh.

“Mas eu não acho que vai voltar tão rápido quanto foi em 2008 e 2009 porque já passamos o período de tempo de crise que ocorreu em 2008 e 2009″, afirmou o investidor.

Startups que já estão no estágio final, o chamado “late-stage”, pré-IPO, acabam sofrendo mais com a falta de capital de terceiros. É o caso da Loggi. Em junho, Mendez tinha dito para a Bloomberg Línea que não enxergava um cenário para um IPO nos próximos dois anos.

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Ebanx e Hotmart também postergaram seus planos de irem à bolsa neste ano, conforme pessoas familiarizadas com o assunto disseram à Bloomberg News.

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A Betterfly, unicórnio chilena de benefícios, chegou ao Brasil em outubro do ano passado. Em fevereiro, a empresa recebeu um cheque de US$ 125 milhões em uma Série C. Mas, na semana passada, a empresa desligou aproximadamente 30 funcionários no Brasil, segundo pessoas familiarizadas com assunto. Os cortes foram apenas no Brasil.

Por meio de nota, a Betterfly Brasil disse que iniciou um processo de reestruturação de suas equipes em uma “redefinição estratégica para levar o seu produto - que alia proteção, prevenção e propósito - a milhões de famílias do país e, ainda, para adaptação de novas ofertas que vai trazer ao mercado”.

“Desde o momento em que decidiu expandir suas operações, o Brasil tem sido um pilar dentro da estratégia global de atingir a meta de proteger 100 milhões de pessoas até 2025. As mudanças buscam fortalecer a estrutura para a eficiência e a especialização do primeiro unicórnio social da América Latina”, disse a Betterfly.

Sol De Cabo, VP de People & Culture da Betterfly, afirmou, por meio de nota, que a empresa está caminhando para uma operação mais eficiente e ágil com a reestruturação. “Na Betterfly, as pessoas estão no centro do que fazemos e, neste processo, o respeito e a dignidade do ser humano é essencial para nós, cuidando das pessoas não apenas no início de sua experiência de trabalho conosco, mas também no fim de sua experiência como Betterflyer”, disse.

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O SoftBank, por meio do SoftBank Latin America Fund, encabeçado pelo ex-executivo Marcelo Claure em 2019, foi peça-chave no crescimento de capital de risco e de unicórnios da América Latina nos anos recentes. Mas o conglomerado japonês tem reduzido os investimentos: participou de acordos de capital de risco no valor total de US$ 1,57 bilhão na América Latina no primeiro semestre de 2022, abaixo dos US$ 4,31 bilhões nos dois trimestres anteriores, de acordo com o Pitchbook.

Segundo o Pitchbook, o declínio do investimento na América Latina é mais pronunciado do que em regiões mais consolidadas para startups, como Estados Unidos e Europa.

-- Matéria atualizada para acrescentar o posicionamento da Betterfly

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Isabela  Fleischmann

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups