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Fleury: receita recorde após covid e teste pronto para varíola dos macacos

Empresa de medicina diagnóstica cresce 25% sem os efeitos da pandemia na base de comparação, conta CEO Jeane Tsutsui à Bloomberg Línea

CEO do Fleury, Jeane Tsutsui, trabalha com a expectativa de conclusão da combinação de negócios com Grupo Pardini no primeiro trimestre de 2023
05 de Agosto, 2022 | 09:53 am
Tempo de leitura: 3 minutos

São Paulo — O Grupo Fleury (FLRY3), um dos principais players de medicina diagnóstica do Brasil, entrou no segundo semestre com a varíola dos macacos sendo considerada uma emergência por autoridades mundiais de saúde e de diferentes países. A companhia já desenvolveu um teste de diagnóstico da doença e começou, neste mês, a colocar no mercado o exame molecular, cujo resultado a partir da coleta de sangue do paciente é previsto para sair em três dias úteis, ao preço de até R$ 450.

Em entrevista à Bloomberg Línea, a CEO da companhia, Jeane Tsutsui, disse que o número de casos da doença ainda é reduzido no país. O Brasil tem 1.721 casos confirmados, segundo o Ministério da Saúde, citando São Paulo (1.298) e Rio de Janeiro (190) como os estados com mais infectados.

O novo produto chega no momento em que o Fleury registra a menor participação de testes de Covid-19 em sua receita desde o início da crise sanitária em março de 2020 (3,9% no segundo trimestre vs. 8,3% no primeiro trimestre, quando o país enfrentou a onda de casos da variante ômicron).

O grupo teve uma receita bruta recorde de R$ 1,2 bilhão no segundo trimestre, um aumento de 19% na comparação anual. A CEO não atribui esse desempenho histórico apenas aos ganhos com as recentes aquisições, mas cita também o crescimento orgânico a uma taxa de 10%, impulsionado pelas apostas do grupo no seu ecossistema integrado de saúde com a diversificação de produtos e serviços.

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Sem o impacto dos exames de Covid na base de comparação, o crescimento da receita foi de 24,7%.

“Estamos mantendo uma consistência de resultados com esse novo recorde”, observou a executiva, destacando o avanço de receita tanto na oferta de exames em unidades físicas como no marketplace, que diversifica seu portfólio oferecendo teleconsultas médicas e até cirurgias de baixa complexidade.

De abril a junho, o lucro líquido do Fleury cresceu 7,6% na base anual, somando R$ 70,5 milhões. Já o Ebitda (indicador de geração de caixa operacional) recorrente aumentou 19,6%, totalizando R$ 298 milhões no período, com margem oscilando de 26,7% para 26,8%, na comparação anual.

“Serviços de atendimento móvel já representam 8,1% de nossa receita. Estamos satisfeitos também com o crescimento de novos elos de negócio, como ortopedia, oftamologia, infusão de medicamentos, centro cirúrgico ambulatorial e medicina reprodutiva”, citou a CEO.

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Aquisições

O desempenho do grupo tem sido favorecido pela integração das operações dos laboratórios capixabas Pretti e Bioclínico, ambos em setembro de 2021, e o pernambucano Marcelo Magalhães, em maio de 2022.

Desde 2017, o Fleury concluiu nove aquisições em medicina diagnóstica, que adicionaram 121 novas unidades ao portfólio de marcas do grupo, das quais 46 unidades em regiões onde já possuía operação e 75 unidades em novas regiões.

O último anúncio do Fleury foi a proposta de compra do grupo mineiro Pardini no fim do primeiro semestre. A CEO disse que no próximo dia 18 haverá uma assembleia de acionistas para aprovar o negócio e a possibilidade de um aumento de capital. E que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) já foi pré-notificado sobre a transação e que a expectativa é que a transação seja concluída no primeiro trimestre de 2023.

Já começamos a planejar a integração e mantivemos a estimativa de ganhos de sinergias com o negócio entre R$ 160 milhões e R$ 190 milhões. Não temos como afirmar quando o Cade julgará o caso, mas esperamos que isso ocorra em seis meses”, afirmou Tsutsui.

Juros e dívida

Já o CFO do Fleury, José Antonio Filippo, contou que a redução da margem líquida de 7% para 6,3% no segundo trimestre, na base anual, se deve também ao efeito da alta dos juros na dívida corrigida pelo CDI. Desde março do ano passado, a taxa Selic saltou de 2% para 13,75% ao ano.

Em junho, a dívida líquida somava R$ 2,1 bilhões, alta de 36,9% em relação ao trimestre anterior. No final do trimestre, a alavancagem da companhia era de 1,8 x, contra 1,4x no primeiro trimestre deste ano, ainda abaixo do limite de 3,0x estabelecido por instrumentos de dívida (debêntures).

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“A dívida líquida foi impactada pelo pagamento da aquisição do laboratório Marcelo Magalhães, pagamento de JCP [juro sobre capital próprio] e vencimentos de dívidas”, explicou a companhia, na apresentação de resultados.

No segundo trimestre, o grupo, que tem o Bradesco Seguros como um dos principais acionistas, informou ter investido R$ 112,8 milhões (+31,3% na base anual), principalmente em projetos de digitalização de serviços, infraestrutura de TI (tecnologia da informação) e renovação de licenças de softwares, além de novas unidades, expansão de oferta e áreas técnicas.

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Sérgio Ripardo

Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.

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