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Alexa, limpe a casa: Amazon compra empresa de robô aspirador por US$ 1,7 bi

Negócio acontece duas semanas após aquisição da One Medical e sugere retomada da estratégia de M&A, apesar de vigilância regulatória sobre a big tech

Robô aspirador Roomba, da iRobot, será adquirida pela Amazon por US$ 1,65 bilhão; febre de vendas na pandemia
Por Matt Day
05 de Agosto, 2022 | 12:59 pm
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg — A Amazon (AMZN) acaba de anunciar que irá comprar a fabricante do aspirador robô Roomba, a IRobot, por US$ 1,65 bilhão, enquanto a gigante de comércio eletrônico e de serviços na nuvem continua sua investida em dispositivos domésticos conectados à internet e em robótica.

A Amazon pagará US$ 61 por ação para a empresa com sede em Bedford, no estado de Massachusetts, de acordo com um comunicado publicado nesta sexta-feira (5). A oferta, que chega a US$ 1,7 bilhão ao incluir dívidas, representa um prêmio de 22% com base no último preço de fechamento da ação da iRobot antes do anúncio. Colin Angle permanecerá como CEO da IRobot.

As ações da Amazon recuavam cerca de 1,50% nesta sexta na Nasdaq, em dia de queda para o índice. As ações da iRobot, que caíram 24% neste ano até quinta-feira (4), subiam quase 20%.

O acordo chega duas semanas depois de a Amazon anunciar a compra de uma rede de consultórios médicos, a One Medical, e sugere que a empresa fundada por Jeff Bezos está avançando na sua estratégia de aquisições, apesar do crescente escrutínio sobre o poder de mercado da Amazon por reguladores antitruste nos Estados Unidos e na Europa.

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A Amazon, com sede em Seattle, percorreu um longo caminho como player de hardware desde uma incursão fracassada em smartphones há alguns anos, trabalhando para colocar o software de voz Alexa e os speakers inteligentes Echo no centro do crescente mercado de dispositivos domésticos inteligentes.

Os comandos de voz para a Alexa já podem controlar muitos outros dispositivos, de fornos inteligentes a lâmpadas e aspiradores Roomba. A parceria entre a Amazon e a iRobot também se estendeu além dos dispositivos: a empresa executa alguns de seus softwares em servidores da Amazon Web Services, a AWS.

O iRobot oferece à Amazon um nome familiar em aparelhos de limpeza doméstica, algo que pode proporcionar uma vantagem aos próprios projetos. Em 2021, a Amazon lançou um robô doméstico que deveria inaugurar — ou pelo menos apontar para — um futuro semelhante aos Jetsons. Chamado de Astro, o dispositivo de três rodas acabaria seria vendido por cerca de US$ 1.450. Mas o produto, ainda em fase de lançamento limitado, não causou impacto entre os consumidores.

A iRobot ampliou as vendas durante a pandemia, pois as famílias que estavam em casa buscavam formas mais simples de manter suas casas limpas. Mas, como muitos queridinhos da era da pandemia, a empresa viu a demanda diminuir. A iRobot reportou receita no segundo trimestre de US$ 255,4 milhões nesta sexta, abaixo das expectativas dos analistas, que previam US$ 301 milhões.

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A empresa também está lutando contra a JS Global Lifestyle Co. em um caso de suposta violação de patente contra seus aspiradores SharkNinja e aspiradores híbridos.

A iRobot diz que seus aspiradores Roomba e os esfregões de chão Braava “podem mapear o piso de uma casa, detectar mudanças no tipo de piso, limpar, evitar objetos e penhascos (como escadas) e se aproximar de forma inteligente de uma estação para recarregar”.

A Amazon prefere desenvolver novas tecnologias internamente, mas sua unidade de dispositivos foi rápida nos últimos anos para puxar o gatilho em aquisições que dão à empresa uma participação em um mercado aquecido. A Amazon conquistou uma posição de liderança em campainhas de vídeo com seu acordo de 2018 para comprar a Ring e adquiriu a fabricante de hubs WiFi Eero no ano seguinte.

“Estou animado para trabalhar com a equipe da iRobot para inventar maneiras que tornem a vida dos clientes mais fácil e agradável”, disse Dave Limp, vice-presidente sênior da Amazon Devices.

Vigilância regulatória

Alguns observadores próximos da empresa especularam que o escrutínio antitruste poderia levar o presidente-executivo da Amazon, Andy Jassy, a fazer uma pausa em grandes negócios. Mas isso ao que parece ainda não se comprovou na prática.

A IRobot seria a quarta maior aquisição da Amazon, ficando atrás da Whole Foods por US$ 13,7 bilhões em 2017, da compra de US$ 8,5 bilhões do estúdio de cinema MGM em março e do acordo do mês passado para comprar a 1Life Healthcare, dona da One Medical, por US$ 3,49 bilhões. A série de acordos sugere que a empresa parece estar fazendo negócios como de costume.

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O governo de Joe Biden está aumentando o escrutínio sobre os negócios de gigantes da tecnologia. A Comissão Federal de Comércio dos EUA está analisando a Amazon desde 2019 devido a preocupações antitruste com seus negócios de varejo e serviços de computação em nuvem.

Lina Khan, que se tornou presidente da agência no ano passado, ganhou fama com um documento jurídico inovador sobre as possíveis violações antitruste da Amazon e se interessou pessoalmente pela investigação. A FTC está intensificando essa investigação sob Khan, agitando a equipe de investigação, entrevistando novamente testemunhas em potencial e perguntando sobre a recente aquisição da MGM Studios pela Amazon, informou a Bloomberg News.

Buscando amenizar as preocupações de que a Amazon usaria o acordo para derrotar os rivais da iRobot, um porta-voz da Amazon disse que a empresa continuaria a fornecer aos varejistas produtos da iRobot e a vender dispositivos concorrentes nos sites de varejo da Amazon.

Após outro grande negócio da Amazon para robôs autônomos - a aquisição em 2012 da construtora de bots industriais Kiva Systems -, a empresa parou de vender os dispositivos para outras empresas, usando-os exclusivamente para abastecer os próprios armazéns da Amazon.

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O porta-voz também disse que a Amazon não tem planos de cortar outros assistentes de voz da linha de produtos da iRobot. Os proprietários do Roomba hoje podem emitir comandos para seus aspiradores a partir de softwares feitos pelas concorrentes Alphabet (GOOGL) e Apple (AAPL).

- Com a assistência de Leah Nylen.

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