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HBO Max e Discovery+ vão dar lugar a novo streaming. Entenda as mudanças

Decisão faz parte de reestruturação da nova empresa Warner Bros. Discovery. Futura plataforma, a ser lançada em 2023, deve ter modelo gratuito com mais anúncios

Warner Bros
04 de Agosto, 2022 | 08:00 pm
Tempo de leitura: 4 minutos

São Paulo — A HBO Max, plataforma de streaming reconhecida por séries como Game of Thrones e Euphoria, não vai mais funcionar no formato atual. O CEO da nova empresa combinada Warner Bros. Discovery (WBD), David Zaslav, que comanda a HBO e a Discovery, anunciou a combinação das plataformas HBO Max e Discovery+ em 2023, que vão resultar em um novo serviço de streaming, ainda sem nome.

Segundo informações de sites especializados, como o The Wrap, a futura plataforma não deve levar nem a marca HBO Max nem Discovery+.

O plano do executivo é criar uma plataforma de streaming gratuita, mas com anúncios, que possa funcionar quase como o YouTube, do Google (GOOG), e o Spotify (SPOT) em suas versões grátis. Ou como a televisão tradicional.

A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (4) por ocasião da divulgação dos resultados - considerados desapontadores - do segundo trimestre, o primeiro da nova companhia combinada com a fusão da Warner Bros. com a Discovery, que pertencia à AT&T. As ações recuavam quase 12% nas negociações do after market na Nasdaq, em Nova York.

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A gigante de entretenimento teve prejuízo de US$ 3,42 bilhões no segundo trimestre, ou US$ 1,50 por ação, 3 centavos abaixo das projeções do mercado. As receitas totalizaram US$ 10,82 bilhões, abaixo dos US$ 11,6 bilhões estimados.

Os números revelaram uma desaceleração do crescimento. A Warner Bros. Discovery tinha 92,1 milhões de assinantes em todas as suas plataformas ao fim de junho, uma alta de 1,7 milhão em relação ao primeiro trimestre.

Anúncios vieram para ficar?

A Warner Bros. Discovery não é a primeira empresa a considerar o uso de anúncios em plataformas de streaming. O presidente da Netflix (NFLX), Reed Hastings, posicionou por muito tempo a plataforma como uma alternativa sem publicidade à TV a cabo, mas agora diz que anúncios são necessários para atrair as pessoas que acham o serviço muito caro. O racional é ampliar as receitas para que o plano de entrada seja acessível.

Em março, a Disney anunciou decisão estratégia semelhante com o Disney+, que terá no fim do ano uma opção de plano com preço mais baixo, mas exibição de propaganda para bancar os custos.

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Em teleconferência com investidores após a divulgação dos resultados, a Warner afirmou que seus serviços de streaming serão combinados e lançados entre os meses de junho e agosto de 2023. A empresa também afirmou que terá um plano de migração para o novo streaming dos já assinantes da HBO Max.

O portal especializado The Wrap afirmou mais cedo que a mudança resultará em “demissões significativas para seus executivos e funcionários, citando pessoas com conhecimento do assunto.

O objetivo seria minimizar redundâncias com a HBO e um serviço de streaming combinado com o Discovery+ com uma separação mais difícil entre as operações de conteúdo com script e sem script, ou seja, com séries, filmes e reality shows.

O HBO Max foi lançado em 2020 e tinha cerca de 79 milhões de assinantes pagos no final do ano passado, segundo a companhia de dados alemã Statista.

Em abril deste ano, a Discovery comprou a AT&T e a Time Warner por US$ 43 bilhões. A decisão sobre a HBO Max e o Discovery+ acontece depois de outros cancelamentos: Zaslav retirou do ar o serviço de streaming CNN+, apontando como justificativa o que considerou uma baixa adesão de assinantes pagos.

Desde que assumiu a companhia, o novo CEO procura eliminar projetos que considera “caros e desnecessários”. No mesmo mês, durante uma conferência com investidores, Zaslav afirmou que “não estava tentando vencer a guerra ao bolso do consumidor”, em uma referência de que não entraria em uma batalha de oferecer preços mais baixos para assinaturas.

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O encerramento da HBO Max não parece ter sido motivado por falta de assinantes ou de audiência. No começo deste ano, o aplicativo e a emissora bateram recorde com a estreia da segunda temporada da série Euphoria, estrelada pela atriz norte-americana Zendaya.

O primeiro episódio atraiu ao todo 2,4 milhões de espectadores e teve uma audiência digital nove vezes maior do que a da primeira temporada, lançada antes do HBO Max, momento em que o streaming da marca ainda era o HBO Go — alvo de críticas por bugs no funcionamento. A estreia de Euphoria também foi a maior do aplicativo de streaming desde o seu lançamento.

Também mais cedo foram retiradas da plataforma produções originais da Warner como Nossos Sonhos de Marte, Superinteligência, Convenção das Bruxas, Um Pepino Americano, Confinamento e Charm City Kings. A empresa não anunciou a exclusão dos filmes e das séries em nenhuma de suas redes sociais — ao contrário das postagens no final de julho, ocasião em que confirmou que todos os oito filmes da saga Harry Potter seriam excluídos da plataforma até o fim de agosto.

A Warner cancelou recentemente o filme Batgirl, cujo orçamento chegava à casa dos US$ 90 milhões e trazia Michael Keaton de volta ao papel de Bruce Wayne. Na quarta-feira (3), a empresa disse ao site Deadline que “a decisão de não lançar Batgirl reflete a mudança estratégica de nossa liderança no que se refere ao Universo DC e à HBO Max”.

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- Versão anterior da reportagem apontava que a HBO Max será extinta, mas ainda não há informação oficial sobre se a futura plataforma, ainda que com nova configuração, levará ou não a marca atual.

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Tamires Vitorio

Tamires Vitorio

Jornalista formada pela FAPCOM, com experiência em mercados, economia, negócios e tecnologia. Foi repórter da EXAME e CNN e editora no Money Times.

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