Assaí prevê ampliar vendas com 52 novas lojas, mas rentabilidade é desafio

Rede de atacarejo, cujas ações subiram 25% no ano, acelera até o fim do ano a entrega de lojas convertidas que eram do Extra e avança por bairros centrais

Assaí avança por bairros centrais de capitais como São Paulo com a conversão de lojas que eram do Extra
29 de Julho, 2022 | 07:49 AM

São Paulo — Uma das empresas com melhor desempenho do Ibovespa no ano, com alta de 25%, o Assaí Atacadista (ASAI3) planeja executar um plano de expansão agressivo e aumentar seu volume de vendas neste segundo semestre com uma série de inaugurações de lojas em todas as regiões do país: a meta é fechar o ano com 52 novas unidades, quase o dobro do número de 2021 (28).

A empresa do segmento conhecido como atacarejo, ou cash & carry em inglês, aposta na continuidade do movimento de maior demanda por produtos mais baratos em tempos de inflação e juros elevados, depois de apresentar um lucro líquido de R$ 319 milhões no segundo trimestre (+21% em relação ao mesmo período do ano anterior).

Analistas do Bradesco BBI dizem que a rentabilidade dessas novas unidades, em sua maior parte convertidas a partir da aquisição de hipermercados Extra que pertenciam ao GPA (PCAR3) em outubro de 2021, será um indicador fundamental para o investidor avaliar se o negócio valeu a pena.

“Temos 50 obras em andamento e vamos gerar mais de 10 mil postos de trabalho”, disse o CEO do Assaí, Belmiro Gomes, à Bloomberg Línea.

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A expansão ocorre no contexto do processo de conversão - de hipermercados para atacarejos - dos 70 pontos comerciais adquiridos do Extra Hiper.

Na última terça-feira (26), a unidade de Ceilândia (DF) abriu suas portas e, nesta quinta (28), a loja Campina Grande Mirante (PB). Com as novas lojas, o Assaí dá início às entregas do primeiro bloco de conversões, que prevê a abertura de até 40 unidades até o fim de 2022.

Segundo Gomes, o Assaí começou sua história com a abertura de atacarejos nos bairros de periferia das grandes cidades. Agora com a conversão das lojas do Extra, a companhia aumenta sua presença física em regiões mais centrais, como é o caso da unidade próxima do Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista.

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O formato do atacarejo está se transformando. Aumentamos a oferta de produtos, o sortimento e os serviços, mas o foco ainda é oferecer preços até 15% mais baixos, em média”, afirma Gomes.

Repercussão

O balanço trimestral do Assaí confirmou expectativas positivas de alguns analistas. Houve um forte crescimento nas vendas (+33% em relação ao segundo trimestre de 2021) e no Ebitda (+30% na mesma base de comparação para o indicador de geração de caixa operacional).

“Os resultados mostram que a empresa está em um bom momento ao embarcar na abertura destas lojas convertidas, com os consumidores procurando os preços mais baixos, a inflação apoiando o crescimento das vendas [mesmo que haja algum trade-down – procura por produtos mais baratos], o investimento em preços impulsionando o crescimento do volume e a diluição de custos e a recuperação do tráfego B2B”, disseram analistas do Bradesco BBI.

O Itaú BBA também considerou positivo o resultado do Assaí, destacando que a companhia implementou uma estratégia comercial mais agresssiva, com margem Ebitda de 7,4%, acima do esperado. “Os resultados do segundo trimestre podem gerar mais ventos favoráveis para a ação.”

‘Make or break’

Segundo o CEO do Assaí, um dos efeitos das inaugurações das lojas será aumentar a geração de caixa da companhia e reduzir a necessidade de alocar capital para investimentos em expansão.

Com a aquisição dos hipermercados do Extra em outubro do ano passado, houve um aumento da alavancagem da empresa. A relação dívida líquida/Ebitda atingiu 2,7x, mas a companhia espera que esse patamar seja o pico e que, até o final de 2023, recue para 2x.

O anúncio da venda das lojas Extra Hiper apontava que o preço pago pelo Assaí ao GPA seria de R$ 5,2 bilhões, dos quais R$ 4 bilhões deveriam ser pagos de forma parcelada, entre dezembro de 2021 e janeiro de 2024. O preço foi apontado como elevado por alguns analistas do mercado.

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O CEO do Assaí disse que a localização das unidades do Extra é estratégica, pois se a companhia fosse adquirir esses imóveis no mercado imobiliário teria desembolsado mais.

O relatório do Bradesco BBI sobre o balanço trimestral cita a importância da rentabilidade a ser registrada pelas unidades convertidas para as perspectivas da companhia. “A abertura dessas lojas (adquiridas da GPA) é agora o tema dominante para o caso de investimento de Assaí, e os próximos meses serão ‘make or break’ para mostrar aos investidores se o aumento de vendas (para 3x o nível anterior) é realizável e se o preço pago à GPA valeu a pena (mesmo achando que foi alto).”

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Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.