Negócios

Sem crise: Mercedes ainda vê demanda maior que oferta

Maior montadora de carros de luxo do mundo espera que lucro do grupo seja um pouco maior do que no ano passado

Na Mercedes, entregas caíram 7% durante o segundo trimestre
Por William Wilkes
27 de Julho, 2022 | 01:21 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A Mercedes-Benz elevou as perspectivas para 2022, esperando que mais novos modelos a mantenham perto de atender a demanda durante o resto do ano.

A montadora apontou para pedidos “sólidos” e demanda “saudável e de alta qualidade” por veículos como o carro-chefe EQS elétrico, ao mesmo tempo em que divulgou resultados do segundo trimestre melhores do que o esperado nesta quarta-feira (27). Uma nova versão SUV do modelo se juntará à linha ainda este ano e ajudará a atrair mais compradores.

“Vemos uma demanda saudável em todos os principais mercados”, disse o CEO Ola Kallenius em uma teleconferência com analistas. “Talvez seja o resultado de estar no terceiro ano de restrição artificial da escassez de semicondutores.”

A maior montadora de carros de luxo do mundo agora espera que o lucro do grupo seja um pouco maior do que no ano passado, em vez de inalterado, enquanto os retornos da fabricação de automóveis são vistos entre 12% e 14%, um pouco mais alto do que antes.

PUBLICIDADE

Embora aposte em alguns meses sólidos à frente, a Mercedes conversou com outros grandes fabricantes sobre preocupações com a alta inflação, problemas na cadeia de suprimentos e uma piora da crise de fornecimento de energia na Europa. As montadoras continuam lutando contra a escassez de chips que levou a paralisações generalizadas na produção. A maioria dos fabricantes está vendo sinais de afrouxamento do impasse, embora ainda estejam longe de ter certeza que irão adquirir o suficiente dos componentes de alta tecnologia.

Na Mercedes, as entregas caíram 7% durante o segundo trimestre devido à falta de chips e outros desafios logísticos.

O que diz a Bloomberg Intelligence:

  • A Mercedes elevou a projeção para 2022 após superar estimativas no segundo trimestre - auxiliada pela produção excedendo entregas - com o segundo semestre definido para se beneficiar da flexibilização das restrições de oferta, demanda reprimida e reconstrução de estoque, embora as perspectivas para 2023 continuem sendo nossa preocupação com os temores de recessão e racionamento de gás. Os carros relataram uma margem Ebit de 14% no segundo trimestre, embora abaixo de 16,5% no primeiro trimestre, permitindo que o guidance de margem fosse elevado para 12% a 14% (de 11,5% a 13%) com consenso já no topo.
    • Michael Dean, analista de setor automotivo da BI

Lotes de revendedores vazios permitiram que as montadoras abolissem os descontos típicos e os preços dos veículos usados também dispararam. A Mercedes, como outras montadoras, priorizou a produção de seus modelos mais lucrativos, uma estratégia que também está alinhada com a mudança da empresa para carros mais sofisticados para rivalizar com a líder elétrica Tesla.

PUBLICIDADE

A Mercedes também tomou outras medidas para manter suas operações em funcionamento devido à ameaça de racionamento de gás na Alemanha, depois que a decisão da Rússia de cortar o fornecimento através de um importante oleoduto do Mar Báltico levantou temores de uma interrupção abrupta das entregas durante o inverno. A fábrica de Sindelfingen, onde a empresa faz os sofisticados Classe S e Maybach, agora pode funcionar sem gás natural, combustível normalmente usado nas operações de pintura da montadora.

“Podemos, em algumas circunstâncias, substituir o gás por petróleo e também estamos analisando um pacote de medidas de eficiência”, disse Kallenius em entrevista à Bloomberg Television. “Estamos nos preparando para algumas incertezas, para cenários e tentando tornar nossas operações mais resilientes.”

Caso o gás se torne escasso, a empresa poderá continuar a operação plena com metade de seu fornecimento habitual se as autoridades alemãs permitirem que ela agrupe o combustível entre as usinas do país. Isso implicaria dar crédito à empresa por reduzir o uso de gás em suas fábricas de Stuttgart, por exemplo, e não pedir um corte no consumo em sua fábrica de Bremen, mesmo que não haja compartilhamento físico de fornecimento de gás entre as instalações.

Veja mais em bloomberg.com

Leia também:

Alphabet e Microsoft dão esperanças de que techs podem superar receio com recessão

André Esteves quer BTG Pactual maior que o Itaú

PUBLICIDADE