ESG

ETF usa tecnologia para promover equidade de gênero em empresas

Índice Teva Mulheres na Liderança rastreia e atribui pontos para empresas negociadas na B3 com mulheres em conselhos, diretorias e outros órgãos

Estátua da "Garota sem Medo" em Wall Street: 69% das companhias brasileiras têm hoje a presença de uma mulher no conselho administrativo, ante 36% em 2016
25 de Julho, 2022 | 08:25 am
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg Línea — O avanço da presença de mulheres em cargos de liderança de empresas brasileiras tem sido considerável, e os números começam a refletir essa realidade. Todas as esferas de governança de empresas acompanhadas em um índice pioneiro para seguir a diversidade de gênero apresentaram aumento da presença de mulheres na comparação com o último informe, de abril deste ano.

O dado faz parte do Score Teva Mulheres na Liderança, uma pontuação obtida por meio de um sistema de inteligência artificial que rastreia e atribui pontos para cada uma das empresas brasileiras com ações negociadas na B3 (B3SA3) - e que ajuda a rebalancear, a cada 3 meses, o Índice Teva Mulheres na Liderança (ELAS11) que serve de referência para o investimento apenas em empresas que têm certa participação de mulheres em cargos de liderança.

O índice é replicado pelo ETF (Exchange Traded Fund), lançado em março deste ano, o primeiro fundo de índice de ESG focado na diversidade de gênero no mercado brasileiro. Atualmente, 66 empresas compõem o índice, que é gerido pela Safra Asset. Entre elas, algumas se destacam como as mais diversas, como é o caso da Vivara (VIVA3) e da Totus (TOTS3), que possuem as maiores pontuações.

O sistema também identificou que 69% das companhias brasileiras têm hoje a presença de pelo menos uma mulher no conselho administrativo, ante 36% em 2016.

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“Quando olhamos para o panorama geral, que é refletido no score, vemos que o conselho de administração [em termos de presença feminina] está bem avançado. Mas, quando se trata de outros órgãos de governança, ainda há um longo caminho a seguir”, diz Solly Sayeg, sócio da Teva Indices.

De acordo com o score, 57% das empresas brasileiras negociadas em bolsa não possuem nenhuma mulher na diretoria, em conselhos fiscais ou em comitês de auditoria. Considerando os cargos auditados em conselhos, diretorias e comitês, apenas 15,5% são ocupados por mulheres.

Tecnologia para ver melhor

De acordo com Sayeg, o sistema de inteligência artificial utilizado pela empresa faz um rastreamento de todas as empresas listadas na bolsa e em seus principais órgãos de governança. Para chegar a um resultado final, são levados em conta todos os homens e mulheres em órgãos de conselhos administrativos, diretoria, conselhos fiscais e comitês.

A partir do rastreamento é gerado uma pontuação por cada empresa, com pesos diferentes atribuídos para cada órgão de governança, sendo 60 pontos para os órgãos de administração e 15 para diretoria. Há bônus para empresas que atingiram igualdade em algum órgão ou que estão aumentando o número de mulheres, bem como penalização para empresas que estão diminuindo o número de mulheres ou que não tem mulheres em órgãos de governança.

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Outros fatores também são levados em conta, como liquidez e free float, que é o percentual das ações de uma empresa que está em circulação na bolsa. “O objetivo é ser um índice amplo, bastante correlacionado com o Ibovespa”, explica Sayeg. A frente de dados e de seleção das empresas é totalmente automatizada, enquanto a replicação do fundo é feita pela Safra Asset.

Os 50 pontos indicam que há uma igualdade de gênero. No entanto nenhuma empresa chegou ao número, embora algumas se destaquem, como é o caso da Vivara (VIVA3), com 44,5 pontos, seguido pela Totus (TOTS3), com 40,7 pontos.

“Falar de diversidade de gênero é uma coisa. Trazer números que atestam isso, outra. A partir da evolução, mês e mês a mês, ano a ano, eu diria que isso por si só influencia uma mudança”, diz Sayeg.

Saldo dos ETFs

No acumulado entre julho de 2016, quando o índice começou a ser acompanhado, até o fechamento de junho deste ano, o Teva Mulheres na Liderança teve valorização de 95,5%, ante 88,7% do Ibovespa, de acordo com dados da companhia. Já em 2022, o retorno acumulado foi de -5,7% até o meio de julho, ante -6,2% do Ibovespa no mesmo período.

Dados do ETF Data mostram que, em junho de 2022, os ETFs apresentaram uma captação líquida de aproximadamente R$ 2,2 bilhões no Brasil. Dados da Anbima também mostram que, enquanto os fundos de ações nacionais sofreram resgates de aproximadamente R$ 51 bilhões em 2022, os ETFs apresentaram resgates 46 vezes menores.

Até o começo de julho, os fundos de ações apresentaram captação liquida negativa de R$ 50,9 bilhões, contra resgates de R$ 1,1 bilhão dos ETFs de ações nacionais.

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Para Luiz Felippo, sócio e analista de fundos da Nord Research, o movimento pode ser explicado pela vantagens que os ETFs possuem. “O custo é mais baixo se comparado com outras alternativas de investimento, e o produto facilita o acesso à diversificação da carteira.” Ou seja, se torna mais acessível diversificar. Mas ele também alerta que é preciso saber “onde o ETF é bem usado.

“O mercado americano, por exemplo, é muito mais maduro para essa discussão. Aqui no Brasil ainda temos muita assimetria e os gestores ativos conseguem gerar bastante alfa. Lá o mercado é mais maduro e aqui é muito incipiente nesse sentido”, explica.

Segundo informações da Bloomberg Intelligence, os emissores dos ETFs podem ganhar um impulso com uma nova classe de produtos e uma possível recuperação nos mercados financeiros e há otimismo de que tanto os registros quanto as listagens em bolsa de novos fundos possam retornar no segundo semestre de 2022 nos Estados Unidos, após um primeiro semestre em que o patrimônio de fundos negociados em bolsa encolheu em cerca de US$ 1 trilhão no país.

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Melina  Flynn

Melina Flynn

Melina Flynn é jornalista naturalizada brasileira, estudou Artes Cênicas e Comunicação Social, e passou por veículos como G1, RBS TV e TC, plataforma de inteligência de mercado, onde se especializou em política e economia, e hoje coordena a operação multimídia da Bloomberg Linea no Brasil.

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