Mercados

Gestores reduzem projeções do Ibovespa e veem dólar mais forte no fim do ano

Bank of America diz que contexto macro desafiador, com temor de recessão e proximidade da eleição, têm levado investidores a ficarem mais cautelosos

Cerca de 75% dos gestores consultados pelo BofA veem o dólar encerrando 2022 entre R$ 5,11 e R$ 5,70
19 de Julho, 2022 | 12:35 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — Com a continuidade de um cenário macro desafiador e a proximidade da eleição presidencial no Brasil, gestores de fundos de investimento têm projetado uma piora dos mercados, revisando para baixo suas expectativas para o Ibovespa (IBOV), e projetando um dólar (USDBRL) mais forte no fim do ano. É o que mostra pesquisa mensal do Bank of America (BAC) com gestores.

De acordo com o relatório “Latam Fund Manager Survey” mais recente, divulgado nesta terça-feira (19), dois terços dos entrevistados estimam que o Ibovespa encerrará o ano negociado entre 95 mil e 110 mil pontos. O patamar implicaria alta de até 13,5% em relação ao fechamento do último pregão (18). No levantamento de junho, a maior parte via o índice negociado entre 110 mil e 130 mil pontos em dezembro.

Segundo a pesquisa, 40% dos investidores consultados dizem que se preocupariam com os planos fiscais dos candidatos no Brasil apenas após as eleições, enquanto 45% já estão preocupados com a situação fiscal no curto prazo.

Com relação à taxa básica de juros, 61% dos gestores esperam a Selic entre 13,5% e 13,75% ao ano em dezembro. Já para o dólar, o mercado tem estimado uma moeda mais valorizada no fim do ano. O percentual de investidores consultados que veem o dólar entre R$ 5,11 e R$ 5,70 cresceu de 9%, em junho, para 74% no levantamento deste mês.

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A moeda é considerada um “porto seguro” em momentos de grande turbulência dos mercados e tende a se valorizar com investidores fugindo de ativos mais arrojados.

América Latina

Na avaliação dos gestores consultados pela pesquisa, o maior risco para a América Latina hoje é o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos. Uma desaceleração da economia americana e o cenário para commodities aparecem na sequência.

O percentual de investidores que esperam que os estímulos na China contribuam para preços mais elevados para as matérias-primas em 2022 subiu, de 55%, em junho, para 71% este mês.

Devido às incertezas, os níveis de caixa estão em 6,8% (acima da média histórica da pesquisa, de 4,5%), enquanto o percentual de investidores tomando mais risco que o normal está em 16%, abaixo da média, de 23%.

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Entre as maiores posições overweight (acima da média do mercado) estão o setor financeiro e o de energia. Os gestores na América Latina, contudo, estão mais underweight (abaixo da média do mercado) em consumo discricionário, materiais e no setor de telecomunicações.

a preferência dos investidores consultados recai sobre empresas de valor e consideradas “de alta qualidade”, bem como expostas a commodities.

O estudo conduzido pelo Bank of America foi realizado neste início de julho e contou com a participação de 31 gestores, que somam cerca de US$ 47 bilhões sob gestão.

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.

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