Mercados

Europa sobe e contraria futuros dos EUA, onde mercado à vista não opera por feriado

Apesar de notícias macroeconômicas ruins, as ações europeias subiam pela primeira vez em quatro dias, levantadas pelos caçadores de barganhas

As variáveis que orientarão os mercados
04 de Julho, 2022 | 08:30 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Barcelona, Espanha — (Esta é a versão atualizada da nota publicada originalmente às 6h44)

O dia será de pouco volume financeiro, já que as bolsas norte-americanas e o mercado de títulos estarão fechados nos Estados Unidos pelo dia da Independência. As bolsas europeias subiam no começo da manhã, embora sem o respaldo de boas notícias. O impulso de alta, o primeiro em quatro dias, vem da ação dos caçadores de barganhas. Os contratos futuros de índices (estes, sim, são negociados hoje nos EUA) recuam, depois que os índices de referência registraram sua 11ª queda em 13 semanas.

A dupla ameaça de desaceleração econômica (podendo até desembocar em recessão) e uma inflação persistentemente alta esfriam os ânimos. As ações e títulos em todo o mundo estão na pior fase de vendas em pelo menos três décadas, já que as possibilidades crescentes de uma recessão nos EUA - ou mesmo globalmente - assustam os investidores. Ao mesmo tempo, a inflação persistente deixou pouco espaço para que o Federal Reserve abrandasse o aperto monetário. Esta combinação prejudicial apresenta mercados com um desafio comercial não visto desde o final dos anos 70.

→ O que orientará os mercados

A semana se apresenta como um período de poucas referências chamativas em termos macro e microeconômicos. Haverá uma pausa na divulgação dos balanços corporativos referentes ao segundo trimestre, cuja temporada começou timidamente na semana passada. Mas nas semanas subsequentes de julho, além do retorno das demonstrações financeiras, o mercado volta a aquecer os motores para as decisões sobre juros do Banco Central Europeu (BCE) e do Federal Reserve (Fed).

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⛈️ Nuvens carregadas na Europa. Durante a manhã, uma notícia chamou a atenção para a crise que parece estar chegando: as exportações da Alemanha caíram inesperadamente em maio e o país registrou o primeiro déficit comercial mensal em três décadas, desde 1991.

As vendas transfronteiriças diminuíram 0,5%, mas os economistas projetavam uma alta de 0,7%. Ao mesmo tempo, as importações aumentaram 2,7%, muito mais do que o previsto. A invasão russa à Ucrânia e as restrições à mobilidade pela covid na China estão causando estragos nas cadeias de abastecimento internacionais e trazendo conseqüências substanciais para a economia alemã, voltada para a exportação.

👀 Ceticismo. Ou pessimismo? O aumento da inflação e os sinais de desaceleração da economia, que deve se abalar com o aumento de taxas de juros, levou a uma piora na confiança dos investidores da Zona do Euro. O indicador de Confiança Sentix piorou em julho para o nível mais baixo desde junho de 2020. Marcou -26,4, contra estimativas de -20 e os -15,8 reportados anteriormente. O componente Expectativas caiu de -24 para -35,8 e a Situação Atual piorou de -7,3 para -16,5.

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Um panorama dos mercados em dia de feriado para o mercado à vista nos EUAdfd
🟢 As bolsas na sexta-feira: Dow Jones Industrials (-0,82%), S&P 500 (-0,88%), Nasdaq Composite (-1,33%), Stoxx 600 (-1,50%), Ibovespa (-1,08%)

Nos EUA, as bolsas tiveram dificuldade em manter os ganhos. O índice S&P 500 teve seu pior primeiro semestre desde 1970, enquanto o Nasdaq 100, com grande exposição ao setor de tecnologia, perdeu quase um terço de seu valor este ano, apagando cerca de US$ 5,4 trilhões em uma liquidação que deixou poucas ações ilesas. No Brasil, o Ibovespa foi afetado pelo cenário externo e também pelos riscos fiscais, que vieram à tona com as pressões para reduzir os preços dos combustíveis e com propostas de novos auxílios.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• Feriado: Estados Unidos (Dia da Independência)

• Europa: Zona do Euro (Confiança do Investidor Sentix/Jul, IPP/Mai); Alemanha (Balança Comercial/Mai); Espanha (Variação no Desemprego)

• América Latina: Brasil (Boletim Focus, Empréstimos Bancários/Mar, Balanço Orçamentário/Mai)

• Ásia: Japão (Massa Salarial Geral de Empregados/Mai, PMI do Setor de Serviços/Jun); China (PMI do Setor de Serviços Caixin/Jun)

• Bancos centrais: Discursos de Joachim Nagel (presidente do Bundesbank), Luis de Guindos (BCE) e Frank Elderson (BCE)

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📌 Para a semana:

• Terça-feira: Decisão sobre os juros da Austrália, PMIs para a Zona do Euro, China, Índia, entre outros. EUA: Pedidos às fábricas, dados sobre bens duráveis

• Quarta-feira: Ata do FOMC/Fed. EUA: Indicador PMI, índice ISM de serviços, Pesquisa JOLTS sobre o mercado de trabalho

• Quinta-feira: Informe do BCE sobre sua reunião política de junho. Christopher Waller e James Bullard, do Fed, se pronunciam. Relatório sobre os estoques de petróleo bruto do EIA

• Sexta-feira: Relatório de emprego dos EUA de junho. Discurso da presidente do BCE, Christine Lagarde

(Com informações da Bloomberg News)

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.