Bloomberg Green

Foco em investimentos em ESG não é estratégia do passado

Professor de Harvard destacou sistema de gestão de risco da Natura, afirmando que é uma empresa única entre as de países de fora da OCDE

Mesmo após escândalos de greenwashing, investimentos sustentáveis ainda podem ser lucrativos no longo prazo
Por Tim Quinson
02 de Julho, 2022 | 10:29 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — Muito se fala sobre a crise de ESG. Na melhor das hipóteses, os críticos consideram que a estratégia de investimento está em uma encruzilhada; na pior das hipóteses, julgam que a preferência implacável de Wall Street pela sobrevivência das espécies condenou a estratégia desde o início.

Aproximadamente US$ 2,7 trilhões estão alocados em fundos que afirmam focar em riscos financeiros ligados ao meio ambiente, questões sociais e governança corporativa, ou ESG. Embora os investidores já estivessem céticos com todos os exemplos espetaculares de marketing e greenwashing escrachado, o mercado em baixa deste ano gerou maior escrutínio de uma das promessas financeiras de ESG: que a estratégia ajuda a limitar perdas em períodos de baixa.

Os órgãos reguladores estão circulando, investidores estão começando a fugir dos fundos rotulados como ESG, e os políticos (e até mesmo alguns bilionários) estão questionando a relevância do setor. Analistas do Credit Suisse (CS) afirmaram que a possibilidade de saídas de ativos é “um risco real” no segundo semestre, principalmente com os aumentos nas taxas de juros pelo mundo.

Mas nem todos acreditam que ESG é passado. De fato, algumas pessoas enxergam o lado bom dessa prova de fogo de ESG.

PUBLICIDADE

Todd Cort, professor da Universidade de Yale, e Georg Kell, presidente de gestão de ativos do Arabesque, escreveram em um artigo de opinião publicado pelo Barron que o debate sobre “a validade de ESG não anuncia o fim do investimento em ESG, mas sim uma transição para uma grande melhoria”.

Cort reiterou que o ESG não vai a lugar algum. A combinação de mudanças regulatórias e tecnológicas, o impacto da crise climática e as normas sociais em evolução tornarão os fatores de ESG ainda mais relevantes nos futuros valuations do mercado, disse ele em entrevista.

Embora seja difícil avaliar a ligação entre ESG e desempenho financeiro no curto prazo, é possível fazê-lo no longo prazo, pois a não descarbonização das operações de empresas causará um “dano enorme e possivelmente irreversível”, escreveram Cort e Kell em seu artigo.

Além disso, há um perigo real de que a atual retaliação contra o ESG atrase o movimento de capital em direção a investimentos mais sustentáveis, justamente quando esse dinheiro é mais urgente, disseram eles.

PUBLICIDADE

Um relatório divulgado em fevereiro pelos melhores cientistas climáticos do mundo certamente trouxe um panorama deprimente. A velocidade do aquecimento global excede em muito o ritmo dos esforços para proteger bilhões de pessoas vulneráveis. As consequências são pavorosas, incluindo um aumento nas doenças e mortes relacionadas ao calor e nas doenças infecciosas e transmitidas por alimentos.

Temperatura média global nos últimos 50 anosdfd

Muitas empresas estão desenvolvendo modelos de negócios “mais inteligentes, limpos e ágeis” para enfrentar a crise climática, e a adesão ao ESG terá um papel central na transição energética, disse Cort, que é codiretor da faculdade do Centro de Negócios e Meio Ambiente de Yale e da Iniciativa Yale sobre Finanças Sustentáveis.

Ele destacou três empresas pelo que descreveu como capacidades de ESG de sucesso: a Hannon Armstrong Sustainable Infrastructure Capital, a Unilever (UL) e a Natura (NTCO3).

A Hannan Armstrong se beneficiará de sua relação com o setor de energia solar que prosperará com os subsídios governamentais à medida que os países tomam medidas para melhorar a infraestrutura energética, disse Cort.

A Unilever é conhecida mundialmente por suas marcas de bens de consumo sustentáveis, ao passo que a Natura é incomparável entre as empresas de países não-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico por ter sistemas sólidos gestão de risco empenhados em enfrentar os desafios de ESG, disse.

“Embora a possível desaceleração do capital no curto prazo não seja grande considerando a necessidade da sociedade, ela permitirá que o mercado esclareça e foque nos aspectos de ESG financeiramente relevantes no longo prazo”, disse Cort.

PUBLICIDADE

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também

Os principais pontos da PEC de R$ 41,2 bilhões que amplia benefícios sociais

Por que investidores ainda estão otimistas com startups da América Latina

PUBLICIDADE