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Fim da era low cost? CEO da Ryanair diz que passagens vão subir por 5 anos

Reajustes são necessários para que companhias sejam competitivas, disse ao Financial Times o executivo de companhia símbolo das viagens econômicas no mundo

A irlandesa Ryanair é considerada a companhia aérea pioneira no segmento de transporte low cost no mundo
Por Andrew Davis
02 de Julho, 2022 | 03:30 pm
Tempo de leitura: 1 minuto

Bloomberg — As passagens aéreas estão “muito baratas” e precisarão aumentar pelos próximos cinco anos para que as companhias aéreas consigam permanecer competitivas, disse o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, ao jornal britânico Financial Times em entrevista.

A Ryanair foi pioneira na era das viagens econômicas na década de 1980, inaugurando o segmento das companhias low cost. Ofereceu passagens a preços mais baixos que tornaram as viagens aéreas acessíveis a milhões de pessoas, ao mesmo tempo em que pressionava as margens de lucro das concorrentes de serviço completo, que tiveram menos espaço para aumentar as passagens como antes.

Mas o quadro mudou. Agora, na Europa, o aumento dos preços do petróleo e as taxas ambientais mais altas elevariam o custo de uma passagem média da Ryanair de € 40 (cerca de US$ 41) para um patamar entre € 50 e € 60 (US$ 52 a US$ 62), disse ele ao jornal britânico. Um aumento da ordem de até 50%.

No Brasil, os preços médios das passagens aéreas praticamente dobraram no último ano: a variação foi de 88,65% nos últimos 12 meses até maio, segundo dados do IPCA medidos pelo IBGE.

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“Tem sido um trabalho meu. Ganhei muito dinheiro fazendo isso”, disse O’Leary, que comanda a Ryanair desde 1994, ao FT. “Mas, em última análise, não acredito que as viagens aéreas sejam sustentáveis a médio prazo com uma tarifa média de € 40. É muito barato.”

Os preços do petróleo provavelmente permanecerão altos porque levará alguns anos até que “nos possamos nos livrar do petróleo e do gás russos”, disse ele.

Os custos de combustível da companhia aérea irlandesa devem ficar estáveis pelo menos pelo resto do ano, porque ela havia contratado hedge (proteção) para a maior parte de seu combustível futuro em US$ 65 por barril, disse ele.

O preço do barril de petróleo bruto está perto de US$ 110 por barril, depois de ter superado a marca de US$ 130 nos meses iniciais do ano, com o impacto da guerra da Rússia contra a Ucrânia. São os patamares mais elevados desde 2014 (no caso do pico neste ano).

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- Com a Bloomberg Línea

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