Ter uma aposentadoria tranquila em termos financeiros requer planejamento de décadas, dizem especialistas
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Bloomberg Opinion — As taxas de inflação nos EUA são as mais altas desde o início dos anos 1980 e também estão aumentando pelo mundo. E não é só isso. As ações estão oficialmente em baixa; o índice de referência S&P 500 (SPX) caiu 20% desde seu pico no início de janeiro.

A confiança do consumidor não esteve em níveis tão baixos desde novembro de 2008, durante a crise financeira global, e como aponta Kenan Fikri, diretor de pesquisa do Grupo de Inovação Econômica, as pessoas estão se sentindo mais pessimistas sobre a segurança de sua aposentadoria.

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Aqueles que ainda estão trabalhando e se aproximam da aposentadoria parecem ser os que devem tomar as decisões mais cruciais. Os mais jovens ainda dispõem de tempo para que os mercados financeiros e a economia melhorem. Aqueles que já estão aposentados há algum tempo provavelmente já tomaram muitas de suas grandes decisões, para melhor ou para pior.

Os que devem se aposentar em breve estão reavaliando o momento de parar de trabalhar, a possibilidade de se mudar e como organizar seus gastos. Não há respostas fáceis, mas há algumas maneiras de se preparar e algumas coisas úteis para ter em mente ao tomar essas decisões.

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Primeiro, se você for um trabalhador mais velho, lembre-se que em uma recessão você corre mais o risco de perder o emprego que um trabalhador mais jovem. Isso significa que você vai precisar de uma reserva de emergência. Certifique-se de que você tenha o suficiente para pagar suas despesas básicas por alguns meses. Se você ainda não tem uma reserva, mas estava planejando comprar um carro novo ou tira férias, é melhor mudar o foco para criar um fundo. Ainda assim, entendo que criar uma reserva pode ser irrealista para aqueles que já estão com dificuldades financeiras.

Também é imprudente tentar encaixar as decisões da vida no que os mercados acionário ou imobiliário estão fazendo ou podem fazer. Se você precisar se mudar, vá. Escolher um imóvel menor geralmente é uma boa ideia, pois provavelmente significa dar uma entrada menor, e, além disso uma casa pequena ou apartamento será mais barato para manter. Um condomínio pode parecer “superfaturado”, mas, pensando bem sua casa suburbana também é “superfaturada”. Mesmo em uma recessão, pode seguir esta regra: compre o imóvel se for morar nele por mais de cinco anos e alugue se for ficar menos tempo.

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Se puder dar uma entrada maior, é mais prudente, principalmente com o aumento das taxas de juros. Dito isto, não use suas reservas como um dinheiro que está sobrando. Se sentir que está sobrecarregando suas finanças, considere comprar um imóvel mais barato com um período de financiamento mais curto. A parcela será maior, mas os juros serão mais baixos.

Em termos de investimento, pense no prazo. Se estiver planejando se aposentar nos próximos cinco anos, qualquer dinheiro que seja necessário no curto prazo não deve ser investido em ações. Mas se tiver mais tempo, vá em frente. As ações podem estar em baixa, mas isso significa que são mais baratas. Se as recessões passadas indicaram alguma coisa, foi que o mercado de ações deve levar cerca de cinco anos para se recuperar.

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Ao fazer as contas sobre quanto tempo seguir trabalhando, lembre-se dos benefícios de atrasar o recebimento da previdência. Embora a incerteza do emprego e a alta inflação façam com que a oportunidade de receber pagamentos o mais cedo possível seja tentadora, quase todos se beneficiam se demorarem a coletar os pagamentos.

Por fim, vale a pena colocar a escassez temporária de mão-de-obra a seu favor enquanto você estiver trabalhando. Peça um aumento ou uma promoção enquanto os empregadores fazem de tudo para manter e atrair trabalhadores. Enfatize como você ajuda a resolver os problemas de seu empregador. Ninguém vai ser persuadido se você disser que precisa de mais dinheiro porque a recessão chegou justamente quando você estava planejando se aposentar.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

Teresa Ghilarducci é professora de economia Schwartz na New School for Social Research. É coautora de “Rescuing Retirement” e membro do conselho de diretores do Economic Policy Institute.

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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