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Por que essa startup de agro do Texas está vindo para o Brasil agora

“Agora é provavelmente um dos momentos mais importantes para investir na agricultura”, disse o CEO da GrainChain

¿Qué le espera a las materias primas en la segunda mitad del año?
29 de Junho, 2022 | 03:55 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — A startup americana de software para o agronegócio GrainChain fez uma parceria com a brasileira MasterBarter para começar a operar no Brasil. A empresa trabalha com digitalização da cadeia de suprimentos, com modelos de negócios que vão desde a produção até as transações.

A GrainChain nasceu no Texas, mas seu maior escritório é em Guadalajara, no México. A empresa também atende a América Central por meio de um escritório em Tegucigalpa, em Honduras.

Com a inflação elevando os custos no mundo inteiro, Luis Macias, CEO da GrainChain, disse à Bloomberg Línea que a única coisa que o mundo não vai parar de fazer, por pior que a situação fique, é comer. “Se não produzirmos alimentos suficientes, o impacto do aumento do custo de alimentos básicos como grãos causaria devastação”, disse.

Por isso, a empresa vem desenvolvendo softwares agrícolas nos últimos dez anos com foco em primeira milha, rastreabilidade, logística, integração com Internet das Coisas para grãos. A startup ganha nas transações pela plataforma, ou em um modelo de assinatura ou até por SaaS (Software as a Service), “pague pelo que usar”.

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A GrainChain trabalha com 24 produtos diferentes, desde café, azeite de dendê, girassol e milho, com foco em produtos agrícolas. A empresa não opera com gado.

“Temos a capacidade de trabalhar a partir de vários modelos. Nosso foco principal com a Masterbarter é um modelo transacional muito eficaz que inclui crédito”, disse Macias.

“Nosso objetivo é trazer liquidez efetiva, financiamento para o agricultor, e poder fazer isso com sistemas totalmente automatizados. No Brasil, fizemos parceria com a MasterBarter e a Mastercard para sermos capaz de trazer soluções totalmente digitais para o pequeno e médio agricultor, para que ele não apenas possa acessar liquidez instantânea, mas tenha a capacidade de ter uma transação rastreável transparente em nossa plataforma”, afirmou.

O CEO disse ainda que é importante encontrar parceiros locais para cada país em que opera para entender o negócio e ter relações com a comunidade do agro.

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A GrainChain desenvolve sua tecnologia dos escritórios do México e dos Estados Unidos, e no Brasil a Masterbarter será sua representação física para vendas.

“O Brasil sempre foi nosso sonho. Quando você começa a olhar para a tecnologia agrícola, o Brasil é o melhor cliente que você quer ter. O Brasil não é apenas um dos mercados de grãos mais importantes do mundo, mas também é o parceiro perfeito para nossa tecnologia. Há ótima conectividade, excelente relacionamento com os bancos, há open banking e uma forte recepção à tecnologia com jovens agricultores”, disse Macias.

A GrainChain está expandindo para o Brasil com capital próprio, mas não descarta captar com venture capital no futuro para uma expansão mais rápida.

A startup completou sua Série A há cerca de dois anos. Macias diz que a empresa vai crescer seis vezes sua receita este ano em relação ao ano passado. “Atingimos o ponto de equilíbrio em muitos dos meses anteriores do ano, por isso estamos em um lugar positivo.”

A empresa começou o ano com cerca de 18 mil usuários e deve fechar 2022 com mais de 30 mil usuários. “Fazemos grãos, commodities em grande escala, um usuário pode ser muito significativo.”

Em um momento em que startups de diversos setores estão demitindo e sendo mais cautelosas com a queima de caixa, o CEO diz que, embora o futuro seja muito incerto agora, levando o setor de tecnologia a pisar no freio, a agricultura funciona de maneira diferente.

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À medida que os preços dos insumos e dos alimentos estão subindo, Macias vê uma oportunidade para os produtores e, para gerenciar a volatilidade, ele diz que eles precisam de tecnologia e investimento.

Ele acredita que com a inflação aumentando os custos, se os países não tiverem produção doméstica, será difícil importar.

“Temos um problema significativo, mas se os freios forem acionados na agricultura, teremos um problema maior. Tivemos muitas conversas nos últimos dois meses sobre como continuar. Achamos que, se desacelerarmos, não estaremos garantindo esse tipo de segurança alimentar que a GrainChain cria”, disse Macias.

“Temos que garantir que cada dólar que gastamos seja um dólar muito eficaz e proporcione crescimento e impacto verdadeiros. Nossos produtos estão gerando receita. Acho que, se desacelerarmos, estaríamos prestando um desserviço à nossa indústria, e agora é provavelmente um dos momentos mais importantes para investir na agricultura”, completou.

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A GrainChain está atualmente negociando planos de expansão para Peru, Colômbia e Argentina.

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Isabela  Fleischmann

Isabela Fleischmann BR

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups

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