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Por que o Mercado Livre está apostando em seguro para desbancarizados

Companhia Argentina ampliou oferta de sua divisão financeira, o Mercado Pago, e espera vender 1 milhão de apólices em 12 meses

Empresário argentino faz aposta crescente no Mercado Pago, de produtos financeiros
Por Belén Escobar (BR)
27 de Junho, 2022 | 11:08 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — O Mercado Livre (MELI), gigante argentina de comércio eletrônico, lançou no Brasil um serviço de seguro de vida através de seu aplicativo fintech, Mercado Pago, sendo este o segundo passo da empresa liderada por Marcos Galperin no mercado de seguros. A solução, desenvolvida pela empresa argentina Klimber, faz parte da estratégia do unicórnio latino-americano para expandir o ecossistema do Mercado Pago após o lançamento do serviço de trading de criptomoedas em 2021.

O produto é apoiado pela Prudential Seguros e Swiss Re, e os usuários pagarão mensalidades com o saldo de sua conta digital. Através da iniciativa, os clientes do Mercado Pago terão um valor segurado de R$ 150 mil, resolução de sinistros, telemedicina e emergências odontológicas, entre outros serviços.

Consultadas pela Bloomberg Línea, fontes do Mercado Pago disseram que o serviço tem um mercado potencial “muito grande” entre os não bancarizados com pouco acesso a seguros através dos meios tradicionais.

“Estamos acessando um segmento que até agora não foi visado por mais ninguém”

Julián Bersano, CEO da Klimber

As fontes também ressaltaram que o mercado brasileiro foi escolhido para o lançamento porque é o maior mercado da região, com alto potencial no setor de seguros. O serviço será incorporado ao Mercado Pago em outros países da região em breve.

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Com um histórico que inclui o lançamento de um seguro contra roubo e danos de telefones celulares em 2021, que foi muito bem recebido, a empresa disse que a decisão de lançar o seguro de vida foi tomada durante a pandemia, período que destacou a relevância desse tipo de produto para os consumidores.

Por sua vez, a empresa também indicou que planeja ampliar a oferta no Brasil com um produto de seguro completo contra acidentes e, no futuro, continuará analisando áreas em que existe um potencial para oferecer aos usuários uma proposta relevante de valor.

MercadoPago lança serviço de seguro de vida no Brasildfd

A quem se destina o produto?

O Mercado Pago destacou que o novo produto é destinado a pessoas físicas e pequenas empresas que não contam com acesso a seguro de vida, telemedicina e emergências odontológicas.

Portanto, as apólices podem ser personalizadas de acordo com as necessidades de cada usuário para cobrir todos os eventos – desde falecimento e despesas de enterro até as diárias de hospitalização e cobertura para doenças graves ou cirurgias.

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Neste sentido, a empresa está confiante de que há uma enorme oportunidade de crescimento na América Latina, não apenas no Brasil, pois entende que a maioria da população nunca teve uma oferta de seguro – 50% das pessoas nem possuem conta bancária.

Segmento ‘não visado por mais ninguém’

Julián Bersano, CEO da Klimber, disse à Bloomberg Línea que o lançamento representa “um marco muito importante” para a empresa argentina: “estamos acessando um segmento que até agora não foi visado por mais ninguém – o de venda de seguros pessoais para a base da pirâmide em um mercado como o de seguros de vida ou seguros em geral”.

Não há muito interesse em vender seguros para a base da pirâmide pois a comissão é baixa”, explicou o CEO da empresa, que foi a primeira do país a criar uma plataforma inteligente que permite a compra de seguros 100% online.

Em 2018, lançamos o primeiro seguro de vida digital na região, e o caminho sempre foi bastante sinuoso. Lançar um produto desse tipo no Brasil é um feito espetacular. Além disso, conseguimos fazê-lo com o maior player da América Latina”, destacou o empresário.

“Em poucas horas, ultrapassamos as mil apólices. Está indo muito bem”, disse ele, antecipando que a projeção de Klimber, por meio de seu plano de expansão regional, é atingir 1 milhão de apólices na América Latina nos próximos 12 meses.

Embora tenha garantido que a intenção é expandir na região após o lançamento no Brasil, ele enfatizou que o ponto de partida no país é o “maior desafio para qualquer empresa latino-americana que não seja brasileira, pois o idioma é diferente, o mercado é enorme e os regulamentos são complexos porque cada estado brasileiro é como um país separado”.

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--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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Belén Escobar

Belén Escobar (BR)

Graduada em Jornalismo (Universidad Nacional de Lomas de Zamora). Especializada em economia e finanças. Foi jornalista da agência Noticias Argentinas (NA) e colunista do Canal de la Ciudad. Ela também colaborou com o portal iProfesional.

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