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TAP: Incertezas impulsionam busca por novo investidor para aérea portuguesa

Decisão final caberá ao governo português, que recentemente financiou um resgate de 2,55 bilhões de euros à companhia

TAP: Incertezas impulsionam busca por novo investidor para aérea portuguesa
Por Henrique Almeida
23 de Junho, 2022 | 11:10 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A chefe da TAP disse que um novo investidor colocaria a companhia aérea estatal portuguesa em uma base mais sólida à medida que avança com um programa de reestruturação e enfrenta custos mais altos de combustível e incerteza geopolítica crescente.

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“É um mercado muito difícil”, disse a CEO Christine Ourmieres-Widener em entrevista na sede da empresa em Lisboa. “Os custos com combustível estão aumentando. Podemos ter guerras, podemos ter pandemias, então é claro que fazer parte de um grupo maior dá mais solidez a qualquer companhia aérea. Mas deve ser o parceiro certo.”

Christine Ourmieres-WidenerFotógrafo: José Sarmento Matos/Bloombergdfd

A decisão final caberá ao governo português, que recentemente financiou um resgate de 2,55 bilhões de euros (US$ 2,7 bilhões) e está a procura de um sócio, mas qualquer investidor deve estar comprometido com “o crescimento de longo prazo, com o DNA e a sustentabilidade da empresa”, disse.

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A TAP passou alguns anos difíceis até para os padrões de um setor de aviação abalado pela crise do coronavírus. Enquanto a maioria das outras aéreas europeias pertencem a três grupos sediados na região, a empresa portuguesa foi vendida ao consórcio Atlantic Gateway liderado pelo empresário do setor David Neeleman. Depois que o negócio azedou, o governo recuperou o controle, aumentando sua participação na holding TAP SGPS durante a pandemia e tornando-se o único acionista em dezembro.

A mudança de controle foi acompanhada pelo resgate, aprovado pela União Europeia apenas após Portugal concordar em reduzir os custos da TAP através de cortes de empregos e da frota.

Ourmieres-Widener, a primeira mulher CEO nos 77 anos de história da TAP, disse que a questão do investimento é “muito sensível” e “deve ser tratado pelo acionista”. O ministro das infraestruturas de Portugal disse em março que vários possíveis parceiros demonstraram interesse, mas não deu detalhes.

A Deutsche Lufthansa, dona de antigas operadoras nacionais na Áustria, Bélgica e Suíça, além da Alemanha, há muito é vista como um provável investidor. A IAG, que inclui aéreas da Grã Bretanha, Irlanda e Espanha, é considerada uma opção menos viável, uma vez que a Iberia, que faz parte do grupo, concorre com a TAP nas rotas transatlânticas. O terceiro grupo da Europa, a Air France-KLM, une as aéreas da França e Holanda.

Enquanto isso, a TAP conta com acordos de code-share e sua participação na Star Alliance, liderada pela Lufthansa, para impulsionar seus negócios depois de registrar um prejuízo líquido de 1,6 bilhão de euros no ano passado, prejudicada por medidas como o fechamento de um negócio de manutenção no Brasil.

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À semelhança de outras aéreas europeias, a TAP tem observado uma tendência de os passageiros gastarem mais com viagens. “Há um impulso nas viagens premium porque as pessoas economizaram algum dinheiro”, disse Ourmieres-Widener. “As pessoas querem ir a algum lugar. Elas querem sua liberdade de volta.”

Apesar das limitações impostas pelo plano de resgate, a TAP ainda tem espaço para crescer, disse a CEO. Ainda é a maior operadora europeia com voos para o Brasil, atendendo 11 destinos, mantém uma forte presença na África e opera vários voos para a América do Norte, disse.

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