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Mercados

Hora da virada para a Vale? Minério de ferro se recupera após promessa de Xi

Líder da China reiterou as ‘metas sociais e econômicas’, o que pode estimular a demanda; analistas do BTG Pactual e do Citi veem chance de virada no mercado

O minério de ferro subiu 8.9%, para US$ 117,75 a tonelada em Singapura
Por Liz Ng e Redação Brasil
23 de Junho, 2022 | 08:34 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O preço do minério de ferro avançou de seu fechamento mais baixo em mais de seis meses depois que o presidente chinês Xi Jinping prometeu atingir as metas econômicas para o ano, apesar dos ventos contrários da pandemia e do mercado imobiliário na segunda maior economia do mundo. Medidas para um maior crescimento significariam um aumento da demanda por minério de ferro.

A notícia, se concretizada de fato, é uma notícia positiva para a mineradora brasileira Vale (VALE3), que tem justamente no minério de ferro o seu principal produto e na China o seu principal cliente.

O minério de ferro subiu 8,9%, para US$ 117,75 a tonelada em Singapura. O insumo siderúrgico deve se recuperar para US$ 140 a tonelada em três meses, pois está “altamente exposto” a mais flexibilização chinesa, disseram analistas do Citigroup (C) em nota.

As cotações estão praticamente estáveis neste ano, mas acumulam queda de 50% em relação aos patamares de um ano atrás, quando chegavam a superar US$ 220 a tonelada.

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As ações da Vale, na esteira desse recuo em 12 meses, acumulam queda de 25% no período e de 3,35% no ano, em linha com o movimento das cotações do minério de ferro.

No entanto, pode haver mais fraqueza no curto prazo, já que os investidores digerem notícias sobre cortes na produção de aço e margens fracas, disseram.

Segundo analistas do BTG Pactual (BPAC11), em relatório nesta semana, as perspectivas para os preços de commodities como o minério de ferro podem ter chegado a uma espécie de ponto de inflexão.

“Enquanto o consumo de aço chinês tem sido deprimente (mercado de propriedades ainda em colapso, indústria em ritmo lento e estímulos à infraestrutura ainda indefinidos) e uma reabertura completa permanece indefinida, estamos vendo alguns sinais modestos de melhora na economia e indicadores de mobilidade”, escrevem os analistas Leonardo Correa e Caio Greiner, da equipe de Equity Research do BTG Pactual, em relatório a clientes.

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“O cenário é claramente mais fluido do que esperávamos algumas semanas atrás, mas ainda acreditamos que nossa call para um fundo do poço na China ainda está intacto. Afinal, não existe nenhum problema de inflação relevante na China [índice de preços ao consumidor perto de 2% ao ano] e o PBOC [o banco central da China] é provavelmente o único banqueiro do mundo que tem algum espaço para relaxamento [monetário], o que deve não ser ignorado pelos investidores, a nosso ver”, apontam Correa e Greiner.

As declarações de Xi

O líder da China reiterou as “metas de desenvolvimento social e econômico” do país em um fórum de negócios na quarta-feira (22), após meses de turbulência que levaram os economistas a reduzir suas previsões de crescimento para o país.

O discurso de Xi ofereceu a primeira menção a metas econômicas desde uma reunião do Politburo em abril. Desde então, as perspectivas econômicas da China pioraram em meio a uma série de lockdowns que prejudicaram a indústria e minaram o sentimento do consumidor.

O minério de ferro caiu este mês à medida que crescem as dúvidas sobre se o setor imobiliário do país pode encenar uma recuperação de uma queda recorde. As commodities também estão sob pressão de forma mais ampla devido às crescentes preocupações com o crescimento global. A maioria dos economistas espera que a China não atinja sua meta de expansão de 5,5% este ano.

Veja mais em bloomberg.com

- Com a Bloomberg Línea

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