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Mercados

Mercados voltam do feriado nos EUA no azul, mas incerteza ainda ronda os negócios

Sobem as bolsas europeias e os futuros de índices; operadores estão no aguardo de pronunciamento do presidente do Fed amanhã

As variáveis que orientarão os mercados
21 de Junho, 2022 | 08:45 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Barcelona, Espanha — (Esta nota atualiza a versão originalmente publicada às 6h44)

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Os mercados aproveitam para um respiro nesta terça-feira pós-feriado nos Estados Unidos. Bolsas da Europa, futuros de índices norte-americanos e a imensa maioria das asiáticas - a manhã é azul entre os ativos. Mas a dose de cautela continua, pelo cenário macroeconômico conturbado e pelas declarações, programadas para amanhã e quinta-feira, do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, ante o Congresso dos EUA.

Mesmo com as cotações inclinando-se para o campo positivo (vide tabela abaixo), se mantêm a inconstância dos mercados e as preocupações em torno do jogo de forças entre inflação elevada + alta dos juros + ritmo de crescimento econômico.

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🌫️ Incerteza (ainda) no ar. Vários executivos, do CEO da Tesla, Elon Musk, passando por Nouriel Roubini e por Bob Diamond, da Atlas Merchant Capital, advertiram esta terça do risco de recessão durante o segundo Fórum Econômico Anual de Qatar. “Uma recessão (nos EUA) é inevitável em algum momento, sobre se haverá uma recessão no curto prazo, o mais provável é que não”, disse Musk a John Micklethwait, redator-chefe da Bloomberg News.

Já Roubini, conhecido por suas opiniões desalentadoras para os mercados, prognosticou uma recessão para os EUA no final do ano, enquanto Diamond afirmou que esse destino é quase inevitável.

→ Leia o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Se avizinha o fim da tempestade?

🏦 Alerta também entre as instituições. O presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, advertiu ontem que as expectativas de inflação dos EUA poderiam se desvanecer “sem uma ação crível do Fed”. Já o ex-secretário do Tesouro Lawrence Summers argumentou que a taxa de desemprego do país precisaria subir acima de 5% por um período sustentado para conter a pressão sobre os preços. Mas o presidente dos EUA, Joe Biden, depois de uma conversa telefônica com Summers, tratou de transmitir sua sensação de que a recessão seria algo evitável.

🇬🇧 Apertem os cintos. O economista-chefe do Banco da Inglaterra (BoE), Huw Pill, disse hoje que os responsáveis pela política monetária do Reino Unido sacrificariam o crescimento econômico com vistas a reduzir a inflação. Segundo ele, existe o risco de os preços desenvolverem um “impulso autossustentável”. Pill disse que será necessário um aperto monetário ainda mais intenso nos próximos meses, e o BoE estaria pronto para agir “de forma mais agressiva”.

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🇪🇺 No Velho Mundo. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, voltou a se posicionar sobre os juros, enviando sinais de que está por chegar um aumento das taxas em julho e setembro. Ainda é grande a expectativa em torno do mecanismo que o BCE criará para evitar a fragmentação do mercado de dívida do bloco. Do continente, notícias importantes no âmbito do comércio exterior: a União Europeia e a China planejam para as próximas semanas duas reuniões com membros do alto escalão dos governos. Devem abordar questões bilaterais reais e proporcionar benefícios tangíveis, de acordo com Nicolas Chapuis, embaixador da UE na China.

⬆️⬇️ Vaivém. As relações chegaram a um auge no final de 2020, quando os dois lados assinaram um tratado de investimento largamente esperado. Porém, se deterioraram rapidamente depois que a UE sancionou as autoridades chinesas por acusações de violação dos direitos humanos em Xinjiang. Recentemente, a Europa também teve que repensar seus laços com a China, já que o país asiático não se posicionou com firmeza e contra a guerra da Rússia na Ucrânia

Um retrato desta manhãdfd
🟢 As bolsas ontem: Feriado nos EUA, Stoxx 600 (+0,96%), Ibovespa (+0,03%)

As bolsas norte-americanas não abriram na segunda-feira devido a feriado. Os contratos S&P 500 ganharam cerca de 1,1%, após a pior semana para o indicador desde o início da pandemia. Os futuros Nasdaq 100 também subiram em torno de 1,1%.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Índice de Atividade Nacional Fed Chicago/Mai, Vendas de Casas Usadas/Mai

Europa: Zona do Euro (Transações Correntes/Abr)

América Latina: Brasil (Ata do Copom ); Argentina (Balanço Orçamentário/Mai)

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Bancos centrais: Atas da Reunião de Política Monetária do Banco do Japão (BoJ). Discursos de Thomas Barkin e Loretta Mester (FOMC/Fed), Andre Enria (BCE), Sabine Mauderer (Bundesbank), Silvana Tenreyro e Huw Pill (BoE)

📌 Para a semana:

Quarta-feira: Testemunho semestral do presidente do Fed Jerome Powell no Senado. Minuta de política monetária do Banco do Japão (BoJ)

Quinta-feira: Powell se pronuncia ante a Câmara dos Representantes. Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego. PMIs para a Zona Euro, França, Alemanha, Reino Unido e Austrália. Boletim econômico do BCE

Sexta-feira: Confiança do consumidor dos EUA medido pela Universidade de Michigan dos EUA

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.