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Bancos de Wall Street passam aperto na China com alerta sobre salários altos

Americano Goldman Sachs e europeus como Credit Suisse e UBS recebem aviso de que remuneração generosa não é bem recebida no país comunista

Vista do distrito financeiro de Xangai: bancos globais buscam expandir os negócios na China
Por Cathy Chan
18 de Junho, 2022 | 04:04 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Um após o outro, os grandes nomes das finanças globais foram convocados pelas autoridades chinesas.

Na agenda: dizer ao Credit Suisse, ao Goldman Sachs e ao UBS que relatem detalhes sobre como remuneram seus principais banqueiros.

Não recompense seus principais executivos de forma muito generosa, alertaram os reguladores chineses aos bancos neste ano em reuniões em Xangai e Pequim, ou podem entrar em conflito com o Partido Comunista, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

As reuniões sobre salários, relatadas aqui pela primeira vez, são apenas um dos muitos percalços que os bancos globais enfrentaram recentemente na China. Após anos de perdas ou retornos reduzidos, alguns deles reavaliam suas perspectivas. A curto prazo, as perspectivas não são boas.

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As esperanças de que os negócios dos grandes bancos de investimento na China possam finalmente valer a pena foram prejudicadas e abaladas novamente. Os bloqueios para tentar conter o avanço da Covid-19, os mercados voláteis e as medidas de Xi Jinping para remodelar o mundo dos negócios – e reafirmar o controle do estado – repercutiram em bancos em Nova York, Londres e Zurique.

Publicamente, os executivos dizem que estão mais comprometidos do que nunca com a China. Filippo Gori, chefe para a região Ásia-Pacífico do JPMorgan, disse recentemente em entrevista à Bloomberg Television que o banco está focado nos próximos 25 anos na China, não no próximo trimestre.

ASSISTA: O CEO do JPMorgan para Ásia em entrevista recente à Bloombergdfd

Mas, em conversas privadas, um número crescente de executivos na região expressa dúvidas sobre o futuro imediato de seus bancos na China.

Entrevistas com oito executivos seniores de bancos como Goldman Sachs, Morgan Stanley e UBS – todas sob condição de anonimato para evitar atritos com superiores, clientes ou autoridades chinesas – apontam para uma série de problemas. Salários são apenas um deles. Outros incluem licenças, recrutamento, segurança de dados e muito mais.

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Acima de tudo está a campanha de Xi para combater o que o Partido Comunista considera elementos econômicos e sociais indesejáveis. O presidente da China quer conter os empresários muito ricos, diminuir a desigualdade de renda persistente do país e promover a “prosperidade comum”.

Em um sinal dos novos tempos, vários grandes bancos, entre eles Credit Suisse, JPMorgan e UBS, recentemente mudaram executivos seniores na China. Após contratar cerca de 200 pessoas no ano passado, o Credit Suisse adiou planos de formar um banco local e pode demitir dezenas de funcionários, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Outros bancos podem tomar medidas semelhantes.

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