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Carros autônomos são realidade em São Francisco. A Waymo conta como chegou lá

Cidade na Califórnia conta também com fila de espera para testar o serviço de corridas da Cruise, uma startup da GM que opera táxis autônomos

Veículo autônomo da Waymo, sem motorista, em circulação nas ruas de São Francisco, na Califórnia
17 de Junho, 2022 | 03:04 pm
Tempo de leitura: 4 minutos

São Francisco — Carros brancos com sensores andam sozinhos por São Francisco, na Califórnia. Há quem não goste dos veículos, que respeitam os limites de velocidade da cidade. Há quem tenha curiosidade para testar o serviço de corridas autônomas e quem duvide da segurança dos carros que dirigem sozinhos, ou ache que eles não deveriam ser testados nas ruas. O fato é que a Waymo, empresa de veículos autônomos pertencente à Alphabet, holding dona do Google (GOOGL), quer mudar o meio pelo qual as pessoas estão se locomovendo. E está fazendo isso em fase experimental no Vale do Silício.

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A Waymo lançou seu serviço de corridas por aplicativo com carros autônomos em Phoenix, no Arizona, há dois anos. Lá, qualquer usuário pode baixar o aplicativo da Waymo e usar o carro que o leva de um ponto A para um ponto B sem motorista.

No Bloomberg Tech Summit, realizado em São Francisco na semana passada, a co-CEO da Waymo, Tekedra Mawakana, disse que, para que os carros autônomos se tornem realidade, é necessário ter pessoas interessadas no serviço, pessoas céticas sobre a tecnologia, membros da comunidade, reguladores e promotores de políticas para entender o que está acontecendo nas ruas. “Um dos jeitos que decidimos nos aproximar das cidades é engajando os membros da comunidade. Em São Francisco, há dezenas de milhares de pessoas que aplicaram para serem nossos testadores”, contou.

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A co-CEO da empresa de carros autônomos Waymo no Bloomberg Tech Summit realizado em São Francisco em junho de 2022 (Foto: David Paul Morris/Bloomberg)dfd

Os testadores se locomovem com os carros da Waymo pela cidade, mas não o dirigem. A empresa lançou o serviço na Califórnia em agosto do ano passado e tem recebido feedbacks para melhorar o produto. “A razão pela qual alguém paga para usar um carro autônomo para uma corrida por aplicativo é porque o serviço é útil, é confortável, é privativo, limpo e te leva com segurança de um ponto A até um ponto B. Esses são os elementos que nós consideramos”, disse a executiva.

Mawakana não descartou levar o serviço para a América Latina. “Se houver certeza regulatória e tecnologia, nós queremos ir para todos os lugares. Para qualquer lugar que tenha pessoas e bens que precisam se mover, essa é a nossa missão. Vamos aonde a demanda estiver”, disse.

Carros autônomos são seguros?

Nos últimos dias, os reguladores de segurança automotiva dos Estados Unidos avançaram em uma investigação dos carros autônomos da Tesla, depois de identificarem novas batidas. Segundo a agência americana de segurança de tráfego nas rodovias, a Tesla lidera o ranking de acidentes envolvendo carros autônomos. O regulador está analisando 830 mil veículos Tesla fabricados entre 2014 e 2021.

Carros da Tesla estiveram envolvidos em 273 dos 367 acidentes relatados por 12 empresas de carros autônomos entre julho de 2021 e 15 de maio deste ano. Considerando todos os acidentes relatados, ferimentos graves ou morte ocorreram em 11 das 98 colisões. Outros 294 incidentes não tinham informações sobre danos aos ocupantes do veículo.

Já a Waymo reportou 62 acidentes no período.

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Mas, segundo Mawakana, apontando para a matemática e as probabilidades, acidentes envolvendo os carros autônomos são bem menores do que as fatalidades nas rodovias causadas por pessoas ao volante. “É mais seguro do que dar uma carteira de motorista para alguém de 16 anos - nos Estados Unidos é possível tirar a carteira com essa idade - que mal passou no exame”, disse.

A executiva relata que o robô da Waymo já dirigiu mais de 20 milhões de milhas de forma autônoma em rodovias e mais de 20 bilhões de milhas em simulações. “Ele já passou por todo o tipo de cenário que acontece nas rodovias no simulador. E ainda assim as pessoas questionam se é seguro. Humanos dirigem bêbados, distraídos, cansados. Coisas que o motorista Waymo nunca faz.”

Para Mawakana, a tecnologia do carro autônomo não consegue se tornar profissional apenas dentro de um laboratório. Ela precisa ser testada nas ruas. “Agora temos a discussão sobre troca de valores e quão o seguro é. Por isso nós publicamos nossos dados de colisões. Nós queremos ter certeza de que as pessoas entendam que isso é uma troca de valor. Se você pode ter sua rodovia mais segura, que um carro autônomo leve sua filha para o treino de futebol, para a escola e depois para a casa, isso é muito valioso. E você se sente de uma forma muito diferente sobre querer ou não sua filha dirigindo com seis amigos em um carro distraída no telefone celular”, disse.

Foto: David Paul Morris/Bloombergdfd

Além da Waymo, São Francisco também conta com uma fila de espera para pessoas que querem testar o serviço de corridas da Cruise, uma startup que opera táxis autônomos e é controlada pela General Motors (GM). A autorização para que a emprese opere na cidade saiu no início do mês. A Cruise reportou 23 colisões envolvendo carros autônomos entre julho de 2021 e 15 de maio de 2022.

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Isabela  Fleischmann

Isabela Fleischmann BR

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups